França não critica duramente acordo sobre Irã para não irritar o Brasil, diz Le Monde

O presidente francês Nicolas Sarkozy, e o presidente brasileiro Lula, se encontraram no início da semana em Madri, durante a cúpula União Europeia-América Latina.O presidente francês Nicolas Sarkozy, e o presidente brasileiro Lula, se encontraram no início da semana em Madri, durante a cúpula União Europeia-América Latina.
O presidente francês Nicolas Sarkozy, e o presidente brasileiro Lula, se encontraram no início da semana em Madri, durante a cúpula União Europeia-América Latina.

O presidente francês Nicolas Sarkozy, e o presidente brasileiro Lula, se encontraram no início da semana em Madri, durante a cúpula União Europeia-América Latina.

O jornal Le Monde continua interessado no Brasil e nos desdobramentos do acordo nuclear sobre o dossiê nuclear iraniano. Negociado juntamente com a Turquia, o acordo foi assinado no dia 17 de maio, em Teerã.

Em sua edição desta sexta-feira, Le Monde analisa que a França está pondo “panos quentes” em suas declarações sobre o documento para não irritar o Brasil e, assim, garantir a venda dos seus caças Rafale, numa política de continuidade da tão anunciada parceria estratégica bilateral. Além disso, o chefe de Estado Nicolas Sarkozy tem todo o interesse em não perder o apoio do Brasil com a proximidade da presidência francesa do G20, em 2011.

O artigo comenta que, no fundo, a França considera ingênuos e até contraproducentes os esforços do Brasil na questão. O teor do acordo seria muito supérfluo para impressionar as grandes potências que, por unanimidade, acham que o Irã manipulou os emergentes para ganhar tempo. A prova disse foi a rapidez com que os Estados Unidos anunciaram um outro acordo, desta vez sobre um texto de sanções ao Conselho de Segurança da ONU, contendo pela primeira vez um embargo à venda de armas ao Irã.

Enquanto os americanos não medem as palavras, a França, ao contrário, toma todos os cuidados em cada declaração para não chatear o Brasil. No comunicado do Palácio do Eliseu no dia seguinte à assinatura, foram usados termos como “reconhecimento e apoio ao presidente Lula por seus esforços”, sem nem mencionar a participação da Turquia.

Em seguida, a França relembrou que o problema iraniano está muito além de um simples projeto de troca de urânio, sendo preciso o fim do enriquecimento a 20%. Pouco depois deste comunicado, Lula e Sarkozy se encontravam em Madri, às margens de uma cúpula, e uma fonte do Eliseu anunciava que a França estava confiante quanto à venda dos Rafale para o Brasil. Le Monde termina sua análise comparando a moderação do discurso francês sobre o acordo com o tom altamente crítico dos Estados Unidos.

*Com informações da RFI

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