11º Simpósio Internacional de Jornalismo Online instiga discussões dentro e fora da rede

Jornal Grande Bahia compromisso em informar.
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Mais de 270 jornalistas, acadêmicos e executivos de mídia de ao redor do planeta – incluindo Austrália, Bélgica, Canadá, Egito, Japão, Noruega, África do Sul, Reino Unido, Uganda e 12 países Latino-americanos – participaram, entre os dias 23 e 24 de abril, do 11º Simpósio Internacional de Jornalismo online, com o copatrocínio do Centro Knight para o Jornalismo nas Américas.

O simpósio ocorreu em um novo centro de conferências na Universidade do Texas em Austin, mas milhares de pessoas acompanharam as discussões através da transmissão de video ao vivo online e também via a prolífica distribuição de notas em tempo real através de plataformas de mídia social, especialmente no Twitter.

“Se sua repercussão na mídia social é algum tipo de nova métrica para avaliar o sucesso de uma conferência hoje em dia, o simpósio foi um verdadeiro sucesso, pois gerou mais de 4.500 tweets nos dois dias”, disse o professor Rosental Calmon Alves, fundador e diretor do Centro Knight. “Estamos muito felizes com a repercussão do simpósio no Twitter.”

Além do tweeters, aqueles que participaram do Simpósio – muitos com iPads e iPhones – também incluíram notas em blogs sobre a conferência e participaram de um grupo no Facebook, ilustrando a importância de discutirem e entenderem as novas tecnologias digitais.

Para mais informações sobre o Simpósio deste ano, visite o seu website emhttp://online.journalism.utexas.edu. É um repositório único com observações pessoais sobre a evolução do jornalismo online na última década, possuindo transcrições, vídeos, pesquisas acadêmicas e apresentações dos outros simpósios.

Para saber um pouco mais sobre o que as pessoas falaram sobre o Simpósio deste ano, veja o blog Reportr.net de Alfred Hermida, um pioneiro e vencedor de premios sobre jornalismo online, acadêmico em mídia digital que apresentou pesquisa no Simpósio.

Este simpósio anual vem sido organizado deste 1999 pelo Professor Rosental C. Alves, diretor da Cátedra em Jornalismo Internacional Knight e da Cátedra da UNESCO em Comunicação na Universidade do Texas em Austin. O evento conta com o apoio da Faculdade de Comunicação e Departamento de Jornalismo da Universidade do Texas em Austin.

Steven Kydd, vice-presidente executivo da Demand Media, líder em distribuição de mídia social, apresentou a palestra inicial. O programa deste ano incluiu painéis sobre notícias movies, estratégias de sobrevivência de jornais na era digital, tendências em interatividade, jornalismo participativo, jornalismo sem fins lucrativos, e experiências inovadoras em jornalismo online.

Entre os painelistas estavam:
Tom Bodkin, editor-assistente de redação, diretor de design, The New York Times; Dan Gillmor, professor e diretor do Centro Knight para Empresariado em Mídia Digital, Arizona State University; Scott Lewis, CEO, Voice of San Diego; James Moroney III, publisher e CEO do The Dallas Morning News e vice-presidente executivo da A. H. Belo; Jim O’Shea, co-fundador e editor, Chicago News Cooperative; John Paton, CEO, Journal Register Company; Evan Smith, CEO e Editor, Texas Tribune; e Ethan Zuckerman, bolsista no Centro Berkman para Internet e Sociedade da Universidade de Harvard.

Aqui está um sumário das opiniões de alguns participantes do Simpósio sobre o evento deste ano

Alfred Hermida, professor assistente da Universidade de British Columbia Canadá, e que apresentou sua pesquisa no Simpósio:

A minha primeira experiência com o Simpósio Internacional de Jornalismo Online foi há cinco anos atrás. Eu não sabia o que esperar mas fiquei intrigado por um evento que reuniu profissionais, acadêmicos e estudantes de jornalismo.

Achei uma mistura refrescante. Os profissionais estavam se perguntando onde o jornalismo está indo, os acadêmicos estavam tentando responder algumas destas perguntas e os alunos de jornalismo estavam em busca de pistas do que suas carreiras iriam apresentar.

Desde então, só perdi o simpósio em um ano, quando estava mudando minhas funções de jornalistas, dos meus 16 anos com a BBC, para aceitar uma posição como professor de jornalismo na Universidade de British Columbia.

Pulando estes cinco anos, o simpósio cresceu em tamanho e estatura, mas ainda mantém a interessante mistura de profissionais e acadêmicos.

Neste ano, fiquei particularmente impressionado pelo tom construtivo das apresentações e conversas. Ao invés de argumentos sem objetivos sobre quem é um jornalista ou como defender as instituições jornalísticas existente, o foco foi no que realmente importa – jornalismo e seu espaço na era digital.

Mais de um apresentador disse que estava otimista sobre o futuro do jornalismo. Até o refrão cansativo do declínio da circulação do jornal foi questionado como, em uma escala global, a leitura do jornal impresso está em alta.

As ideias, experiências e trocas em Austin foram suficientes para durar diversas conferências. Além disso, houve uma troca internacional de ideias, com contribuições vindas desde os Estados Unidos até o Reino Unido, da Espanha à África do Sul, com minha própria pequena contribuição do Canadá.

Os painéis seguidos sobre jornalismo participativo e iniciativas sem fins lucrativos nos Estados Unidos ofereceram exemplos extraordinários de um jornalismo revigorado, aberto e colaborativo. Nós ouvimos de iniciativas vindas da Espanha, Lainformacion.com, do México, Reporte Indigo, e mais.

Um momento sombrio foi a apresentação de Nagwa Abdel Salam Fahmy da Universidade Ain Shams, no Egito. Sua palestra sobre as dificuldades de bloggers Egípcios contra a repressão foi um lembrete da liberdade de expressão que temos no Oeste, e muitas vezes não nos damos conta.

Foi um lembrete sobre a necessidade que temos em levar esta sensação de renovação que fluiu através do simpósio de volta para nossas salas de redação e classe, para nos assegurarmos que o jornalismo floresça nessa era digital.

Cindy Royal, painelista do Simpósio e professor assistente da Universidade Texas State:
É um grande prazer participar no Simpósio Internacional de Jornalismo Online da Universidade do Texas. Venho participando todos os anos desde seu início, começando com o ano em que fui aceita para o programa na UT. É ótimo trazer meus alunos da Texas State, onde eu agora sou pesquisadora e professora, para que eles possam interagir com os professores e alunos da UT, profissionais e acadêmicos de outras universidades.

Estou otimista com o que ouvi nas conversas deste ano, tanto nos painéis quanto for a deles. Acho que estamos começando a falar sobre as coisas certas – nos distanciando do modelo impresso e discutindo novas questões econômicas e ferramentas – sem nos preocupar em estarmos pisando na herança da velha mídia. Ouvindo os comentários de tanto Earl Wilkinson, diretor executivo e CEO da Associação Internacional de Marketing para Meios de Comunicação noticiosos e Evan Smith, Editor Chefe e CEO do Texas Tribune, me provou que temos agora gente muito influente liderando a marcha para o mundo do jornalismo online.

Wilkinson apresentou o que eu achei que foram alguns dos mais provocantes comentários, dizendo que precisamos desmontar o impresso, repensar sua proposição de valor e manter toda a indústria. E, Smith realmente trabalhou para fazer a transição do modelo impresso da revista Texas Monthly, onde ele desprendeu 18 anos como editor, para o ambiente de nova mídia onde que ele agora lidera. Ele compreende a importância de dados e está apostando em um modelo inovador, sem fins lucrativos.

Isso combina com meu interesse em dados e programação para jornalistas e meu estudo de caso da equipe de Notícias sobre Tecnologia Interativa do NY Times que apresentei na conferência. Também fui encorajada pela presença de empresários inovadores como David Cohn do Spot.us e Steven Kydd da Demand Media, que estendeu nosso conhecimendo de uma organização de mídia moderna.

Eu deixo a conferência com um compromisso renovado à expor alunos de meios de comunicação aos mais altos níveis de tecnologia e encoraja-los a usar técnica de narrativas noticiosas para explorar modelos de mídia inovadores. Como sempre, é ótimo poder estar em contato com amigos, conhecer os seguidores de Twitter e aqueles que eu sigo e compartilhar ideias. Parabéns ao Rosental, Amy Schmitz-Weiss e a todo a equipe do Centro Knight pelo magnífico evento! Espero ansiosamente ao simpósio do ano que vem quando sem dúvidas todas as expectativas serão novamente superadas em mais um programa fantástico.

Mike Lewis, participante do simpósio:
Fui para a conferência de Jornalismo Online nesta última Sexta e Sábado. Vi uma variedade de palestrantes e acadêmicos nesta conferência. Notei que existem três tipos de participantes. Tinha os (a) tradicionalistas; (b) jornalistas; (c) pioneiros procurando novas formas para publicar.

No atual modelo financeiro de publicação é cobrar e os tradicionalistas não gostam disso. Jornais, que em um ponto foram um bom modelo de negócios, estão agora perdendo dinheiro. Esta mudança possui impacto dramático no jornalismo e mídia. Primeiro, pessoas – especialmente as audiências mais jovens – não querem pagar por conteúdo e pedir por isso só irá aliená-los. Outros tradicionalistas como Jim O’Shea estão levando o jornalismo para o âmbito sem-fins lucrativos. Talvez esta seja o melhor lugar para o jornalismo hard-core, porque, como Jim disse, a propaganda irá fornecer somente 5% da receita da Chicago News Coop.

Por outro lado do espectro existem pioneiros que estão abraçando a internet. A web está se provando melhor em interatividade. Não é um lugar para simplesmente replicar a palavra escrita de jornais e revistas. Os sites que ganham são os sites que abraçam a natureza social e interativa da web. O primeiro palestrante da conferência, Steven Kydd da Demand Media, é um dos pioneiros. Apesar de ser discutível se seja jornalismmo, a Demand Media esta descobrindo novas oportunidades de negócio ao intergair com a web e com os escritores e criando novas oportunidades dos modelos de negócio de meios de comunicação que estão se desintegrando. David Cohn da Spot.us é outro que esta buscando criar uma empresa de mídia centrada em volta da interatividade da web e criando uma plataforma para o financiamento de crowdsourcing e fontes de notícias de suas matérias.

Minha companhia, Grogger, é mais uma buscando aproveitar o que a web é boa em – interatividade. Grogger permite que qualquer um facilmente contribua com um site. O WordPress e softwares tradicionais de blogs foram criados para se parecerem com meios de comunicação tradicionais onde a relação escritor-leitor anda em uma direção. A nova mídia será interativa e vibrante. Diversos excelentes painelistas como a Cindy Royal na Sexta e Jan Schaffer no Sábado compreendem isto e forneceram excelentes palestras sobre como eles estão nos mostrando novos métodos em jornalismo que realmente funcionam.

*Com informaçõe do Centro Knight

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