A difícil arte de encontrar-se | Por R. C. Amorim Neto

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Verdades não ditas ou, simplesmente, mal ditas. Respostas para perguntas que não foram feitas. Silêncio para comentários que me fariam pensar. Frágeis desculpas para fatos tão óbvios… Assim é a rotina de quem tenta cancelar um encontro marcado há tanto tempo, o encontro consigo mesmo.

Por um longo tempo, eu nem mesmo pensava na possibilidade de me encontrar e assumir minha vida como aquilo de mais importante. Felizmente, a estrada de minha vida cruzou o percurso de pessoas que me estenderam a mão e me ajudaram a embarcar na difícil, mas doce viagem em busca de mim mesmo e daquilo que existe de melhor em mim… Foram anos, não apenas meses, de trabalho pesado para cruzar pedras, espinhos e pontes quebradiças do caminho. Depois de um longo tempo, quando eu menos esperava, senti que meus pés haviam adentrado uma área verde, com grama macia. Tudo isto me fazia confiante em relação ao futuro e satisfeito pelos passos dados entre dores e vitórias.

Algo muito poderoso havia acontecido comigo. O meu rosto queimado pelo sol se tornou luminoso. Pessoas olhavam para mim com encanto, como se eu devesse ser seguido ou como se apontasse para algo mais poderoso que está além de mim. Isto me fazia mais forte…

Entretanto, o encorajamento vindo dos olhares alheios e a satisfação de ser um rosto brilhante em meio às trevas de corações partidos foram suficientes para que eu esquecesse dos motivos pelos quais eu era aquilo em que havia me transformado.

Parei! Fiz uma tenda em meio às pessoas… Todavia, chegou o momento em que tudo aquilo já parecia monótono e sem brilho. Decidi deslocar-me e seguir caminho. Não, infelizmente desde este momento, não mais andei de mãos dadas com aqueles que me encantaram lá no início. Decidi andar sozinho, afinal imaginava ter luz infinita. Segui um caminho alternativo, de onde poderia ver o campo gramado e festivamente ensolarado, mas também poderia ver um vale de sombras no qual podia relaxar, esconder-me e fingir não ser quem sou, usando véus para esconder o meu rosto.

Por um tempo, muitos véus foram necessários para esconder a luz de minha face, mas aos poucos a luz diminuiu e nem eu mesmo enxergava o caminho de ida e volta. Além disto, a luz do campo ensolarado passou a incomodar meus olhos… Véus para as trevas. Óculos escuros para o campo ensolarado. Já nem sabia a que lugar pertencia ou quem eu era. Algumas vezes tentei me entregar às trevas integralmente e esquecer a luz que me cegava. Funcionou por um tempo, mas então senti a sede insaciável daqueles que já experimentaram a vista ampla desde a colina mais alta.

Hoje, não tenho apenas os pés cansados, o rosto pálido e os olhos sensíveis, mas um coração que já esqueceu de como era desejar o infinito. Sim! É hora de levantar-me e buscar aqueles que já percorreram o caminho e, quem sabe, ainda chegarei a tempo para o encontro essencial. Aquele do qual me imaginei tão perto, quando na verdade estava distante: o encontro comigo mesmo, com o melhor do que existe em meio peito.

É hora de partir!

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