Senado lança catálogo de obras raras da Coleção Luiz Viana Filho

O Senado Federal lança na próxima terça-feira (09/3/2010), às 18h30, o “Catálogo de Obras Raras e Valiosas da Coleção Luiz Viana Filho”. O evento, que ocorrerá na Biblioteca do Senado, faz parte das comemorações do Dia do Bibliotecário, que transcorre em 12 de março. Foram selecionadas 275 obras raras para compor o catálogo. Os critérios foram a antiguidade da obra; seu valor histórico, cultural e literário; sua importância no universo dos bibliófilos, pesquisadores e historiadores; e as edições consideradas especiais no mercado editorial.

Autor do prefácio do catálogo, o bibliófilo José Mindlin – que morreu no último dia de fevereiro – foi amigo de Luiz Viana Filho, patrono da Biblioteca e antigo dono da coleção dos livros que integram o catálogo, adquiridos pelo Senado nos anos 1990. Ele destaca que são poucas as pessoas que poderiam se gabar de uma cultura tão vasta quanto a de Luiz Viana.

“O Catálogo de Obras Raras e Valiosas de sua biblioteca que está sendo preparado pelo Senado Federal, a quem coube o honroso ensejo de conservá-la, bem demonstra a amplitude de assuntos que através da vida provocaram seu interesse e estudo” analisa Mindlin.
Na apresentação do Catálogo, o presidente José Sarney contou como se deu o processo de aquisição, pelo Senado, da biblioteca de Luiz Viana. Depois que o ex-senador e ex-governador da Bahia morreu, em 1990, Sarney, que presidia o Senado à época, iniciou a compra dos livros. Seu sucessor, o ex-senador Antonio Carlos Magalhães, concluiu a negociação.
“A família, dona Juju e os filhos, preocupavam-se mais com a preservação da integridade do acervo do que no seu valor material, e o que pediam era justamente que a biblioteca não fosse dispersa em meio ao resto da Biblioteca do Senado, mas mantida como uma coleção à parte. Durante as negociações e avaliação feita por vários experts, em 1997 foram incorporados os 11 mil volumes à Biblioteca do Senado”, lembra Sarney.
Segundo o presidente Sarney, a catalogação e tratamento físico da Coleção Luiz Viana Filho revelou que os livros raros eram mais numerosos e valiosos do que se pensava. Sarney fez uma menção especial, entre os títulos incluídos no catálogo, às edições de viajantes e de seus biografados.
Fique sabendo + sobre Luís Viana Filho
Luís Viana Filho (Paris, registrado em Salvador, 28 de março de 1908 — São Paulo, 5 de junho de 1990) foi um advogado, professor, historiador epolítico brasileiro, governou o estado da Bahia de 1967 a 1971.
Filho do último governador da Bahia no século XIX, Luís Viana, formou-se em Direito, em 1929, mas exerceu a profissão de jornalista, correspondendo para os jornais da capital baiana “Diário da Bahia” e “A Tarde”.
Em 1934 ingressa na política, sendo eleito deputado federal, sendo afastado em razão do golpe do Estado Novo, o que o devolveu para o jornalismo. Reelege-se para o mesmo cargo, após o fim da Era Vargas, em 1945, em sucessivos mandatos até 1966, quando se desincompatibiliza para concorrer ao governo do Estado – numa eleição aos moldes do Regime Militar, cuja instalação no país apoiara – tendo sido desde 1964, Ministro Extraordinário para Assuntos do Gabinete Civil do regime de exceção.

Em 3 de setembro de 1966 é eleito, por via indireta, pela Assembléia Legislativa, tomando posse no ano seguinte.

Professor de Direito Internacional Privado e de História do Brasil da Universidade Federal da Bahia. Como historiador publicou alguns livros.

Foi membro do Instituto Histórico e Geográfico da Bahia; da Academia de Letras da Bahia; membro benemérito do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro; membro correspondente da Academia Internacional de Cultura Portuguesa, da Academia das Ciências de Lisboa e da Academia Portuguesa de História.

Após o período de governo, foi eleito para o Senado, onde presidiu a Comissão de Relações Exteriores e o próprio Senado Federal, no biênio 1979-80. Morreu em 1990, quando exercia seu segundo mandato como senador.

Governo da Bahia

Integrando o período conhecido por “Milagre Brasileiro”, marcado por forte industrialização e exacerbado endividamento externo, Luís Viana Filho dá início à construção do parque industrial da Bahia, em Aratu, girando em torno da petroquímica (CIA – Centro Industrial de Aratu).

No discurso de posse diz assentar seu governo no trinômio “Ordem, Trabalho e Moralidade”. Promove algumas reformas no ensino mas, sempre voltadas à construção de salas de aula e não ao preparo efetivo do magistério, a partir de seu governo o Estado assistiu à decadência da qualidade da educação pública, um processo capitaneado pelo regime ao qual se filiara.

Em seu governo recebeu a visita da Rainha Elizabeth II da Inglaterra.

Academia Brasileira de Letras

Foi eleito para a Academia em 8 de abril de 1954, terceiro membro da cadeira 22, cujo patrono é José Bonifácio. Tomou posse a 15 de abril do ano seguinte, recebido por Menotti Del Picchia.

Bibliografia

Versando sobre política (em especial o período da ditadura militar de 1964 à qual serviu), sua visão da História, e principalmente as biografias (de Rui Barbosa a Anísio Teixeira – este na sua última obra) os livros publicados por Luís Viana Filho foram:

1932: O Direito dos Empregados no Comércio. Bahia : Almeida, 1932. 241 p

1936: A Língua do Brasil. Bahia : A Gráfica, 1936. 70 p

1938: A Sabinada. A República Baiana de 1837. Rio de Janeiro : J. Olympio, 1938. 210 p.

1941: A Vida de Rui Barbosa. São Paulo : Companhia Editora Nacional, 1941. 301 p.

1945: A Verdade na Biografia. Rio de Janeiro : Civilização Brasileira, 1945. 171 p.

1946: O Negro na Bahia. Rio de Janeiro : J. Olympio, 1946. 167 p.

1949: Rui e Nabuco. Rio de Janeiro : J. Olympio, 1949. 230 p

1952: A Vida de Joaquim Nabuco. São Paulo : Companhia Editora Nacional, 1952. 355 p.

1954: Antologia de Rui Barbosa. Rio de Janeiro : Casa de Rui Barbosa, 1954. 250 p.

1956: Miguel Osório. Rio de Janeiro : Simões, 1956. 76 p.

1958: A Bahia Espoliada. Rio de Janeiro : Departamento de Imprensa Nacional, 1958. 16 p.

1959: A Vida do Barão do Rio Branco. Rio de Janeiro : J. Olympio, 1959. 458 p

Da Nacionalidade das Sociedades. Salvador : Artes Gráficas, 1959. 83 p

1963: Afrânio Peixoto. Rio de Janeiro : Agir, 1963. 118 p

1965: A Vida de Machado de Assis. São Paulo : Martins, 1965. 289 p.

1966: Centenário de Aloysio de Carvalho. Salvador : Academia de Letras da Bahia, 1966. 33 p.

1968: Rui Barbosa e os Militares. Salvador : Imprensa Oficial da Bahia, 1968. 7 p.

1972: O Último Ano de Rui na Bahia. Salvador : Imprensa Oficial da Bahia, 1972. 11 p.

1974: Elogio de Antonio da Silva Melo. Rio de Janeiro : Academia Brasileira de Letras, 1974. 49 p.

1975: Em favor do Nordeste. Brasília : Senado Federal, 1975. 37 p.

O Salário dos Professores e a Educação Nacional. Brasília : Senado Federal, 1975. 24 p.

O Governo Castello Branco. Rio de Janeiro : J.Olympio, 1975. 571 p

Homenagem ao Marechal Juarez Távora. Brasília : Senado Federal, 1975. 15 p.

Em favor do Nordeste. Brasília : Senado Federal, 1975. 37 p.

Onze anos de renovação e progresso. Brasília : Senado Federal, 1975. 12 p.

1976: Bahia: O caminho do desenvolvimento. Brasília : Senado Federal, 1976. 16 p.

1977: Ação da palavra. Brasília : Senado Federal, 1977. 146 p

O momento politico. Brasília : Senado Federal, 1977. 15 p.

As memórias do Senador Daniel Krieger. Brasília : Senado Federal, 1977. 7 p.

Rui Barbosa : seis conferências. Rio de Janeiro : Casa de Rui Barbosa, 1977. 74 p.

1979: A nova fase da Republica. Brasília : Senado Federal, Centro Grafico, 1979. 10 p.

A educação e o Nordeste. Brasília : Senado Federal, Centro Grafico, 1979. 15 p.

A Vida de José de Alencar. Rio de Janeiro : J. Olympio, 1979. 311 p.

1980: Um novo congresso. Brasília : 1980. 6 p.

Sub lege libertas. Brasília : Senado Federal, 1980. 8 p.

1981: Embaixador Oscar Camilion. Brasília : Senado Federal, 1981. 9 p

A verdade sobre a CEPLAC. Brasília : Senado Federal, Centro Grafico, 1981. 11 p.

Problemática da educação no Nordeste. Brasília : Senado Federal, Centro Grafico, 1981. 14 p.

João Mangabeira: O homem e o politico. Brasília : Senado Federal, Centro Grafico, 1981. 19 p.

Três estadistas: Rui, Nabuco, Rio Branco. Rio de Janeiro : J. Olympio ; Brasília : INL, 1981. 1.218 p.

1982: Luís Viana Filho, Um historiador na Academia Brasiliense de Letras. Brasília : Senado Federal, Centro Grafico, 1982. 23 p.

Educação no Norte e no Nordeste. Brasília : Senado Federal, Centro Grafico, 1982. 14 p.

1983: Sessão solene em homenagem a suas majestades os reis de Espanha, D. Juan Carlos I e D. Sofia. Brasília : Senado Federal, Centro Grafico, 1983. 26 p.

Senador Nilo Coelho. Brasília : Senado Federal, Centro Gráfico 1983. 10 p.

As sucessões presidenciais. Brasília : Senado Federal, 1983. 24 p.

A Vida de Eça de Queiroz. Porto : Lello, 1983. 320 p.

1984: Petroquímica e industrialização da Bahia : 1967-1971. Brasília : Senado Federal, 1984. 153 p.

1986: Octavio Mangabeira: Um homem na tempestade. Brasília : Senado Federal, Centro Grafico, 1986. 57 p.

Castelo Branco: Testemunhos de uma época. Brasília : Senado Federal, 1986. 116p.

Dias que mudaram o Brasil. Brasília : Senado Federal, 1986. 14 p.

1987: Inauguração da Biblioteca Álvaro Nascimento. Salvador : Academia de Letras da Bahia, 1987. 17 p.

1988: Deus ajude o Brasil. Brasília : Senado Federal, Centro Grafico, 1988. 30 p.

Homenagem a Rômulo de Almeida. Brasília : Senado Federal, 1988. 32 p.

1990: Centenario de Wanderley Pinho. Brasília : Senado Federal, Centro Grafico, 1990. 17 p.

Anísio Teixeira : a polêmica da educação. Rio de Janeiro : Nova Fronteira, 1990. 210 p.

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