O fim do mundo | Por Joilton Freitas

Joilton Antônio Freitas Matos é jornalista, radialista e âncora do programa de rádio Rotativo News, em Feira de Santana.
Joilton Antônio Freitas Matos é jornalista, radialista e âncora do programa de rádio Rotativo News, em Feira de Santana.
Joilton Antônio Freitas Matos é jornalista, radialista e âncora do programa de rádio Rotativo News, em Feira de Santana.
Joilton Antônio Freitas Matos é jornalista, radialista e âncora do programa de rádio Rotativo News, em Feira de Santana.

Abri os olhos. O quarto fechado por cortinas dava a impressão que ainda era noite. Por experiência sabia que deveria ser em torno de 08h00. Como de costume, peguei o controle da televisão. Liguei. O tempo necessário para que a imagem aparecesse já tinha se passado. Mais uma vez a energia faltou. Pensei. Fui até o interruptor para acender a lâmpada. Nada. Deve ser mais um apagão, isso vem ocorrendo com frequência. “Herança maldita”  é a voz de Sérgio Jones, meu amigo comunista, ribombado no meu cérebro semiacordado.

Se tivesse energia, eu poderia ligar o rádio ou o computador e claro ficar sabendo o que realmente estava acontecendo.  Mas a televisão tem lá o seu charme. É um misto de bom e ruim, mais bom do que ruim, é verdade. “Que nada, só serve para deixar o povo na ignorância e assim servir a esse capitalismo selvagem” mais uma vez é voz do meu amigo me atormentando. Esquecendo ele, que nos países que experimentaram o comunismo a imprensa foi usada do mesmo jeito e, continua nos que ainda resistem a mudança.

Olho para o relógio, 08h10. Deve estar passando o telejornal “Em Cima da Hora” da Globo News. Ainda bem que tenho a condição de assistir a uma televisão a cabo. “Coisa de pequeno burguês” a voz de Jones não sai do meu cérebro, resultado da cervejada da noite anterior.

Resolvi  levantar. Fui até o sanitário: Usei o vaso, dei descarga, a água não desceu. Faltou de novo? Nem arrisquei a abrir o chuveiro e muito menos a torneira. Interessante. Tudo está tão quieto. Aliás quieto demais. Fora do habitual: não se ouve a zoada dos carros, a gritaria das crianças no parque, o canto dos pássaros… Estranho, muito estranho.

Fui até a janela do quarto e abrir a cortina para deixar a luz do sol entrar. Fiquei estupefato. O apartamento estava solto no espaço sideral. O que se faz em uma hora dessas? A única coisa que me veio à cabeça foi um trecho da música “Nostredamus” de Eduardo Duzek “Levanta, serve um café que o mundo acabou”, diz ele para a empregada morta na cozinha. Só que nesse dia, a minha, como a televisão, não deu o ar de sua graça. Deve estar morta.

*Joilton Antônio Freitas Matos é jornalista, radialista e âncora do programa de rádio Rotativo News, em Feira de Santana.

Redação do Jornal Grande Bahia
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