Lula afirma que decisão de construir gasoduto na Bahia em parceria com chineses foi estratégica

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou hoje (26/03/2010), em Itabuna, sul da Bahia, que a decisão de construir o Gasoduto da Integração Sudeste-Nordeste (Gasene), em parceria com a petrolífera chinesa Sinopec, foi ideológica e estratégica para o país.

“Nós já tínhamos um estudo avançado com um banco japonês e a decisão de fazer a obra com os chineses foi uma decisão estratégica do governo. Na reunião realizada na Granja do Torto, em 2004, ao discutirmos o assunto, achamos necessário nos aproximarmos da China, estreitarmos os laços em uma parceria estratégica. Fiz uma votação entre os ministros presentes que terminou em 4 a 2 a favor dos chineses. Por isso, considero hoje um dia especial e mais um passo na direção da independência do Nordeste”.

Brincando com o embaixador chinês, presente no Parque de Exposição Antônio Setenta, onde aconteceu a solenidade de inauguração do gasoduto, o presidente ressaltou as dificuldades de negociação com os empresários daquele país.

“Os chineses não são fáceis. A cara é simpática, mas são duros nas negociações. São duros, negociam com a alma e o coração, mas encontraram pela frente a Petrobras, que, em termos de negociação, não fica devendo nada a nenhum chinês”.

O presidente lembrou que, quando o governo anunciou a decisão pela realização da obra, houve quem desacreditasse de sua realização. “O Lula não vai gastar R$ 7,2 bilhões enterrando cano embaixo da terra, sem que possa colocar uma placa. Mas eu quero ressaltar que nós não estamos tirando nada do Brasil, mas, sim, dando oportunidade para a Região Nordeste do país, a mesma que já tiveram o Sul e o Sudeste”.

Ao falar sobre a descoberta do pré-sal, o presidente voltou a brincar. “Antes do meu governo, a Petrobras tinha uma mentalidade tacanha. Hoje, investimos em pesquisa cinco vezes mais do que antes. Não achamos o pré-sal porque Deus é brasileiro. Se bem que eu acho que ele é mesmo. Toda vez que vejo um retrato dele eu penso, sim, que ele é brasileiro, que tem a cara do brasileiro. E se duvidar nasceu aqui mesmo no Nordeste”.

Lembrando seus tempos de retirante, o presidente disse que se sentia muito irritado quando as pessoas achavam que o nordestino só vinha para o Sudeste para ser pedreiro. “Havia esta crença de que só servíamos para ser pedreiro e isto me irritava muito. Pois nós, agora, queremos ser engenheiros, médicos, o projetista da obra. Precisamos desenvolver o Nordeste para que o povo tenha os mesmos direitos dos que habitam o restante do país”.

Lula afirmou que o povo brasileiro cansou de ser tratado como “cão vira-lata” e que desenvolveu o gosto pela autoestima. “Nós não queremos mais isto [ser tratados como cão vira-lata]. O que queremos é mostrar que temos autoestima. Queremos criar uma sociedade mais fraterna, onde as pessoas se deem as mãos e se ajudem”.

Ao prometer acabar com o déficit habitacional do país com a construção de 2 milhões de casas, prevista na segunda versão do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC 2) – que será lançado na próxima segunda-feira (29) –, Lula enfatizou que é necessário separar os atos de governo da atividade política no país. “Precisamos aprender a separar o ato institucional do ato político. Porque se não o que sai no jornal é a vaia a este ou aquele político e não à obra realizada. A eleição é apenas um ato político na vida da gente, depois das eleições nós não temos que brigar, mas, sim, que tratar de governar em parceria.”

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