Ipac promove primeiro tombamento oficial da história de Itacaré

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Quem imaginaria que Itacaré, município localizado a 428 quilômetros de Salvador, hoje um dos pontos turísticos mais badalados da América Latina e mais valorizados no Nordeste brasileiro, fosse ter agora como símbolo oficial mais representativo uma simples igreja?

Uma pesquisa de equipe multidisciplinar do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac), órgão da secretaria estadual de Cultura (Secult), fará da capela de São Miguel Arcanjo – construída pelo padre jesuíta Luís Grã ainda no início do século 18 em uma pequena elevação do povoado – o primeiro patrimônio cultural de Itacaré oficializado pelo Estado da Bahia.

“Existe um déficit histórico para a salvaguarda dos patrimônios culturais baianos que está sendo resgatado nos últimos três anos graças à melhoria de serviços e aceleração de processos”, explica o diretor-geral do Ipac, Frederico Mendonça.

Segundo ele, de 2007 a 2010, o governo estadual aumentou em mais de 400% as ações de proteção dos bens culturais. Foram mais de 30 imóveis e monumentos tombados, dezenas de processos finalizados, como os dos patrimônios imateriais da ‘Festa de Santa Bárbara’, ‘Carnaval de Maragojipe’ e os que serão finalizados em 2010, como o ‘Desfile dos Afoxés’, além dos patrimônios edificados, como a igreja de Brotas, em Salvador, – que esperava tombamento há 30 anos -, entre outros.

“O tombamento possibilita que os imóveis e monumentos tenham prioridade nas linhas de financiamento para restauração, sejam municipais, estaduais, federais e internacionais”, explica Mendonça. O Ipac/Secult-Ba também criou os ‘Editais de Patrimônio da Bahia’ que beneficiam construções tombadas e bens imateriais registrados como ‘patrimônio cultural’, sejam através do Iphan ou Ipac.

“Desde o ano passado (2009), o Fundo de Cultura disponibilizou mais de R$ 2 milhões para apoiar projetos e obras em imóveis tombados, além da valorização e dinamização de outros bens”, relata Mendonça. No plano federal, os proprietários de imóveis tombados – no caso da igreja de Itacaré é a Igreja Católica – podem solicitar recursos no Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac/MinC).

Itacaré

Antigo aldeamento indígena, a colonização de Itacaré por portugueses remonta 1530, com as capitanias hereditárias e, depois, com a chegada de jesuítas que batizaram o local de São Miguel da Barra do Rio de Contas, construindo a capela em 1723. Porto de comércio de cacau na primeira metade do século 20, o município tem cerca de 20 mil habitantes e 730 quilômetros quadrados de área. A igreja de Itacaré dispõe de oratório rococó com imagens de São Miguel, São Sebastião, Santo Antônio e Senhor dos Passos. Em alvenaria mista, a construção tem capela-mor com sacristia, andar superior com coro, galeria e sala do consistório.

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