Governo da Bahia recupera riquezas históricas e culturais no centro antigo de Salvador

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Entre as ações concluídas está a reforma da igreja de Nossa Senhora da Conceição do Boqueirão, na rua Direita do Santo Antonio, com investimentos de R$ 3 milhões. Foram recuperados telhado, elementos de pedra e madeira, revisão das instalações elétricas, de todos os bens móveis e integrados, como altares, pratarias e imagens. A igreja, construída no início do século 18, também recebeu sobre forro de fibra de vidro e acesso adaptado para portadores de necessidades especiais, como rampa e elevadores.

A primeira etapa da iluminação pública do Centro Histórico substituiu mais de 280 lampiões nas principais ruas do Pelourinho e adjacências, com investimento de R$ 1,2 milhão. A próxima etapa será no Santo Antonio e a estimativa é que em um ano toda iluminação esteja requalificada.

Na Baixa dos Sapateiros, 37 fachadas de imóveis comerciais foram requalificadas. As obras foram iniciadas nas lojas próximas a Estação Aquidabã até a entrada do Taboão. As fachadas estavam degradadas, com o engenho publicitário escondendo a arquitetura dos imóveis. No total, devem ser beneficiados cerca de 350 comerciantes.

“As obras foram concluídas antes do final do ano e já tivemos um aumento de vendas significativas em dezembro, em virtude desta melhoria. Estamos aguardando a conclusão do outro lado da rua e estou convicto que a Baixa dos Sapateiros ganhará outro fôlego, dinamizando nossas vendas”, acredita o presidente da Associação de Lojistas da Baixa dos Sapateiros e Barroquinha, Cosme Brito.

Ainda na Baixa dos Sapateiros, o Mercado Municipal São Miguel será reconstruído, sendo investidos mais de R$ 10 milhões. São 190 boxes instalados em uma área de 1.600 metros quadrados, que comercializam ervas e artigos ligados à cultura de matriz africana. Há também bares e pequenos restaurantes. “É o nosso sonho esta revitalização. Não quero morrer antes de ver este mercado reformado”, diz o comerciante Derivaldo Santana, que há mais de 40 anos tem um restaurante no estabelecimento.

Dentro da reabilitação do Centro Histórico está o projeto habitacional, foco da sétima etapa do Pelourinho, que, via Programa Monumenta, está reformando imóveis (por meio da Conder), com a finalidade de abrigar pessoas de baixa renda que já moravam no Pelourinho. E que também vai disponibilizar, em parceria com a Caixa Econômica, 234 unidades habitacionais para servidores públicos. Além disso, o Monumenta restaurou a Igreja D´Ajuda, a Casa dos Santos e o Liceu de Artes e Ofícios.

Palco articulado evitará montagem de estruturas no Pelourinho

O Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (Ipac) está elaborando o projeto do palco articulado, a ser implantado na Praça do Reggae. De acordo com o diretor-geral do órgão, Frederico Mendonça, o objetivo é organizar os espetáculos e shows no Pelourinho. O equipamento terá o formato de uma gaveta, de estrutura metálica, e quando houver espetáculo será estendido até o Largo do Pelourinho, com estrutura para os artistas, como banheiros e camarim.

“O palco articulado será muito importante para podermos organizar os eventos no Pelourinho, a fim de evitar montar e desmontar estruturas, afetando a pavimentação e as construções. As nossas manifestações musicais e culturais são importantes, mas elas não podem apagar o elemento arquitetônico que justificou o tombamento do patrimônio histórico e a chancela da Unesco”, enfatiza Mendonça.

Pilar, Rosário dos Pretos e Casa das Sete Mortes

Quem olha para a igreja de Santa Luzia do Pilar nem imagina que do cemitério, com jazigos do século 19, foram retiradas 2,5 mil toneladas de lixo e entulhos, o equivalente a 300 caçambas, sendo necessários três meses só para limpar o local. A fonte de Santa Luzia, que atrai diversos fiéis, também receberá tratamento especial.

Frederico Mendonça explica que para a conclusão do cemitério do Pilar e o restauro de alguns bens móveis integrados, o Iphan aprovou um aditivo suplementar de R$ 1,2 milhão. A parte da igreja está 90% totalizada, restando apenas o acabamento. Toda parte física, os bens móveis integrados (imagens, prataria, móveis), o altar-mor e as pinturas seculares do teto foram restaurados. A conclusão da obra está prevista para maio.

A igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, prevista para ser reinaugurada em setembro, também precisou de aditivo dos recursos. Foi preciso incluir o teto no projeto, já que se encontrava em avançado estado de deterioração.

“Isto é normal em patrimônios que ficaram durante anos fechados, sem nenhum tipo de manutenção. Sempre somos surpreendidos com o alto grau de degradação. Os imóveis que estão sendo restaurados pelo Prodetur são de referência cultural para nós. São obras de arte, que fazem parte do patrimônio brasileiro, foco da visitação turística e, consequentemente, do desenvolvimento local”, disse Mendonça, sobre os aditivos.

Cercada por muitos mistérios e uma história trágica, que envolve homicídios ocorridos em 1755, a Casa das Sete Mortes, ou das Sete Facadas, também está recebendo atenção especial. Muitas pessoas dizem escutar vozes ao entrar na casa – localizada na rua do Passo -, outros preferem nem chegar perto. Mas, depois de concluídas as obras, deve atrair vários visitantes.

O antigo solar possui dois andares e um sótão e foi tombado em 1943 pelo Iphan por causa de sua característica peculiar. A fachada é revestida de azulejos azuis portugueses da segunda metade do século 19, considerados raros e que passaram por um processo de restauração minucioso. Há também vestíbulos de azulejos do mesmo século e janelas com ornamentos portugueses.

Palácio Rio Branco

Ao entrar no Palácio Rio Branco, antiga sede do governo estadual, situado à Praça Tomé de Souza, o visitante retorna a um passado rico e poético. Na sala de despachos, onde até 1979 era decidido o futuro dos baianos, é difícil não se encantar com os móveis de jacarandá, esculpidos por grandes artesãos. E não se impressionar com o salão de festas, rodeado por espelhos com molduras folheadas a ouro e prata.

Toda a imponência do prédio em estilo neoclássico será conhecida pelos baianos e turistas a partir de maio, quando as obras de restauração estarão concluídas, após mais de um ano em reforma. Nesta última etapa, os restauradores fazem o acabamento e a limpeza.

De acordo com o engenheiro responsável pela obra, Felipe Barbosa, foram feitas intervenções tanto na estrutura física, quanto na artística. O palácio recebeu novo sistema elétrico e hidráulico, foi implantado um sistema lógico de telefonia e internet. O telhado, comprometido por cupins, foi totalmente substituído, sendo colocado um sobreforro de fibra de vidro a fim de evitar vazamentos.

O mobiliário e pintura da época colonial foram restaurados. Graças ao trabalho minucioso de restauradores e arquitetos, detalhes antes encobertos pela má conservação foram revelados. “A intervenção se preocupou em manter os traços dos artistas da época. A nave do palácio, por exemplo, estava com a pintura completamente deteriorada, oxidada, devido aos vazamentos no telhado. Seis meses foram dedicados à restauração da pintura. Antes, não conseguíamos nem identificar os anjos”, conta Barbosa.

Construído em 1549, pelo primeiro governador-geral do Brasil, Tomé de Souza, o Palácio Rio Branco foi até quartel e prisão. Abrigou Dom Pedro II, em 1859. No fim do século 19, ainda ostentava a velha fachada colonial portuguesa quando entrou em reforma, ficando pronto em 1900, na gestão do governador Luís Viana. Passava então a exibir um nobre e imponente estilo neoclássico, bem ao gosto francês.

O palácio foi um dos pontos atingidos pelo bombardeio à cidade do Salvador, em 10 de janeiro de 1912, a mando do presidente da República, Hermes da Fonseca. O prédio ficou praticamente em ruínas. Entre as perdas, o acervo de livros raros que ficava na parte térrea. Reinaugurado pelo governador Antônio Moniz de Aragão, em 1919, o palácio recebeu o nome de “Rio Branco”, em homenagem ao Barão do Rio Branco. Em 1984 foi feita mais uma restauração no prédio, devido ao péssimo estado de conservação em que se encontrava.

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