Eleições 2014 | Por Almir Pazzianotto

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Almir Pazzianotto Pinto, advogado, foi ministro do Trabalho e presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST).
Almir Pazzianotto Pinto, advogado, foi ministro do Trabalho e presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST).

As eleições presidenciais, programadas para outubro, estão, praticamente, decididas, salvo se fato inesperado ocorrer, com poder de alterar o rumo dos acontecimentos. Não consulto os astros, sou averso à futurologia, e nada tenho de profeta. Em política, todavia, como na guerra, existem regras, sabendo-se que a vitória não se dá por acaso, mas está vinculada à superioridade de forças, adequado planejamento, e à logística, como ensinam os estrategistas, a principiar pelo célebre Von Clausewitz.

Parece-me nítido, neste início prematuro de campanha, a desigualdade de meios entre o governo Lula e o PSDB. Tropas secundárias devem ser consideradas e, sob essa perspectiva, o apoio do PMDB, cooptado pelo irrecusável convite para indicação do vice, ganha significado superior à aliança do tucanato com o DEM, esfrangalhado pela denúncia de corrupção do único governador eleito pelo partido, a esta altura em vias de ser convertido em “ex”, e recolhido às dependências da Polícia Federal.

Os demais apoiadores contam pouco, como é o caso do PDT, rachado em duas facções: uma liderada pelo deputado Paulinho da Força Sindical, e pelo ministro do Trabalho, Carlos Luppi; outra, preocupada com a imagem da legenda e o destino do legado político deixado por Leonel Brizola. No caso do PSDB, a terceira coluna seria constituída pelo PPS, cuja penetração, no seio do eleitorado, não lhe confere peso considerável.

A candidatura Dilma Roussef, aclamada ao som de trombetas bastardas em convenção nacional do PT, consolida-se como fruto da vontade do presidente Lula, de quem petista nenhum ousa discordar. Embora conheçam-se figuras com história mais antiga no partido, Dilma Roussef foi ungida, e ponto final. O presidente converteu-se na mais popular (senão única) liderança brasileira, aqui e no exterior. Encontramo-nos frente a enigma que desafia a capacidade de análise dos cientistas políticos. Misto de Fidel Castro, Evo Morales e Hugo Chaves, com traços de Perón e a inseparável Evita, é arquétipo do populismo latino-americano, implacável com adversários, atrevido nas dificuldades, pronto a dizer e fazer aquilo que a massa aspira ver e ouvir.

Com talento e senso de oportunidade apropriou-se da ideia de subsidiar os mais pobres, e instituiu a bolsa-família. Preservou o Plano Real e a estabilidade da economia, superou a crise, revigorou a política externa e, sob o seu governo, foi prospectado o pré-sal.

Do outro lado, quem comanda o exército oposicionista? Não se sabe, mas tudo indica que a chefia acha-se dividida entre o ex-presidente Fernando Henrique, e o provável candidato José Serra. Velhos companheiros, desde antes da implantação do regime militar, estiveram ambos exilados, pertenceram ao PMDB, do qual se separaram frente à impossibilidade de convivência com outros dirigentes.

Dada a desproporção de forças, não me parece inteligente, por parte do PSDB, protelar a definição sobre o candidato, e apresentar programa com surradas e desacreditadas propostas de campanhas passadas.

No PT, a mensagem “paz e amor”, deu lugar a indícios de radicalização, entre os quais destaco: participação obrigatória nos lucros líquidos das empresas (exigência que, se aceita, abriria caminho à cogestão), instituição, por lei, do sábado como dia útil não trabalhado, com adoção do regime de 40 horas semanais; imposição de imposto sobre grandes fortunas; controle rigoroso dos meios de comunicação.

A campanha sucessória terá como epicentro a corrupção. O povo encontra-se estarrecido desde o episódio que envolveu assessor do então ministro-chefe da Casa Civil, passou pelo mensalão e culminou no escândalo que atinge integrantes do DEM. Quem se deu ao trabalho de coletar notícias abarrotou, no espaço de meses, um baú de reportagens sobre a quebra dos padrões de legalidade e moralidade que deveriam permear a administração pública.

Combate à corrupção; austeridade administrativa; redução do tamanho do Estado; reforma do ensino público, das legislações trabalhista, eleitoral e partidária; exclusão, das atividades políticas, de candidatos inidôneos, com vida pregressa comprometida; eliminação dos gastos governamentais em propaganda e publicidade; regeneração do sistema público de saúde; fim da farra das emendas constitucionais; diminuição do número de senadores, com a supressão do suplente; responsabilidade penal a partir de 16 anos; regulamentação do direito de greve do servidor público. São temas sobre os quais a população deseja conhecer a opinião dos candidatos.

Ou a oposição desperta para a realidade ou deverá começar a refletir sobre 2014.

*Almir Pazzianotto Pinto, advogado, foi ministro do Trabalho e presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST).

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