Dia da Mulher e a transformação no consumo| Por Paulo Aziz

Pouca gente sabe que o Dia Internacional da Mulher, celebrado no dia 8 de março, foi instituído em decorrência de uma tragédia ocorrida nesta data no ano de 1857 em uma fábrica nos EUA, onde todas as mulheres que estavam em greve por melhores salários morreram queimadas. Passados mais de 150 nos após o ocorrido, a realidade das mulheres é bem diferente, embora ainda haja muitos obstáculos no âmbito da valorização feminina no mercado de trabalho.

Apesar de todas as virtudes e qualidades inerentes à mulher, em pleno século XXI, muitas empresas ainda não perceberam que são elas que cada vez mais estão pagando as contas. Além de exercer um papel até então reservado ao público masculino, as esposas, mães e avós têm uma grande influência nas decisões de consumo familiar. Na maioria dos lares, utensílios da casa, gêneros alimentícios, de limpeza e vestimentas dos filhos e muitas vezes até do marido são escolhidos por elas.

Um casal que chega a uma loja de moda masculina e o homem recorre discretamente à opinião da mulher sobre seu parecer sobre o que ele está escolhendo. Sinal de que ela assume um papel crucial na decisão final de compra. O vendedor, por sua vez, percebendo esta situação e estrategicamente redireciona a sua comunicação, pois o fechamento da venda terá o aval dela.

As mulheres estão imprimindo um novo ritmo à sociedade, inclusive no que diz respeito ao consumo de produtos e serviços. O consumo não está tão polarizado como antes e muitos produtos têm se tornado unissex. Mesmo assim, por que será que o marketing continua insistindo com a maioria dos posicionamentos e propagandas voltadas ao público masculino? Você já viu alguma propaganda de cerveja que tivesse um apelo ao público feminino? Provavelmente não.

Você já se deparou com abordagens publicitárias da indústria automobilística direcionada à mulher? Esta nem pensar, reduto altamente masculino! Isso apesar de uma reportagem da Revista Exame de novembro de 2005 (quase cinco anos atrás) afirmar que em apenas quatro anos, as mulheres tornaram-se maioria entre os compradores de carros da marca Ford!

Como se percebe, infelizmente, o aumento do poder de consumo feminino não teve a contrapartida da maioria das empresas para atrair estas consumidoras. Nem com abordagens, nem com produtos e serviços que atendam às suas percepções, necessidades e preferências particulares.

Contra fatos não há argumentos. Um dado que impressiona diz respeito ao crescimento nas transações com cartão de crédito. Em 2004, os gastos das brasileiras somaram R$ 44,6 bilhões. Outra pesquisa daquele ano revela que as mulheres já representavam 45% dos profissionais no mercado de trabalho. E hoje, praticamente seis anos depois, quais são os dados?

Mesmo sem os novos números posso garantir o seguinte: o consumo feminino está crescendo muito. Quer uma prova? Como marido, pai e cidadão, parece que o que me restou foi apenas a escolha das marcas de cerveja e carro. Porém estou ficando preocupado, pois recentemente minha mulher e minha filha expressaram qual foi o carro que tivemos que elas mais gostaram …

Com este avanço das mulheres, uma grande oportunidade surge no mercado. Esta possibilidade surge de particularidades inerentes a cada sexo. Homens são mais individualistas, mulheres pensam no todo. Aqui está a oportunidade! As empresas necessitam sistematizar seus produtos e serviços com a finalidade de atendê-las melhor. Como o consumo tem se tornado unissex, esta interrelação não é tão difícil.

Antes de agir, contudo, é preciso considerar as peculiaridades de alguém que consegue conciliar trabalho, família, maternidade, competência, ternura, alegria e força. E não esquecer de que, apesar de todas as transformações ocorridas nas sociedades, as mulheres continuarão exalando o aroma agradável do seu ser. A quem compará-las? Uma delas carregou no ventre o filho do Altíssimo.

Finalizo com uma homenagem: Mulheres, os demais 334 dias do ano também são de vocês.

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