Cooperação entre Brasil e Alemanha investiga problema da água em Brasília

Pesquisadores alemães e brasileiros buscam soluções sustentáveis para uso do recurso natural em Brasília. Projeto transnacional também envolve outras regiões.

Como se abastece com água uma região tão vasta como a de Brasília? O que fazer com o esgoto? Como é visto o conceito de uso sustentável? Qual é o papel dos reservatórios de água, rios, córregos e lençóis aquíferos?

É o que tentam responder pesquisadores concentrados do Centro de Pesquisa Ambiental Hermoltz em Leipzig, da Universidade Técnica de Dresden e da Universidade de Brasília, além da fornecedora regional Caesb (Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal). O projeto tem o apoio do Ministério alemão de Educação e Pesquisa e de fundos brasileiros.

Holger Weiss é o coordenador da parte alemã do projeto. Segundo o pesquisador, o objetivo principal do estudo é promover a transferência de tecnologia e a adoção de estruturas já testadas na Alemanha que assegurem o abastecimento de água.

Know-how transcontinental

A América Latina é uma das cinco regiões-modelo da Aliança Internacional de Pesquisa em Água da Saxônia (Iwas). O grupo conduz pesquisas também no Leste Europeu, Ásia Central, Sudeste Asiático e Oriente Médio, em busca de conceitos alternativos para o abastecimento de água, sempre adaptados às necessidades locais.

O pesquisador se beneficia pelo intercâmbio de conhecimento entre os continentes e esclarece que a seleção das regiões não foi coincidência: “Ela inclui áreas particularmente afetadas pela mudança global, e que também o serão no futuro”, disse o professor Weiss.

Brasília em foco

Originalmente, Brasília foi projetada para 500 mil moradores, mas atualmente, a capital braseira tem mais 2,5 milhões. O Distrito Federal também é umas das áreas mais densamente povoadas do Brasil.

Como consequência da urbanização acelerada não planejada e mudanças de uso e ocupação do solo, como a intensificação da agricultura, o impacto sobre os recursos hídricos é muito forte. Segundo as previsões do fornecedor da Caesb, já em 2010 a demanda de água irá exceder a capacidade do sistema de abastecimento.

Diante da urgência de garantir ativamente o fornecimento de água para a capital do Brasil, o principal objetivo do Projeto Água DF é desenvolver um sistema integrado de gestão de recursos hídricos.

O sistema leva em conta as condições naturais da região como clima, ciclo hidrológico, uso do solo, além dos sistemas de fornecimento de água e gestão. “Brasília tem boa infraestrutura e alto nível de educação. São pré-requisitos importantes para a gestão da água orientada para a sustentabilidade”, examina Weiss.

Segundo o pesquisador, há boas chances de o projeto na capital conseguir estabelecer conceitos que poderão ser usados mais tarde por todo o país. “Brasília é para nós uma vitrine, também observada por outras grandes cidades”, completa.

Fator tempo

Para o professor Weiss, o trabalho de pesquisa é extremamente importante e pode servir como base para futuros projetos. O pesquisador ressalta a dificuldade de prever o desenvolvimento de sistemas naturais, socioeconômicos e políticos. “Deste modo, também é incerto qualquer prognóstico dos problemas que teremos de vencer no futuro.”

Os pesquisadores não dispõem de muito tempo: cerca de 90% da água que abastece o Distrito Federal vem do Rio Paranoá e do reservatório do Rio Descoberto, a 25 quilômetros distantes da capital, recursos que em breve estarão esgotados. Os primeiros resultados do estudo deverão ser postos em prática no abastecimento de água da cidade já no próximo ano.

*Com informações de  Anna Pellacini

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