Confira trechos da entrevista do governador Jaques Wagner concedida ao Jornal Correio: “”em política, tudo é possível”

Governador Jaques Wagner concede entrevista ao jornal Correio.

Governador Jaques Wagner concede entrevista ao jornal Correio.

O governador Jaques Wagner, pré-candidato à reeleição em aliança liderada pelo PT, afirma que administrar ficou mais fácil depois do rompimento com o PMDB de Geddel. Ele também diz que a imprensa glamouriza a violência, mas revela que pesquisas mostram a segurança como um tema de muita preocupação dos eleitores em relação ao governo. Carioca, 58 anos, o governador visitou a Redação do CORREIO e conversou com o editor-chefe, Sergio Costa, o editor-executivo, Oscar Valporto, e o editor multimídia, Gustavo Acioli.

Eu pouco falo do passado. Quando falo é para mostrar ao cidadão a condição em que o Estado estava ou está. Fiz a campanha de 2006 propondo muito mais do que criticando. Meu governo tem duas grandes marcas. A primeira é a da democracia. Está consolidado um estilo diferenciado na capital, no interior e nas classes política e empresarial. Todos sabem que o grupo político que governava o Estado era muito mais concentrador e tinha um peso muito grande sobre a economia, a política e a sociedade baiana. Eu faço um jogo mais ao estilo do presidente Lula. Vou a todo lugar, independentemente se o prefeito é do DEM, do PT ou outro. Hoje se respira mais democracia no Estado.

Eu não estou escrevendo um livro de história. Estou escrevendo as páginas do futuro da Bahia. As pessoas que quiserem vir são bem-vindas. Mas esta questão não está resolvida. O PR do senador César Borges apoia o governo Lula. Eu faço parte de um projeto nacional e é bom que as forças que apoiam a ministra Dilma possam estar juntas nos estados. Com o PMDB isso não vai acontecer, mas com o PR pode ser. Quanto às origens do senador, havia um grupo político e uma figura referencial na Bahia, a do senador Antonio Carlos Magalhães. Com a derrota em 2006 e, depois, com a ausência física do senador, evidentemente que o jogo político mudou. Eu não tenho nenhum tipo de constrangimento. O Otto Alencar já está aqui, José Carlos Araújo está com a gente, assim como outros que migraram. A Bahia é assim.

O perfil da chapa é o do governador. Quem vem, vem para abraçar um projeto e uma metodologia diferente de fazer política. Eu não abro mão nem do projeto que eu estou conduzindo, nem do sistema que a gente está impondo. Queremos quem venha reforçá-los. Muitos amigos meus rangem os dentes. Política é paixão. Agora, quem quiser crescer na política tem que abrir as portas do seu projeto político para construir alianças e não para fortalecer seus adversários. Mas na nossa chapa só há duas vagas confirmadas: a minha e uma vaga do PP com o nome de Otto Alencar.

Fiz uma aposta no PMDB e não deu certo. Não acho que isso seja referencial para tudo.

Porque saí vitorioso. Na medida em que essa coisa não prosperou, exercitei ao máximo a paciência política porque acreditava no projeto. Se hoje existe entendimento do governo Lula com o PMDB nacional, modéstia à parte, fui um dos articuladores. O PMDB da Bahia resolveu ter carreira solo. Por quê? A resposta cabe a quem decidiu. Para mim, é página virada. Pelas pesquisas, o salto qualitativo do governo foi substantivo de setembro para cá. Havia uma tentativa de duplo comando. Ganhamos unidade política e administrativa. Eu gastava 30% do tempo tratando de problemas com o PMDB.

Em política, tudo é possível. Muita gente achava inusitado o PR do senador Cesar Borges vir para cá, assim como muita gente achava impossível o presidente Collor de Melo apoiar Lula. Eu não gosto de falar impossível. Se tiver segundo turno tem conversa. Eu não escolho adversário. Levo a vantagem de estar lincado num projeto nacional que, na Bahia, já é vencedor.

A popularidade do presidente Lula aqui é um dado de realidade. Mas eu discordo de muita gente que diz que Dilma não tem preparo para ser candidata por conta própria. É o contrário. Eu falei na abertura dos trabalhos da Assembleia que era um luxo o Brasil, com uma democracia tão recente, ver um embate com candidatos da categoria de Dilma e Serra. Tem a Marina Silva (PV) também, reclamaram que eu não a citei. São quadros da maior qualidade. Não tem nenhum aventureiro, nenhum louco, nenhum corrupto. Cada um tem um projeto político diferente e isso é bom para a democracia brasileira.

O aprofundamento do trabalho e do projeto político que o presidente Lula vem fazendo há sete anos é fundamental. Eu acredito neste projeto e na liderança dele, sem nenhuma idolatria. E a ministra Dilma também tem compromisso com este projeto.

Não tem vice escolhido. Vai depender de muita conversa. O PT quer ter mais um candidato na chapa. Eu já disse que não. O resto, o PDT quer, PCdoB quer, vai ser uma eleição boa.

A conversa desviou para a política mas, para não perder o fio, o senhor falou que seu governo tinha duas marcas e só falou uma, qual a segunda?

É a do social. Na área de saúde, da habitação, da educação, do acesso à água, a marca de fazer mais por quem mais precisa. As pessoas têm um reconhecimento disso. Vai ser o maior número de casas entregues em quatro anos, o maior número de leitos em UTI e normal, o maior número de ambulâncias, e por aí vai. É o resgate dessa área social.

Seus adversários dizem que o senhor não faz obras e sim inaugura as iniciadas na gestão anterior (de Paulo Souto).

Quem faz oposição tradicional tem que achar o que criticar. É um direito deles. Se acharem que meu governo é bom, fica mal para eles estarem na oposição. Fiz três hospitais: Santo Antônio de Jesus, Irecê e Juazeiro. Mais dois estão prestes a ficar prontos, o Hospital da Criança de Feira de Santana e o Geral de Salvador. Vou começar a fazer o hospital regional de Seabra. São quatro mil quilômetros de estradas totalmente refeitas e 10 mil de tapa-buracos, 50 mil casas entregues até o fim do ano. Eu tenho orgulho de dizer que nenhuma obra que foi iniciada pelo governador Paulo Souto ficou parada por mesquinharia da minha parte. Realmente, eu concluí tudo. Ia fazer o quê? Deixar parado? Mas também tem um monte de coisa nova: o hospital de Feira não foi ele que começou, o de Salvador também. O de Santo Antônio de Jesus foi o grupo dele que iniciou há 19 anos… Irecê e Juazeiro também. A Ford foi no governo César Borges. É lógico que eles (o grupo do senador ACM) trouxeram para cá. Eu trabalhei um ano para trazer a ampliação. Na hora da assinatura, disse publicamente: “Senador César Borges, que alegria, hein? O senhor trouxe e eu estou ampliando”.

Eu sempre trato bem aliados e adversários, mas o casamento não está nem no noivado. É só um flerte. O presidente Lula trata Ceará e Pernambuco melhor do que trata a Bahia? A amizade entre vocês prejudica o Estado? Não. O pessoal brinca muito com isso, já que quando se tem uma relação de muita amizade é ao amigo que você pede sacrifício. Mas ele é muito amigo do Cid (Gomes, PSB do Ceará) também e do Eduardo (Campos, PSB de Pernambuco).

Teremos a Ponte (para Itaparica) que vai entrar no PAC-2, a ferrovia Leste-Oeste, a Via Expressa Portuária, a nova pista do aeroporto, o financiamento do metrô, a Fonte Nova, o dinheiro da mobilidade urbana para a Copa, 45 UPAs (unidades de pronto atendimento), a Univasf, a Universidade do Recôncavo… Aplicando a tese que Lula defende, de dar primeiro aos mais necessitados, posso dizer que nós somos a maior economia do Nordeste, temos mais musculatura. É óbvio que o Piauí depende muito mais do orçamento federal. A Bahia já tem o seu lugar: tem que ser a locomotiva do Nordeste.

A pesquisa é para consumo interno, não é pra publicar em jornal. Mas o tema central, o mais candente, é o da segurança. É o que assusta mais. Na minha opinião, e não é uma cobrança, a imprensa escrita, TV e rádio dão muito ibope à violência, glamourizam muito.

Eu não estou responsabilizando vocês. A informação nunca deve ser sonegada. Só acho que glamourizam demais. Mídia impressa tem que ser livre. É paga, compra quem quer, quem gosta do jornal que está comprando. Detesto censura.

É um tema recorrente. Preocupa. Violência é uma coisa que choca. Mas as estatísticas mostram que não houve crescimento dos índices em 2009 em relação a 2008. E começamos o ano muito bem. O Carnaval foi um dos mais tranquilos. Tivemos 8% a menos de registros de ocorrências. Não acho que este seja um tema em que alguém tenha uma varinha de condão. Tem crime que não tem nada a ver (com política de segurança). É a loucura de um cara que mata o avô pra ficar com a previdência. A violência tem aspectos. É claro que o mais recorrente é o ligado ao tráfico e ao uso de drogas. O crack é uma peste social. Tem características endêmicas violentas pelo preço e pelo estrago que faz na cabeça da garotada. Está por trás das guerras de traficantes, é gente que vai roubar para comprar droga e acaba matando. Segurança é um trabalho de planejamento, com indicadores e metas. Estamos reaproximando as polícias civil e militar, elas são complementares e não antagônicas. Fizemos convênio com o FBI para modernizar equipamentos de investigação, digitalizamos as carteiras de identidade para evitar falsificações. Enfim, estamos abraçando as boas práticas. E com indicadores que eu considero positivos.

Ampliar o contingente. Não tenho capacidade ilimitada de contratação. Vamos aumentar a autoestima da tropa, que depois da greve de 2001 ficou muito balançada e estamos fazendo um trabalho interno para melhorar isso. O resto pra mim é modernização. Não vou simplificar dizendo que segurança é só a ponta da polícia. É também a ponta preventiva: saúde, educação, emprego. Pra mim é um dado de segurança a criação de mais de 14 mil empregos na Bahia. É isso que vai fazer as pessoas fugirem da violência.

O que está acontecendo é que em grandes conglomerados humanos, como Conquista, Feira, Porto Seguro e Ilhéus, o marginal chega e enxerga uma oportunidade maior para traficar e vender a porcaria dele. Não estamos descuidando. Eu cuido de um Estado do tamanho da França, com 14 milhões de pessoas, 417 cidades. Estou longe de pretender dizer que está 100% a questão da segurança, mas na área de segurança tudo o que você evita não aparece. Aparece quando morre uma pessoa, tem um assalto a banco, um fato negativo. É o mesmo na saúde. Você atende 100. Um que não consiga atendimento é a notícia, o reclame. Mas eu não reclamo. Não brigo com a população e não reclamo com a imprensa. Eu acho que vocês têm que ser controle de qualidade de governo. Vocês estão aí para isso. O que passa bem feito, passa batido. De vez em quando, vocês até dão uma reconhecida (risos). Mas essa obrigação, a de divulgar, é minha.

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