Com o título: Em 3º lugar, Geddel é o eixo da disputa na Bahia. Reportagem do Valor Econômico, assinado por Paulo de Tarso, desnuda o PMDB

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A reportagem aborda com precisão o atual quadro político na Bahia. Coloca o Ministro Geddel Vieira Lima como fiel da balança e diz que caso João Santana não seja indicado como sucessor no Ministério da Integração, Geddel poderá boicotar candidatura de Dilma Rousseff. Ele também pretende que apoio de Lula e Dilma seja equilibrado entre ele e o governador do PT, Jaques Wagner, durante o pleito eleitoral de 2010.

Confira a reportagem publicada no Jornal Valor Econômico de 1º/03

Em terceiro lugar nas pesquisas para o governo da Bahia, as movimentações políticas do ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima (PMDB), atraem a atenção de todos os partidos envolvidos na disputa baiana como se o candidato estivesse em primeiro lugar. Petistas baianos ligados ao governador Jaques Wagner (PT) acusam Geddel de tentar esvaziar o pré-lançamento da candidatura presidencial de Dilma Rousseff e de flertar com a candidatura presidencial do tucano José Serra.

A cúpula nacional do PMDB admite este risco caso não seja resolvido o impasse sobre o palanque duplo para Dilma no Estado. Já a oposição baiana, que lançou a candidatura do ex-governador Paulo Souto (DEM), conta com os votos herdados da base política de Geddel para vencer em um eventual segundo turno contra o PT.

Geddel, que comanda a Pasta responsável por uma das maiores obras do PAC – a transposição do rio São Francisco – não compareceu ao congresso do PT que oficializou a pré-candidatura presidencial de Dilma Rousseff no sábado, 20. Ponderou com os companheiros de legenda que achava prematura a presença oficial do partido no evento sem que a aliança com o PT esteja formalizada e os problemas estaduais equacionados. Para ele, isso poderia contrariar a militância do PMDB.

Na véspera do anúncio da pré-candidatura de Dilma, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou com o presidente do PMDB, Michel Temer (SP), assegurando que não haveria qualquer manifestação hostil por parte dos delegados petistas. Temer e diversas lideranças políticas do partido – incluindo os ministros Edison Lobão (Minas e Energia) e Hélio Costa (Comunicações) – compareceram à festa, no Centro de Convenções em Brasília.

Geddel, que passara o Carnaval na Bahia, permaneceu no Estado durante todo o fim de semana.

Para um articulador da aliança nacional entre o PT e o PMDB, a resistência de Geddel em comparecer à homologação da candidatura Dilma está mais ligada à preocupação quanto à participação da ministra e de Lula nas eleições estaduais. Geddel quer isenção de ambos na Bahia. Se os dois gravarem mensagens de apoio para Wagner, que gravem também para ele. Ou que façam como em 2008, quando Lula não subiu aos palanques nem apareceu no horário eleitoral de nenhum candidato à Prefeitura de Salvador.

Em 2006, Geddel apoiou a eleição do petista Jaques Wagner. O acordo inicial era que estivessem juntos em uma campanha à reeleição, com Geddel como candidato ao Senado. Mas a eleição para a Prefeitura de Salvador desfez a aliança. O PT não quis apoiar a reeleição de João Henrique e optou por ter candidato próprio (Walter Pinheiro). Geddel retirou o PMDB do governo Wagner e, sem condições para uma reaproximação, apresentou sua candidatura ao governo estadual.

O cenário preocupa a direção pemedebista. Geddel é peça fundamental na aliança com Dilma Rousseff, mas está profundamente insatisfeito com o PT. Tem uma antiga amizade com José Serra e foi líder do PMDB na Câmara durante o governo Fernando Henrique Cardoso. “Existe um temor nosso de que, sem uma definição clara de equidade na Bahia, Geddel se descole da orientação nacional de apoiar uma aliança com o PT”, reconheceu ao Valor o líder do partido na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN).

O deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA) admite que o partido conversa com frequência com Geddel, mas descarta, por enquanto, uma união formal com o PMDB local. “A oposição a Wagner nos une, mas o apoio a Lula nos distancia. Nosso candidato é Paulo Souto, que tem mais de 30% nas intenções de voto até o momento”. Aleluia considera viável, no entanto, uma parceria com Geddel em um eventual segundo turno. “Até porque a base de apoio política no Estado é bastante semelhante”, diz Aleluia.

O parlamentar demista afirma que as críticas do PT a Geddel reforçam o argumento de que a situação do partido nas eleições estaduais não é fácil. “A Bahia é o principal Estado governado pelo PT. Eles estão com medo de perder esse espaço político”, acrescenta.

O PSDB, que depois de um longo tempo de afastamento do DEM baiano, motivado pela oposição ao carlismo, apoia a candidatura de Paulo Souto, afirma que o PT quer “empurrar Geddel para o lado do DEM”. Com isso, enfraqueceria a candidatura de Geddel e diminuiria as chances de um segundo turno na eleição local.. “O PT sabe que, se não vencer no primeiro turno, no segundo os eleitores de Geddel votarão em Paulo Souto”, afirma um tucano com bom trânsito na política nacional.

Mas tucanos locais não acreditam que Geddel possa apoiar Serra. “Isso só acontecerá se ele não conseguir emplacar o secretário-executivo (João Santana) após se desincompatibilizar do Ministério da Integração”, afirma um aliado de Serra.

Sobre Carlos Augusto 9448 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).