Brasil sugere participação privada em troca de urânio com Irã

Banner do JGB: Campanha ‘Siga a página do Jornal Grande Bahia no Google Notícias’.
Celso Luiz Nunes Amorim, ministro das Relações Exteriores.
Celso Luiz Nunes Amorim, ministro das Relações Exteriores.
Celso Luiz Nunes Amorim, ministro das Relações Exteriores.
Celso Luiz Nunes Amorim, ministro das Relações Exteriores.

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse nesta terça-feira que o setor privado poderia “facilitar” a troca de urânio entre o Irã e um terceiro país, fazendo avançar um acordo proposto a Teerã no ano passado pela AIEA.

Segundo o chanceler, um dos desafios para se chegar a um acordo é resolver o problema da “falta de confiança” entre o Irã e alguns países.

“Isso você faz até numa transação privada. Acho que não é uma coisa impossível se houver vontade política”, disse o ministro, logo após encontro com o diretor-geral da AIEA, Yukiya Amano, no Rio de Janeiro.

O diretor-geral da agência disse que a proposta apresentada ao Irã em outubro do ano passado “ainda está sobre a mesa”.

Nova gestão

Em fevereiro, a agência divulgou um relatório, o primeiro assinado por Amano desde que assumiu o posto, em dezembro, sugerindo de forma mais enfática que o Irã poderia estar desenvolvendo armas nucleares.

Muitos analistas viram o relatório como um “apoio” à proposta dos Estados Unidos de aplicar uma nova rodada de sanções comerciais ao Irã.

Amano rebateu essa interpretação, afirmando que “não disse que o Irã tinha ou tem um programa de armas nucleares”.

“Eu estava analisando informações concretas e sobre as quais tivemos consenso”, acrescentou o chefe da AIEA, referindo-se aos membros do conselho diretor da agência.

Ainda de acordo com Amano, o objetivo da agência é “conversar com o Irã para esclarecer a questão”.

“Esse é o ponto. Mas infelizmente não conseguimos fazer isso desde 2008”, disse.

Amano disse ainda que existe um convite “em aberto” para que ele visite o Irã, mas que o diretor da AIEA disse que fará essa viagem “no momento apropriado”.

“Não posso ir até lá apenas para dizer oi. É preciso alguma coisa para ser discutida”, disse.

Protocolo adicional

Amano aproveitou ainda a visita de dois dias ao Rio de Janeiro e o encontro com Amorim para defender o protocolo adicional ao Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP), que permite inspeções ainda mais detalhadas de programas nucleares dos países signatários.

“Expressei minha visão de que o protocolo adicional permitirá fortalecer a capacidade de verificação da agência. Quanto mais países aderirem, melhor”, disse o diretor-geral da agência. Segundo ele, 95 países já fazem parte desse grupo.

O governo brasileiro não aderiu ao protocolo adicional, com o argumento de que o país já se submete a mecanismos de inspeção “diversos”, entre eles um regional, no âmbito da Agência Brasil Argentina de Contabilidade e Controle (Abacc).

O assunto deverá ser discutido em maio, durante a conferência de revisão do tratado, em Nova York.

“Meu objetivo é entender melhor a posição desses países (que não aderiram ao protocolo adicional) e gostaria também que eles entendessem a minha”, disse Amano.

*Com informações da BBC Brasil

Sobre Redação do Jornal Grande Bahia 112953 Artigos
O Jornal Grande Bahia (JGB) é um portal de notícias com sede em Feira de Santana e abrange as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador. Para enviar informações, fazer denúncias ou comunicar erros do jornal mantenha contato através do e-mail: [email protected]hia.com.br.