Um senador para cada Bahia | Por Sócrates Santana

Sócrates Santana em artigo sobre João Durval: o senador contempla um cenário que impõe a formação de um quadro misto, que corresponda às novas e as velhas práticas da política baiana.Sócrates Santana em artigo sobre João Durval: o senador contempla um cenário que impõe a formação de um quadro misto, que corresponda às novas e as velhas práticas da política baiana.
Sócrates Santana em artigo sobre João Durval: o senador contempla um cenário que impõe a formação de um quadro misto, que corresponda às novas e as velhas práticas da política baiana.

Sócrates Santana em artigo sobre João Durval: o senador contempla um cenário que impõe a formação de um quadro misto, que corresponda às novas e as velhas práticas da política baiana.

O senador João Durval por enquanto assiste de camarote a sucessão estadual. Não disputa uma das duas vagas destinadas para a Bahia no senado federal, nem esboça qualquer movimento no tabuleiro da esfera política. De longe, observa tranqüilo o jogo de interesses ao redor da composição das chapas majoritárias, especialmente, a encabeçada pelo governador Jaques Wagner. De fora, o senador contempla um cenário que impõe a formação de um quadro misto, que corresponda às novas e as velhas práticas da política baiana.

O ex-governador baiano representou em 2006 a vontade de romper com a vontade de um homem e ao mesmo tempo a manutenção, ainda que subliminar, da cultura patriarcal. Em 2010 a arredia política baiana adiciona ao maniqueísmo de outrora (nós contra ele) um tempero menos apimentado. Porém, mais complexo e cheio de pequenas sutilezas, próprias da democracia. O novo ingrediente é justamente o desgarrar do revanchismo, da política feita com o fígado em nome de uma revisão de conceitos e posicionamentos de ordem conjuntural.

Talvez, de Brasília, distante da cólera das ruas e da opinião publicada, o senador possa ver o período de transição que passa a cabeça do baiano. Por um lado, o fisiologismo dos cargos, a troca de favores e o mandonismo. Por outro, o alinhamento programático dos partidos, o reconhecimento meritório e o diálogo. Mais atrás, a tradição da família, o machismo e o personalismo. Mais adiante, a ascensão social pelo o esforço, o respeito ao gênero e o trabalho em equipe. Do Planalto, talvez, o senador perceba que qualquer uma das candidaturas ao cargo máximo do estado terá que compreender que a Bahia precisa – necessariamente – de mais dois senadores.

No encalço dos candidatos é exigida a escolha de nomes que possam agradar a gregos e troianos. Um problema que o patriarca da família Barradas Carneiro não teve no último pleito, já que compôs o bloco “nós contra ele”. No primeiro plano o enquadramento de um personagem que possua capilaridade no interior do estado. Alguém capaz de arregimentar lideranças do chamado bloco de centro-direito, que circule sem dificuldades no setor empresarial. É o caso de nomes como Otto Alencar, João Leão, José Ronaldo, João Gualberto, César Borges e, em alguns aspectos, o empresário Paulo Cavalcanti e os ex-governadores Waldir Pires e Nilo Coelho. São figuras, em geral, que têm a história marcada pela imagem (aliado ou adversário) do então senador Antônio Carlos Magalhães.

No segundo plano o alinhamento com a política nacional é indispensável. Uma imagem entrelaçada às candidaturas presidenciais e aos blocos partidários. Um nome novo, reconhecido pela população mais jovem e que tenha maior visibilidade na capital baiana. É o caso do prefeito de Salvador, João Henrique, o secretário Walter Pinheiro, o ex-prefeito Antônio Imbassahy e deputada Lídice da Mata. E mais nos bastidores, o senador ACM Jr., o comunista Haroldo Lima e o deputado Márcio Marinho. Sem exceção figuras que compõem uma ala da política baiana que está sintonizada a disputa nacional, principalmente, ao clima plebiscitário estimulado pelas duas e mais evidentes candidaturas a presidência da República: o governador de São Paulo, José Serra, e a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff.

Do alto do Olimpo do poder o senador João Durval ocupa um lugar, sem dúvida, privilegiado no jogo de xadrez que se tornou a sucessão estadual. Vislumbra de longe o diagnóstico minucioso de cada cenário. Avista o entendimento que a política não é apenas uma questão de soma de um lado, mas, também diminuir do outro. Mas, deve assistir curioso mesmo ao movimento das peças do tabuleiro em volta das conseqüências morais de qualquer decisão. Porque, quem acredita estar livre da responsabilidade, por omissão, por aquilo que outros praticam, é tão culpado como aquele que age diretamente. Isso significa escolher com prudência e parcimônia, privilégio concedido – até então – apenas ao líder das pesquisas e ao único – seguramente -senador baiano.

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