Mestre Tonho uma Referência do Artesanato Sergipano | Por Ligia Motta

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Mestre Tonho uma Referência do Artesanato Sergipano

Sergipe é o menor estado brasileiro, com apenas 22 mil km2, mas o visitante fica encantado com sua cultura, misturando a diversidade indígena, portuguesa e africana com história, natureza, riqueza gastronômica e uma excelente estrutura turística e hoteleira, principalmente na capital, Aracaju.

Reconhecidas fora do Brasil, às manifestações artísticas sergipanas estão ganhando o mundo. A cerâmica de Santana do São Francisco e de Itabaianinha, as rendas irlandesas de Divina Pastora, os bordados de Tobias Barreto e de Lagarto, o rendendê, produzido em municípios como Aquidabã e Malhada dos Bois, são alguns exemplos do artesanato que há muito rompeu as fronteiras nordestinas. Cidades como Tobias Barreto, Própria, Simão Dias, Cedro de São João e Aquidabã destacam-se na produção desta arte. A forte cultura sergipana tem entre um de seus maiores artistas Bispo do Rosário, hoje considerado um gênio das artes plásticas brasileiras, com trabalhos expostos em muitas salas fora do Brasil. Bispo passou a maior parte de sua vida internado em manicômios e não se sabe ao certo sua data de nascimento, mas investigações apontam que ele pode ter nascido no ano de 1903.

O artesanato talhado em madeira, cipó, couro e barro, a tecelagem, os bordados, as coloridas redes e as rendas são exemplos da arte popular sergipana. Artistas regionais que em sua maioria são autodidatas, com características próprias e expressando em sua arte o seu dia-a-dia, carregada de belezas naturais, religiosidade e mitos populares.

Entre os artesãos que se destacam pela singularidade e excelência do seu trabalho estão Veio ( de Nossa Senhora da Glória), Mestre Tonho (de Poço Redondo), e Zé do Chalé (de Aracaju), com trabalhos esculpidos em madeira.
Com temática ligada ao cangaço, ao sertão e ao universo sagrado, Mestre Tonho credita ao ofício de escultor papel fundamental para a melhoria de sua condição de vida. Como muitos sertanejos, passou por várias fases aflitivas. Natural de Maceió, aos três meses de idade mudou-se para Poço Redondo, em Sergipe, e, antes de se tornar artesão, trabalhou em fazendas na região.Ele trabalha há mais de 20 anos com esculturas e já expôs seus trabalhos em vários locais do país como São Paulo e Brasília.

Mestre Tonho (Antonio Francisco da Silva) é destaque especial nesta coluna. Com um trabalho artesanal primoroso, confunde-se comumente com obra de arte pela capacidade criativa e riqueza de detalhes. Quando esculpe seus santos em madeira (umburana), assemelha-se ao mestre Aleijadinho com o barroco mineiro.

Os detalhes da anatomia humana chega a parecer um acadêmico estudioso do assunto. No entanto, trata-se de um autodidata, que não teve a oportunidade de ser alfabetizado e o sofrimento o fez descobrir esta dádiva divina, não parando mais de produzir suas esculturas que dignificam sua profissão. Como colecionadora de imagens de São Francisco de Assis, adquirir uma peça deste artista.

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