Medicina na UEFS, contribuição para o semi-árido baiano|Por Anaci Bispo Paim

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A Universidade Estadual de Feira de Santana, buscando cumprir a sua missão institucional de produzir e difundir o conhecimento, assumindo a formação integral do homem e de profissionais cidadãos, contribuindo para o desenvolvimento regional e nacional, promovendo a interação social e a melhoria da qualidade da vida, com ênfase na região do semi-árido e levando em consideração a necessidade social identificada no centro norte do Estado da Bahia – principalmente no semi – árido, agravado pelos indicadores de elevada mortalidade infantil, doenças infecto-contagiosas e baixa densidade de médico por habitante – propôs a implantação do curso de medicina, aprovada em 2003, com objetivo de formar profissionais para atuar principalmente na solução de problemas de saúde da população.

Assim, não pretendia ofertar apenas mais um curso de medicina, mas viabilizar uma proposta alternativa ao modelo pedagógico vigente. Buscava oferecer à comunidade um curso que proporcionasse o desenvolvimento do aluno especialmente no que tange à competência para solucionar problemas, habilidades técnicas e sócio-afetivas, bem como a adoção de atitudes éticas. Em síntese, um profissional que não cuidaria apenas da doença, mas da saúde integral do cidadão.

O curso de medicina da UEFS tem como modelo pedagógico a Aprendizagem Baseada em Problemas (ABP) que prioriza, o desenvolvimento e a competência do aluno para solucionar problemas. Os conteúdos programáticos não são organizados de forma dicotômica. O aluno é incentivado a discutir ativamente problemas de saúde e doença contidos em uma organização temática que contemple o currículo médico. É também impulsionado a definir seus próprios objetivos de aprendizagem, assumir a responsabilidade pelo seu aprendizado, pela avaliação de seus progressos pessoais e por reconhecer as necessidades educacionais, desenvolvendo método próprio de estudo.

O modelo inovador da Aprendizagem Baseada em Problemas foi estruturado a partir da experiência desenvolvida no Canadá, principalmente pelos resultados obtidos na Universidade de Sherbrooke e posteriormente pelo trabalho experimental desenvolvido em algumas universidades do Estado do Paraná.

Inúmeras ações foram desenvolvidas junto ao Governo do Estado, por intermédio da Secretaria de Educação, para viabilizar o apoio à implantação do curso – ampliação do quadro docente, aquisição de acervo bibliográfico específico, reforma das instalações físicas, montagem dos laboratórios, entre outras. Em resumo, instituiu-se, uma política de implantação que pudesse contemplar as ações de implementação do curso.

Além do Governo do Estado, buscou-se também articular aprovação do projeto do curso junto ao Conselho Regional de Medicina e ao Conselho Estadual de Saúde, culminando com apresentação nos Conselhos Superiores da UEFS (CONSEPE e CONSU) e posterior encaminhamento ao Conselho Estadual de Educação.

As ações também foram fortalecidas nas audiências públicas realizadas na Câmara de Vereadores de Feira de Santana e Clubes Rotarianos e nos seminários realizados pela própria UEFS, com a participação de profissionais da área de saúde.

Vencidas as resistências externas, a UEFS buscou viabilizar meios para vencer o desafio da formação do quadro docente. Por se tratar de uma metodologia inovadora, tornava-se necessário preparar o quadro para aplicação da Aprendizagem Baseada em Problemas. O recrutamento de pessoal ocorreu, inicialmente, na própria instituição e, posteriormente, com oferta de vagas para concurso público.

Convém destacar que os desafios para implantação de qualquer curso de graduação não se apresentam apenas no início da oferta, muito menos quando se trata de um curso inovador, com a metodologia diferenciada, como era o caso de medicina. A administração superior, os departamentos envolvidos e a coordenação do colegiado devem empreender esforços durante todo período de implementação – seis anos no caso de Medicina – para garantir as condições mínimas, as exigências do projeto pedagógico em seus aspectos essenciais e complementares e a qualidade da formação do aluno.

Único do semi-árido baiano, o curso de medicina da UEFS, contribui para qualificar os serviços de saúde desenvolvidos nos hospitais existentes e nas unidades básicas de saúde. Contribui também para ampliar a pesquisa científica da área, socializar os conhecimentos científicos produzidos, subsidiando as políticas de saúde e também ampliando o número de egressos no sistema estadual.

A Organização Mundial de Saúde – OMS estabelece a relação de um médico para 1.200 habitantes. A região do semi-árido, quando da implantação do curso, contava com 2.200 habitantes para um médico, o que evidencia o baixo atendimento para esta população à época.

A implantação do curso de medicina na UEFS trouxe, portanto, contribuições significativas, mas, por se tratar de uma metodologia inovadora, é preciso solucionar as dificuldades naturais de implementação do projeto no sentindo de, ampliar os recursos financeiros necessários ao desenvolvimento das ações, articular parcerias com a comunidade local e regional, fomentar as ações extensionistas e a produção cientifica e manter permanentemente a formação continuada do quadro docente. Buscar solucionar as dificuldades e vencer os desafios enfrentados, significa voltar os olhos para atendimento de uma área social prioritária, em uma região com baixos indicadores sociais, e também atender os princípios institucionais definidos no planejamento estratégicos da UEFS e reforçados na sua missão.

Quando da Criação do curso de medicina na UEFS, entre os 14 cursos de graduação implantados em nossa gestão, tínhamos a convicção de que a universidade ampliava o cumprimento do seu papel regional, a sua importância no semi-árido e sua grande contribuição na melhoria da qualidade de vida do povo baiano.

*Professora Anaci Bispo Paim é Ex-Reitora da UEFS – 1995 à 2003 e Presidente da Academia de Educação de Feira de Santana

*Com informações de Anaci Bispo Paim

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