Estado Brasileiro indeniza viúva do ex-governador Mário Covas em R$ 2,3 milhões e pede perdão por crimes cometidos

Assinatura da Constituição pelo senador Mário Covas Júnior no salão negro do Senado Federal. No dia 29 de setembro de 1988.
Assinatura da Constituição pelo senador Mário Covas Júnior no salão negro do Senado Federal. No dia 29 de setembro de 1988.
Assinatura da Constituição pelo senador Mário Covas Júnior no salão negro do Senado Federal. No dia 29 de setembro de 1988.
Assinatura da Constituição pelo senador Mário Covas Júnior no salão negro do Senado Federal. No dia 29 de setembro de 1988.

Em uma sala quase vazia no Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, a relatora começou a julgar o 15º caso da Turma 2 da Caravana da Anistia, às 19:46 horsa, de hoje (04/02/2010). “Queria muito que esta sala estivesse cheia agora, porque é uma honra relatar este caso”, disse Sueli Belatto, integrante da Comissão da Anistia, que promove a 33ª caravana, em São Paulo.

O processo em questão foi requerido por Florinda Gomes Covas, a dona Lila, mulher do ex-governador de São Paulo Mario Covas e pedia o reconhecimento de anistiado político ao marido e o pagamento de uma quantia referente aos dez anos em que Covas teve seus direitos políticos cassados e deixou de ganhar o salário de deputado federal – algo em torno de R$ 2,3 milhões.

“O Estado brasileiro pede perdão à família de Mario Covas e o declara anistiado político post mortem”, afirmou Sueli. De 13 de março de 1969 a 13 de março de 1979, Covas foi impedido de exercer seus direitos políticos. Durante este período, trabalhou como engenheiro na cidade de Santos, onde nasceu. Seguindo o texto da lei, a relatora do processo afirmou que, ao estado, cabe pagar uma prestação única de 300 salários mínimos, com o teto de R$ 100 mil. São 30 salários mínimos por ano de privação do trabalho.

Durante o relato, Sueli leu trechos de discursos de Covas, incluindo também depoimentos que o então deputado prestou aos militares após o Ato Institucional número 5. “A liberdade é algo pelo qual se merece morrer em qualquer lugar do mundo”, disse Covas, ao ser questionado se morreria pela liberdade de outros países, como o Vietnã.

O neto do ex-governador, o advogado Gustavo Covas Lopes, representou dona Lila na sessão de julgamento. “Ele [Mario Covas] teve uma vida pública bem forte, era respeitado por todos os partidos políticos, todo mundo o reconhecia como um grande homem. Só faltava o Estado brasileiro”, disse. “Em um país em que político é sinônimo de corrupto e ladrão, é mais que uma alegria, é uma honra ser neto de um político como o meu avô.”

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