Em entrevista o prefeito de Feira Tarcízio Pimenta declara: Estamos observando a necessidade de se criar um Centro Administrativo

Tarcízio Pimenta: É bom esclarecer isso. Primeiro eu dei apenas continuidade a uma obra que já estava licitada e em andamento e que precisava que se desse a sua destinação.Tarcízio Pimenta: É bom esclarecer isso. Primeiro eu dei apenas continuidade a uma obra que já estava licitada e em andamento e que precisava que se desse a sua destinação.
Tarcízio Pimenta: É bom esclarecer isso. Primeiro eu dei apenas continuidade a uma obra que já estava licitada e em andamento e que precisava que se desse a sua destinação.

Tarcízio Pimenta: É bom esclarecer isso. Primeiro eu dei apenas continuidade a uma obra que já estava licitada e em andamento e que precisava que se desse a sua destinação.

Nesta segunda e última parte da entrevista realizada com o prefeito Tarcízio Pimenta, ele faz uma ampla abordagem sobre a sua administração e defende a ações do seu governo.

JGB – Na condição de prefeito da segunda maior cidade da Bahia, o senhor se sente realizado ou tem pretensões de chegar ao governo do Estado?

Tarcízio Pimenta – Tudo que acontece na minha vida eu considero como missões que nos são dadas e a gente vai cumprindo de acordo como nos são apresentada, dentro do que é possível se fazer. Já cheguei a ocupar espaço na vida pública e atingir patamares de grandes lideranças políticas na Bahia. Embora tenha uma origem humilde nós sempre soubemos aproveitar as oportunidades que às vezes é única na vida do cidadão e quando isso acontece temos que estar pronto para abraçá-la. Ingressei na Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia (UFBA), já fiz pós-graduação.

No início de minha carreira tive a oportunidade de ficar trabalhando em Salvador integrado em equipes de professores renomados na área, mas resovir retornar à Feira, onde constitui família. Eu penso que a gente tem que retribuir um pouco para aqueles que contribuiram para que eu me transformasse no profissional que sou. E a forma encontrada foi dedicar parte do meu trabalho para estas pessoas. O meu primeiro emprego foi no presídio de Feira, indicação do ex-vereador Vavá Machado a quem serei eternamente grato.

Durante este período inicial de minha vida como profissional da área de saúde uma das primeiras medidas tomadas por mim foi promover a socialização e o atendimento médico aos presos e as suas famílias, providenciando tratamento odontológico e realizando cirurgias. Eu visitava diariamente o ambulatório enquanto lá trabalhei, ao longo de todo este tempo nunca fui molestado por nenhum preso, pelo contrário, contava com toda assistência necessária por parte deles. Hoje me encontro em uma situação política privilegiada em que muitos gostariam de estar. Agora é seguir em frente. Pois entendo que político que não tem aspiração, não tem futuro. Se eu falasse para vocês que eu não gostaria de ser Presidente da República estaria mentindo, não sei se vou conseguir alçar voo para chegar lá.

JGB – O senhor não montou equipe de transição para suceder José Ronaldo. Isto não dificultou o domínio da máquina administrativa no início de seu governo?

TP – Não, quanto à questão sucessória houve sim a instalação de uma equipe de transição que foi constituida por Paulo Aquino (vice), Lindinalva Cedraz, Paulo Nunes e João Marinho Gomes Junior. É preciso que se estabeleça que quando você sequencia o governo do mesmo grupo político o processo é diferente de quando você assume uma situação adversa. No nosso caso estamos dando continuidade ao governo anterior. Procedemos à coleta de informações necessárias para que não fosse interrompido o funcionamento da máquina. Todas as medidas nesse sentido foram cumpridas atendendo as normas exigidas pelo Tribunal de Contas dos Municípios (TCM).

JGB – Em janeiro completou treze meses de seu governo. É o terceiro mandato de José Ronaldo, de acordo com que o senhor afirmou durante a campanha política, ou já podemos dizer que existe uma administração de Tarcízio Pimenta?

TP – Eu acho que as pessoas continuam sem entender bem a dinâmica do que foi dito por mim sobre o terceiro mandato. Não deixa de ser o terceiro mandato de um grupo político que continua no governo. Você seguir uma administração não significa que tudo que foi feito pela administração passada, à atual tenha que fazer.

Não significa que você não introduza novidades, não adeque situações diferenciadas, que não a modernize, que não imprima um ritmo de governo que tenha o seu próprio estilo. E tudo isso estamos fazendo, estamos utilizando a estrutura montada pelo ex-prefeito, mas temos adotado um estilo de administração mais agressiva, de impacto e que busca soluções com maior fluidez.

JGB – O prefeito Pimenta dialoga mais com o povo de que o seu antecessor. Algumas pessoas citam isto como uma característica sua, o senhor concorda?

TP – Eu não posso fazer esse tipo de avaliação, ela tem que ser feita pelo povo, Nunca faltou diálogo entre mim e Ronaldo, mesmo quando ele era prefeito. Com relação a avaliar a capacidade de diálogo do governo do meu antecessor eu não posso fazé-la por não ter participado de sua administração. No nosso governo eu tenho procurado manter o diálogo com todos, mesmo em momentos em que alguns podem até interpretar como fraqueza de nossa parte. Diálogo não é ruim e nos temos que mantê-los sempre aberto para que possamos garantir um bom entendimento entre o governo e seus governados.

JGB – A obra realizada no Parque da Lagoa tem sido alvo de críticas de alguns moradores. Falta iluminação, parte da lagoa está em terreno adjacente, além de existir pouca arborização. Foi sensato proceder a sua inauguração nestas condições?

TP – É bom esclarecer isso. Primeiro eu dei apenas continuidade a uma obra que já estava licitada e em andamento e que precisava que se desse a sua destinação. As alternativas existentes eram: cancelar a obra ou dar sequência aos trabalhos. Fiz a segunda opção por uma razão simples, já havia no local recursos públicos investidos, além de considerar ser Feira, uma cidade carente no tocante a existência de aréas de lazer e entretenimento e aquele espaço é próprio para isso.

Daí é que nós assumimos a responsabilidade de dar continuidade aos trabalhos que foram executados por várias empresas que tiveram que ser substituidas por não estarem habilitadas para execução das obras. A prefeitura em nenhum momento fugiu de suas responsabilidades, o nosso pessoal foi para dentro do canteiro de obras e agiram. A empresa que concluiu os trabalhos estruturais fez a parte dela e nós a nossa.

Com relação à contaminação da lagoa já a encontramos nessa situação, não foi eu nem a prefeitura responsáveis por este problema. O laudo que atesta a contaminação já existe há muito tempo, outro aspecto importante que merece ser explicado é que o projeto arquitetônico não foi de nossa responsabilidade, mas ao tomarmos consciência do fato determinei a imediata colocação de placas no local alertando as pessoas do problema ali existente, além de guardas municipais para que conscientizasse a todos para que não usem aquele espaço.

Quando houve a história da existência de cistossoma, como o nosso governo não tem nada a esconder, no lugar de encaminhar a minha vigilância sanitária para fazer os exames convidei a vigilância do Estado (2º DIRES) e foi feito a análise da água no laboratório da FUNASA, não sendo encontrado a presença de cistossoma e sim, alguns caramujos em torno da lagoa. Na sequência procedemos à limpeza do local e providenciamos a remoção dos caramujos existentes. Importante frisar que em nenhum momento divulgamos que a lagoa era para se tomar banho. Estamos providenciando a colocação de peixes para que se faça a aração da água.

Todas as medidas estão sendo tomadas neste sentido. A contaminação de dois rapazes que tabalhavam na limpeza da lagoa e apresentaram cistossoma, quero dizer que na condição de prefeito estamos prestando todo atendimento aos enfermos e suas famílias, na condição de médico afirmo que ninguém contrai cistossoma em apenas uma semana de trabalho no local infectado. O que pode ter ocorrido é que eles já eram portadores da doença e neste momento o que deve ter havido foi a agudização do caso. Diante do exposto dei ordem expresa para que só trabalhe não área o profissional devidamente habilitado.

JGB – Recentemente, a sua administração foi responsável pela inauguração de alguns quiosques em frente ao Colégio Estadual. Este modelo de praça pública não é algo que deixa a desejar, uma vez que com o passar do tempo estes espaços tem sido degradados. Podemos citar como exemplo a Praça do Sapateiro em frente ao Paço Municipal, Praça do Tropeiro (Centro de Abastecimento), entre tantas outras existentes na cidade?

TP – O que existe às vezes é a falta de integração do espaço com a sociedade, o que fizemos foi pegar um local público abandonado e transformamos em uma área de lazer e entretenimento. Local este, que antes era utilizado para o comércio de drogas. Instalamos quiosques modernos e atrativos, além de promover a valorização das pessoas, principalmente dos que já trabalhavam no local. Estamos dando a manuntenção adequado, além de toda a praça ser dotada de modernas câmaras que fazem o monitoramento do local durante as 24 horas do dia. A estratégia criada por nossa administração é promover a integração da comunidade o que acaba sendo de substancial ajuda na proteção e preservação destes ambientes.

JGB – Os prédios públicos, em sua maioria, não dispõem de estacionamentos privativos. Não é hora de se agir com olhar mais técnico, com visão de futuro?

TP – Você tem razão, mais quero chamar atenção para o fato de que grande parte dos prédios, ocupados pela prefeitura, é alugados. Estamos observando a necessidade de se criar um Centro Administrativo. Isso inclusive foi matéria de discussão no período de campanha eleitoral. Entretanto, algumas situações terão que ser analisadas, sendo uma das mais emblemáticas a questão do comércio de Feira. Todo ele gira em torno do movimento provocado pelos órgãos públicos o que ajuda ao aquecimento dos negócios nesta área.

Com a instalção de shoppings em Feira muitas lojas se deslocaram para estes pontos que se tornaram locais atrativos. Os comerciantes temem que com a implantação de um Centro Administrativo a situação possa ser agravada e resulte em sérios transtornos ao comércio com a possível relocação da estrutura pública para outro ponto da cidade. A situação merece profunda reflexão de nossa parte. Posso adianter que a contrução do Centro Administrativo em Feira, não está fora de nossos planos, mas temos que envolver o segmento comercial nessa discussão.

JGB – A exemplo de seu antecessor, a prefeitura continua se utilizando de imóveis alugados em toda a cidade, inclusive em bairros considerados nobres como no caso específico da Secretaria de ação Social, Isso não atenta contra a boa aplicabilidade dos recursos públicos? Serviços voltados para o atendimento de pessoas de baixa renda não deveriam ser intalados em locais mais accessíveis como em terminais centrais de ônibus?

TP – A antiga Secretaria de Ação Social não tinha condições de continuar funcionando no prédio em que estava. A começar pelo acesso ao secretário que só era possível de ser feito por escada o que tornava a tarefa impossível para o cidadão portador de necessidades especiais. Outro aspecto que contribuiu para o seu deslocamento foi o seu crescimento ocorrido em função da inclusão de novos programas. Diante dessa realidade, o que nós procuramos ao optar pela troca do prédio foi fazer com que a secretaria fosse dotada de uma estrutura que melhor atendesse e propiciasse mais conforto à população, segmento tão sofrido em nossa sociedade.

Entendemos que não é porque você vai prestar atendimento ao cidadão pobre fatalmente o local tem que ser um pardieiro. Eu defendo o princípio de que o cidadão tem que ser bem atendido e assistido. Também é importante observar, para que não paire dúvidas, que todos os imóveis alugados pela prefeitura a sua efetivação só é possível após a elaboração de um laudo técnico elaborado pela Secretaria da Fazenda, o que impossibilita qualquer tipo de superfaturamento. Quanto as suas respectivas localizações os seus seviços não implicam em mais custos para a população devido ao sistema de transporte ser integrado, o cidadão usuário do sistema só paga uma passagem. Todas estas questões foram avaliadas pelo meu governo.

JGB – O prefeito não pensou em construir uma secretaria no Centro de Abastecimento onde existem áreas do município e fica localizada em frente a um terminal de ônibus. Isso não facilitaria a vida das pessoas de baixa renda ou não se pensou nisso?

TP – A gente precisava de alternativas rápidas, mais entendo que nada impede que possamos em um futuro próximo partir para este tipo de investimento.

JGB – A sua administração está criando um plano de saúde para os servidores municipais. Essa medida implica no reconhecimento, por parte de seu governo, da falência do setor público neste segmento?

TP – Há um equívoco de interpretação. O plano de saúde existe para o sevidor público em Salvador e até em outros Estados. No nosso caso o município dispõe de uma rede hospitalar que conta com uma maternidade e o Hospital da Criança que serão incluidos no plano que estamos elaborando. O que estamos procurando, ao tomar esta decisão, é oferecer uma melhor assistência aos servidores e suas famílias. Importante deixar claro que o servidor beneficiado vai ser cogestor do plano, participando com recursos provenientes de seus salários. A idéia é oferecer uma assistência de melhor qualidade que não pode ser oferecida pelo Estado.

JGB – Os governos, Estadual e Federal, criaram os Portais de Transparência. Existe uma lei que regula a criação destes portais na Internet. Por que até o presente momento, a sua administração não implantou este sistema?

TP – Nós mantemos um portal não só informativo, mas que publica tudo que é realizado pela nossa adminisrtração no município. Até mesmo para atender uma norma e exigência do Tribunal de contas e a Controladoria Geral, estamos prestando todos os esclarecimentos, não estamos omitindo nada. Se alguém tiver alguma sugestão que possa melhorar ainda mais o nosso sistema que nos envie e prontamente adotaremos.

Leia a 1º parte da entrevista:

Em entrevista Tarcízio Pimenta fala sobre política, “nunca houve estremecimento entre mim e José Ronaldo. O que existe é um respeito mútuo

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About the Author

Carlos Augusto
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).