Cúpula da UE em Bruxelas busca saída para salvar Grécia da falência

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Problemas econômicos da Grécia ameaçam estabilidade do euro e mobilizam autoridades em Bruxelas. Situação de outros países – como Portugal, Espanha e Irlanda – também é preocupante.

Os graves problemas econômicos da Grécia serão o principal tema do encontro de cúpula dos chefes de Estado e de governo da União Europeia (UE) nesta quinta-feira (11/02/2010) em Bruxelas.

Medidas concretas de ajuda não deverão ser decididas de imediato, mas a cúpula pretende despachar uma declaração conjunta sobre a situação do país, que faz parte da zona do euro. Um pacote de ajuda a Atenas com certeza estará em debate, assegurou um funcionário de alto escalão da União Europeia nesta quarta-feira, em Bruxelas.

O primeiro-ministro grego, Giorgos Papandreou, deverá prestar esclarecimentos sobre como seu país pretende sair da grave crise econômica em que se encontra. Segundo informações divulgadas em Berlim, não está prevista uma ajuda concreta dos demais países da UE, nem medidas bilaterais de ajuda a países isolados.

Na tarde desta quarta-feira, sob a chefia do premiê luxemburguês, Jean-Claude Juncker, o assunto foi discutido por representantes das nações que integram a zona do euro. Outros países do bloco pressionam a Alemanha, como maior economia europeia, a apressar sua ajuda à Grécia.

Pressão contra a Grécia

O encontro de cúpula marca a estreia do presidente do Conselho Europeu, Herman van Rompuy, cujo cargo foi criado pelo Tratado de Lisboa. O objetivo da reunião, que terá como convidado o presidente do Banco Central Europeu, Jean Claude Trichet, é discutir o rumo das políticas econômicas da Europa nos próximos anos. Outros temas em debate no encontro extraordinário são as conclusões da cúpula do clima de Copenhague e a ajuda de longo prazo ao Haiti.

Diversas agências rebaixaram recentemente o rating da Grécia, o que ocasionou um drástico aumento dos juros sobre títulos do governo grego. Se Atenas não tiver dinheiro para refinanciar suas dívidas quando estas vencerem, o país estará falido.

Apesar do nervosismo nos mercados financeiros e dos primeiros protestos em massa na Grécia, a UE dá sinais de não querer ajudar de imediato. No Tratado de Lisboa não há uma proibição generalizada ao bailout (injeção de liquidez), informaram nesta quarta-feira fontes do governo em Berlim. Mas em vez disso deverá ser aumentada a pressão para que a Grécia evite a falência por esforço próprio.

Ainda segundo a fonte, a Comissão Executiva e o Banco Central Europeu (BCE) querem que a Grécia “aprimore” sua estratégia para sair da crise. A expectativa da Alemanha é que, se a Grécia apresentar um projeto de contenção de despesas ambicioso e confiável e se o BCE e a Comissão Europeia o aprovarem, este poderia ser o tão esperado sinal de tranquilização dos mercados.

A Grécia enfrenta uma grave crise orçamentária. Durante vários anos, Atenas divulgou dados falsos sobre o déficit das finanças públicas. Somente em dezembro, dois meses após ser eleito, o governo grego corrigiu o valor do déficit, de 6% para 12% do PIB.

Num encontro com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, em Paris nesta quarta-feira, o premiê Papandreou prometeu “tomar todas as medidas necessárias” para reduzir o déficit. O máximo permitido entre os países do euro é 3% do PIB.

Pacote de austeridade

No início do mês, Papandreou havia anunciado um plano de contenção de despesas que congela os vencimentos dos funcionários públicos, eleva a idade de aposentadoria e aumenta o preço dos combustíveis.

As medidas de austeridade levaram milhares de gregos às ruas nesta quarta-feira. Em Atenas, os protestos tiveram a participação de 10 mil pessoas. Ministérios, administrações municipais e escolas ficaram fechados, as duas principais companhias aéreas cancelaram seus voos domésticos devido à greve dos controladores de tráfego aéreo e os trens não circularam normalmente.

Outros também têm altos déficits

A Grécia não é o único país com problemas na zona do euro. Portugal também enfrenta sérios problemas no mercado financeiro. Fundos de hdge e outros especuladores apostam na derrocada dos títulos públicos do país.

O governo em Lisboa determinou um programa impopular de contenção de gastos, que inclui o congelamento dos vencimentos dos funcionários públicos, entre outras coisas. De acordo com o governo português, o déficit orçamentário subiu no ano passado para 9,3%.

Segundo dados da UE, o déficit público da Irlanda escalou em 2009 para 12,5%, o segundo maior índice no bloco, após a Grécia. A causa são os gastos-recorde para o salvamento de bancos.

Com 355 bilhões de euros, o governo em Dublin foi o terceiro que mais gastou na UE nesse sentido, após o Reino Unido e a Alemanha. Na avaliação negativa dos analistas, a Irlanda substituiu a Itália, cujo déficit no ano passado foi de “apenas” 5,3% do PIB.

Alguns peritos em finanças também consideram muito preocupante a situação da Espanha, que é uma das principais economias da UE. Desde o estouro da bolha imobiliária, a construção civil, anteriormente em expansão, está estagnada no país.

Segundo dados do governo, o endividamento público espanhol foi de 11,4% do PIB em 2009. Um programa de austeridade implementado por Madri visa a economizar 50 bilhões de eu

*Com informações de  Simone Lopes

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