Nós estamos fazendo, por exemplo, as primeiras estradas ecológicas da Bahia, diz João Leão, secretário Estadual de Infraestrutura

João Leão: Vamos começar com os problemas. Salvador só tem uma saída, que é a BR-324. Se acontece algum problema nesta rodovia a cidade fica fechada.
João Leão: Vamos começar com os problemas. Salvador só tem uma saída, que é a BR-324. Se acontece algum problema nesta rodovia a cidade fica fechada.

João Felipe Leão nasceu em Recife, Pernambuco, no de 1946. Nos 50, mudou-se com a família para Barra, norte da Bahia. Na região do São Francisco, Joquinha (como era conhecido) iniciou os estudos que culminou com sua ida para o Rio de Janeiro. Na cidade fluminense, ele se torna secretário-geral da União dos Estudantes Agrícolas o ano é 1968. Voltando para a Bahia na década seguinte Leão se instalou em Lauro de Freitas, onde foi eleito Prefeito em 1988.

Hoje, está no quarto mandato como deputado federal. Saiu de Brasília aceitando o convite do Governador Jaques Wagner para assumir a Secretaria de Infraestrutura. Desde então, Leão está sempre viajando pelo interior da Bahia, ou em Brasília batendo na porta dos ministérios a procura de recursos para as estradas e pontes do Estado. Quando está na secretaria, seu gabinete sempre está lotado de lideranças interioranas, empresários e jornalistas.

Todos que vão chegando, são de imediato introduzidos no gabinete do secretário como foi o caso da equipe de NB formada por Valter Xéu, Fidélis Tavares e Luiz Fernando.

Avisamos a Leão que a entrevista duraria mais de 60 minutos e, como já passava das 21 horas, o mesmo sugeriu que a entrevista fosse realizada em um restaurante ou outro local, pois estava com fome e queria comer alguma coisa.

De imediato descartamos o barzinho e restaurante, nesses locais sempre aparece um conhecido que interrompe a entrevista. A sugestão final e acatada foi lhe acompanhar até a sua residência em Vilas do Atlântico, lá chegando, a família de João estava dormindo, o que não impediu que a entrevista transcorresse até as 23 horas.

Prático como é, Leão contou para equipe um pouco da sua trajetória política até o momento atual. E descreveu com detalhes os quatro meses a frente da Seinfra. Obras em realizações e projetos polêmicos como a ponte Salvador-/Itaparica, além de pedágio na BR 324 e Ferrovia Oeste/Leste.

Mas Leão é assim, tem sempre várias historias para contar desse mais de um quarto de século atuando na política.

Valter Xéu*

João conta um pouco a sua trajetória política a partir de quando você foi eleito deputado federal?

Na minha primeira eleição para deputado federal eu caminhei por esta Bahia toda, estava saindo da prefeitura de Lauro de Freitas, tive 17.900 votos nesta cidade, tive mais quase 11 mil em outros municípios. Fui o terceiro mais votado da minha coligação. O primeiro foi Roberto Santos e o segundo, Leonelli. Na minha segunda eleição fiz 67.900 votos. Na terceira, 91 mil. Na minha última eleição fiz 103 mil votos.

Você tem uma reeleição garantida?

Não. Isto é a pior coisa que pode acontecer com um candidato. Este clima de já ganhou, só prejudica.

Eu ganhei fama de deputado que arruma dinheiro para os prefeitos. Deputado que faz obra, que executa, por isso que tenho bom acesso entre os prefeitos.

Isto quer dizer que você não faz parte daquele time da Copa do Mundo?

Não. Eu visito município, vou nos distritos, vou mesmo até as bases. Sexta, sábado e domingo quando chego de Brasília, ponho o pé no mundo. Tem município no Oeste do Estado que já vou de Brasília direto, no extremo sul idem.

Você viaja tanto pela Bahia. Então esta indicação para assumir a secretaria foi coerente?

Eu conheço os municípios e os distritos da Bahia, não tem uma cidade neste Estado que eu não tenha ido. Já estive nos 417 municípios, todos. Eu recebi a Secretaria com um volume de obras de 1 mil e poucos Km de rodovia, hoje, eu tenho com máquina na pista 4 mil Km em rodovias. Onde você estiver na Bahia, pode encontrar obra do Derba em execução. Se chegar ali em Vitória da Conquista vem até o São Francisco. Sai de Vitória da Conquista, vai a Brumado e daí segue até Ibotirama. Construimos estradas de boa qualidade, nada de estrada “Sorrisal”. Eu não tenho uma estrada sendo construída que não seja de primeira qualidade de execução.

Temos obra começando, que vão do Extremo Oeste que fazem o seguinte percurso: Casa Nova / Remanso (127 km), de Remanso / Pilão Arcado (86Km), de Pilão Arcado / Barra (245Km), de Barra / BR 242 (146 Km). Da BR 242 / Santa Maria da Vitória (176 Km), de Santa Maria / Bom Jesus da Lapa (94 Km).

E essas estradas já estão em fase final de execução?

Não. Tem algumas que estamos iniciando. Por exemplo, o trecho Casa Nova / Remanso vamos começá-lo até o final deste mês. Nós vamos ligar de Barreiras a Juazeiro.

Atualmente, os motoristas precisam seguir o itinerário: Barreira – Barra –Chique-Chique – Irêce – Morro – Carne Assada – Jacobinas – Senhor do Bonfim – Juazeiro. Um total de 1200 Km aproximados.

Com a estrada que estamos construindo as pessoas poderão sair de Barreiras – Barra – Pilão Arcado – Juazeiro. O total é 740 Km, a economia é de 460 Km.

Quais as principais razões econômicas para a construção destas estradas?

Elas vão servir, principalmente, para o transporte de frutas da região oeste. O comércio de frutas desta região, atualmente, vai para Juazeiro. Toda a produção vai para este município, pois ele é um entreposto. Portanto, o produtor do oeste da Bahia vai economizar 460 Km.

Outra região que atuamos recentemente foi a de Ilhéus. Lá fizemos uma estrada que liga Itacaré / Camamu / Ilhéus pela BA-001 e chega em Salvador a economia em relação à BR-101 é de 200 Km. Com a ponte Salvador – Itaparica.

Vamos falar desta ponte. Quantos quilômetros ela vai ter?

14,7 Km. A Rio / Niterói tem 14,9.

Quais as vantagens que a ponte vai trazer?

Vamos começar com os problemas. Salvador só tem uma saída, que é a BR-324. Se acontece algum problema nesta rodovia a cidade fica fechada. Por exemplo, um acidente que paralise o trânsito por algumas horas ou qualquer outro problema que feche a estrada, ninguém entra ou sai na cidade. Temos também a estrada de acesso norte (BA 099), que liga Lauro de Freitas a Aracaju, só que esta é uma rodovia que não tem suporte para colocar tráfego pesado. Tanto que é proibido o tráfego de caminhões nela. É uma estrada de turismo. É como está a BA-001 também. Excetuando apenas o trecho de Camamu/Itacaré, que nós reformamos. Nós colocamos mais de um metro de pedra no leito desta estrada. Fazendo o aproveitamento das pedras do corte da própria rodovia. Isto é uma coisa que não estava no projeto, mas quando começamos a fazer vimos que era possível.

Voltando à ponte, se a fizermos apenas para o acesso turístico não teria viabilidade econômica. Ela se torna viável quando trazemos o ponto zero da BR-242 para o porto de Salvador. Atualmente, esta rodovia é encerrada no Paraguaçu. Com a continuidade, ela vai cortar a BR-116, boa parte do fluxo desta importante estrada pode ser absorvido pela nova BA – 001. O mesmo acontece com a BR-101, também vai ser cortada pela nova estrada. Ela vai passar em São Felipe, próximo a Santo Antonio de Jesus. Então vamos fazer uma nova ponte. Ali do lado da ponte do funil. A estrada vai passar pelo meio da Ilha de Itaparica. Isto para evitar que o transporte pesado passe na margem do mar, ao lado dos condomínios, dos hotéis e casas. Para não acabar com a ilha. A estrada é praticamente fechada, quando o motoristrar entrar nela já na Ilha ele vai seguir direto para o porto de Salvador. Neste ponto, ele cai na Via Expressa. E a Via Expressa vai ter condições de receber o tráfego pesado de carga.

“Vamos começar com os problemas. Salvador só tem uma saída, que é a BR-324. Se acontece algum problema nesta rodovia a cidade fica fechada.”

Do ponto de vista estrutural, como a estrada vai passar pelo meio da Ilha?

É perfeitamente viável. Inclusive eu pensei que teria que ter uma terraplanagem grande, mas ao contrário. Logo que passa a orla, podemos observar alguns morros, no entanto, logo depois vem um vale, onde dá perfeitamente para construir uma estrada plana.

Já saiu a concorrência? quando está previsto o inicio das obras e quanto vai custar?

A obra está orçada em torno de R$ 2,8 bi a R $3 bi. Esta obra será uma Parceria Público e Privada (PPP). O Governo federal e do Estado entram para diminuir o valor do pedágio e a iniciativa privada viabiliza o projeto. Nós conseguimos que as duas maiores construtoras da Bahia se interessassem pela obra. A Odebrecht e a OAS farão um consórcio para desenvolver o projeto. Mas, a licitação que vamos fazer para execução da obra será aberta para qualquer empresa nacional e do mundo. O objetivo do Governo do Estado nessa fase inicial é pegar as empresas interessadas e deixá-las correrem o risco do projeto. Um projeto deste, custa em torno de R$ 5 ou 6 bilhões, talvez mais. Já a rodovia fica a cargo do Estado e da União.

E quando começa e quando termina?

Acreditamos que a obra deva levar de 4 a 5 anos para terminar. A Rio/Niterói foi construída em 12 anos. Com todo aparato tecnológico e técnicas construtivas não deve demorar muito.

Não vai ser igual ao metrô?

Não pode ser igual ao metrô porque esta obra vai ser bancada pela iniciativa privada. As empresas têm, o interesse de explorar a concessão o quanto antes.

E a Ferrovia Leste/Oeste Secretário, como fica ela nesta história?

Esta ferrovia remonta ao governo de Juscelino, a ideia foi do deputado Vasco Neto. Ele levou para o então presidente que imediatamente construiu o porto de Campinhos. Nesta cidade existe uma estrutura portuária pronta até hoje. Juscelino construiu o porto de Campinhos e fez a terraplanagem de diversos trechos da ferrovia. Em Piaú, por exemplo, tem várias estruturas prontas pontes, trilhos. Depois veio o Golpe ( 1964) e paralisaram as obras. Então fiz um anteprojeto baseado nos estudos de Vasco Neto de três traçados para esta ferrovia.

O engenheiro Dr. Neli Régis fez o traçado da ferrovia todo. Além da rota natural, fizemos outras duas, uma passando por Ibotirama e outra por Bom Jesus da Lapa. Com este anteprojeto em mãos sai mercando. Conversei com ex-governadores do Estado que não mostraram interesse. Então, marquei uma audiência com o Presidente Lula, e levei alguns italianos interessados na exploração da ferrovia, além de levar os produtores do oeste do Estado. Jaques Wagner, na ocasião, era ministro das relações institucionais e participou desta audiência.

O presidente encaminhou o projeto para Dilma. Foi nesta época que Wagner ganhou as eleições para o Governo da Bahia. Ele estava encantado com a ideia o problema é que ficou determinado que a secretaria estadual de infraestrutura iria tocar a obra, no entanto, não concordei com isso, por não ver viabilidade econômica na secretaria para realizar a obra. Acreditava que ela deveria ser feita pela União através da Valeq. Em outra reunião com o Governador batemos martelo para que a empresa tocasse a ferrovia. A Valeq era uma subsidiária da Vale do Rio Doce, quando a Vale era Estatal. A Vale foi vendida e a Valeq continuou estatal. A empresa começou a tocar o projeto. Mas o Ibama embargou, então começamos a colocar recursos. A maioria desses recursos foram capitaneados pelo Deputado Walter Pinheiro e por mim. Agora, o projeto já esta pronto, deram entrada para pedir autorização do Ibama. O Instituto deve liberar a realização no próximo dia 15 de janeiro, e a obra deve ser iniciada 45 dias depois.

“Esta ferrovia remonta ao governo de Juscelino, a ideia foi do deputado Vasco Neto. Ele levou para o então presidente que imediatamente construiu o porto de Campinhos.”

Já teve licitação?

Acredito que no dia primeiro de fevereiro a obra irá para licitação. Vão licitar 14 lotes de uma vez só, que são os lotes que vão desde Luís Eduardo Magalhães até o porto de Ilhéus.

Há uma informação circulando de que o exército vai construir uma parte. Isto é verdade?

Vamos deixar um lote com o exército para que possamos ter um parâmetro de preço desses lotes. Outra coisa é: se ocorrer algum problema com uma empresa, que por acaso entre na justiça ou outra coisa, nós temos uma equipe preparada para assumir e a obra não parar.

E qual a viabilidade econômica da Ferrovia?

O Oeste do Estado produz sete milhões de toneladas de produtos. Sendo mais de cinco milhões de soja, um milhão e pouco de milho, 700 mil de algodão, além de mais de cem mil toneladas de frutas. E chegam para o oeste da Bahia, os produtos para que eles possam produzir. É calcário, óleo diesel, tem que levar uma série de coisas e, atualmente, tudo vai de caminhão. Coma ferrovia os caminhões vão deixar de passar pela BR-242.

Tirando este fluxo da BR-242, o projeto da ponte não corre risco pela concorrência entre estrada e ferrovia?

Não. Porque o tráfego do sul da Bahia é muito grande e ai há o fluxo de outros estados que continuarão passando por ela. São caminhões carregados de eletrodoméstico, automóvel e outros produtos que porventura venham de outros estados. Vai diminuir o tráfego de carretas de sojas que vão para o porto de Dias Branco, em Aratu.

Fale um pouco sobre os portos ?

Uma coisa interessante, exemplo do problema portuário que nós temos aqui. O algodão produzido na Bahia é exportado pelo porto de Paranaguá. Isto por causa da facilidade do transporte no porto. O cara chega lá com o algodão e o produto vai embora. Lá, você tem navios que não vêm para a Bahia, por que não tem produção suficiente que justifique o trajeto. O que vai acontecer agora é que vamos pegar o nosso graneleiro de soja, que vem pegá-la no porto de Ilhéus para levar para a China, Estados Unidos, Japão nós vamos encher ele aqui, e no calado do navio colocaremos a produção de algodão.

Outra coisa importante do porto. Nós vamos ter um porto profundo na Bahia, o de Ilhéus. O calado mais profundo do porto de Salvador tem 12 metros, o menor calado lá no novo porto sul de ilhéus mede 19 metros de profundidade. Então poderemos trazer graneleiros de até 340 mil toneladas.

“Uma coisa interessante, exemplo do problema portuário que nós temos aqui. O algodão produzido na Bahia é exportado pelo porto de Paranaguá. Isto por causa da facilidade do transporte no porto.”

Para o porto de Salvador tem alguma perspectiva de ampliação?

Nós queremos, paulatinamente, transformá-lo num porto tipo o de Buenos Aires. Seria um porto essencialmente turístico, com restaurantes, hotéis. Seria uma revitalização para aquela região. Isto nos primeiros armazéns, esta remodelagem gradativa. Já o porto de Aratú é um porto com calado mais profundo do que o da Capital, chegando a 17 metros. É um porto de excelente qualidade.

Tornar o porto um terminal turístico não provocaria o “ciúmes” de outros setores do Trade. Pois, de acordo como eles, muitos turistas só ficam por ali na região do centro histórico?

A idéia é criar o terminal turístico ali mesmo, para pessoas chegarem e de lá seguir para pelourinho. A maioria dos turistas de fora do País quando chegam aqui, querem ver o pelourinho, o mercado modelo, estes pontos mesmo.

Isto está em que fase?

Está em estudo, estamos plantando as discussões para 2011.

Secretário, desde que o senhor assumiu a pasta o Governo mudou de atitude e, consequentemente, a imagem. Na verdade, um conjunto de fatores influenciou esta mudança de comportamento. Como é o seu dia a dia na Secretaria?

Eu chego todos os dias as 7h na secretaria. Todos os prefeitos e vereadores que chegam lá são atendidos. Porque eles são agentes políticos. O prefeito que vai ao Gabinete de um secretário está representando sua cidade. O prefeito do menor município esta ali representando seu povo, sua população. Eu acho que como Secretário do Estado tenho o dever de atendê-los imediatamente.

A política, de um modo geral é aprendizado. O fato de você ter sido prefeito influencia sua postura hoje?

A escola da minha vida foi ser prefeito. Como prefeito, aprendi sobre orçamento. Que o orçamento de um município é idêntico ao do governo Estadual e o da União. Obviamente que guardando as devidas proporções. Sendo prefeito, você tem dinheiro todo mês. Eu guardava um cartaz no meu escróorio com os dizeres: “O prefeito que gasta mais do que arrecada, não é nem de esquerda nem de direita, é incompetente mesmo!” Isto quem dizia era Caio Julio Cesar, em Roma, há 2000 anos.

“Eu chego todos os dias as 7h na secretaria. Todos os prefeitos e vereadores que chegam lá são atendidos. Porque eles são agentes políticos. O prefeito que vai ao Gabinete de um secretário está representando sua cidade.”

Leão, você é considerado um político que tem entre as qualidades a praticidade. Como é isso?

Um exemplo disso. O trecho da rodovia Itacaré / Taboquinhas. É uma estrada, que estava com um problema gravíssimo no Instituto de Meio Ambiente (IMA), e o IMA não aceitava o projeto que o Derba fez porque esta é uma estrada larga, que tem nove metros de largura, teria que desmatar uma parte da Mata Atlântica para chegar a Taboquinhas. Taboquinhas é um destino turístico. Lá eu presenciei uma das coisas mais bonitas da minha vida política.

Eu fiz uma assembléia, onde compareceram mais de 2.500 pessoas. Isto aconteceu em meados de dezembro do ano passado. Cheguei lá e expliquei, temos duas possibilidades. Fazermos esta estrada que estamos propondo e que apresenta estes problemas com o Ibama e com o IMA, ou então, nós fazemos uma estrada acompanhando o percurso da estrada existente.

Desta maneira, não vamos derrubar uma árvore, não vamos fazer um corte de árvore. Vamos apenas asfaltar uma estradinha já existente, que tem seis metros de largura. A população por unanimidade votou pela segunda opção. Imagine 2.5 mil pessoas levantaram o braço ao mesmo tempo votando.

Como é a relação entre a Seinfra/Derba e o IMA?

A relação é excepcional. Nós estamos fazendo, por exemplo, as primeiras estradas ecológicas do Estado. Fizemos dois pequenos trechos e agora vamos fazer um estirão. A empresa vencedora destas pequenas licitações foi a mesma indicada pela Embrapa. Ela fez um trabalho belíssimo nos trechos. Agora que testamos a qualidade e serviço dela, vamos fazer o estirão de 2 mil Km plantando mudas na beira da estrada. Obviamente, prevendo o futuro, estamos plantando mudas exóticas. Mudas que não são de origem da flora da brasileira. Porque se plantarmos um pé de umbu na beira da estrada daqui a dez anos, se quisermos ampliá-la, não vamos poder, pois as leis ambientais não permitem. Estamos plantando jaqueira, mangueira, árvores de fora da flora brasileira.

Voltando para a BR 324, em que pé está a reformas, a concessão e o pedágio?

A BR 324 é uma concessão. O governo convocou uma licitação, onde quem desse o menor valor de pedágio e tivesse o melhor projeto de conservação e de restauração ganharia a concessão. Obviamente, o tabu era o menor pedágio. Veio uma empresa espanhola, que aqui no Brasil tem o nome de Via Bahia e ganhou. Ela vai fazer de Salvador a Feira de Santana e de Feira até a divisa com Minas Gerais (BR 116), são 700 Km de reforma.

Em Abril, ela vai instalar o primeiro pedágio, porem para instalá-lo ela deve deixar e manter a rodovia até Feira de Santana sem um buraco. Eu acho que os trabalhos estão um pouco atrasado, mas estão trabalhando à noite e devem terminar a tempo. Nós ( Derba) vamos fazer aqui em Lauro de Freitas algo parecido, no trecho que vamos reformar, trabalharemos a noite.

Vamos reformar do Aeroporto até o Rio Joanes. Toda esta obra nós vamos fazer a noite. Não tem sentido paralisarmos uma parte da estrada criando um problema para os que transitam por lá. Vamos começar pela via alternativa, que vem margeando o rio. Fecharemos durante a noite e abriremos para o tráfego durante o dia. Isto é o mesmo método que eles estão adotando na BR-324.

Esta obra na Estrada do Coco vai acabar com estes engarrafamentos?

Tem dois serviços que nós vamos fazer nesta estrada. O primeiro é a restauração dos pavimentos e todos os passeios. O Governo também vai construir três passarelas na Estrada do Coco. Uma em frente a Insinuante, outra na altura da “Terraplaque e a última próximo ao Menando de Farias”.O asfalto e o passeio, é com o Derba, já as passarelas serão construídas pela Conder.

Quero começar outra obra ainda no próximo mês, esta vai ligar a BA-099, na altura de Camaçari passando pelo fundo de Lauro de Freitas à Cia/Aeroporto. Fazer um contorno em Lauro de Freitas, com isto, grande parte deste engarrafamento a gente consegue tirar de Lauro de Freitas. Por incrível que pareça isto vai aumentar o fluxo na BA-099, e este aumento de fluxo provoca uma redução no pedágio. Hoje, ele custa R$ 6 vai cair para R$ 3,90 ou R$ 4 aproximadamente.

A CIA/Aeroporto é uma das estradas com maior risco aqui na Região Metropolitana. Existe algum projeto para ela?

Nós temos um projeto que já lançamos edital e a empresa vencedora dentro de 30 dias deve começar a obra. O projeto é do sistema BA-093, que vai duplicar a CIA/Aeroporto e a Via Parafuso e a população vai ter que pagar um pedágio lá. Um esquema parecido com o da BR-324, onde o pedágio deve custar algo em torno de R$1,90. Nos grandes países do mundo as rodovias são todas pedagiadas e de excelente qualidade.

”O Governo também vai construir três passarelas na Estrada do Coco. Uma em frente a Insinuante, outra na altura da “Terraplaque e a última próximo ao Menando de Farias”.

E esta operação buraco zero, o que é como será realizada?

Estamos trazendo dez máquinas dos Estados Unidos, elas são perfeitas para tapar buracos com eficiência. Primeiro, retira toda a areia de dentro do buraco, depois joga o produto e depois a massa dentro. A velocidade é incrivelmente grande.

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