Não em meu nome! | Por Roque do Carmo Amorim Neto

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Meu professor de Psicologia Social, Dr. James Temple, repetidamente insiste que não há algo mais forte do que uma pessoa que é capaz de erguer a voz e se opor a atos desumanizantes, tais como preconceito e outras formas de violência.

Desde a primeira vez que ouvi esta afirmação, meus olhos brilharam, porque ela está de acordo com algumas das mais sérias convicções que carrego no peito. Entretanto, ao mesmo tempo em que as palavras de meu professor soaram tão familiares, também me pareceram estranhas, como se lá dentro de mim, alguém dissesse: “Eita, moço ingênuo!”.

Esta sensação de estranhamento me fez refletir. Tentei convencer a mim mesmo de que sempre fui aquela pessoa que ergueu a voz e foi capaz de se opor a todo tipo de injustiça. Todavia, quanto mais me esforçava em busca imagens e fatos que comprovassem isto, mais minha mente me traia e fazia emergir em minha memória as diversas situações em que me omiti: o meu silêncio em relação às desastrosas consequências de uma votação proposta por um amigo, a minha indiferença em relação ao sofrimento de um colega da escola que algumas vezes foi vítima de preconceito por parte de outros estudantes… Quanto mais tentava ignorar os fatos, mais a lista se avolumava.

Mais uma vez, após deixar a aula de Psicologia Social, as palavras de meu professor me fizeram pensar sobre todos estes fatos. Uma das poucas conclusões a que cheguei é que cada vez que me omiti, eu o fiz por medo de enfrentar a maioria e não ser mais aceito por algum grupo, ou pelo simples receio de perder a amizade de algumas pessoas.

De fato, percebo que, durante muitos anos de minha vida, esforcei-me para conquistar a simpatia das pessoas, tornar-me uma referência para os mais jovens, um exemplo a ser citado pelos mais velhos e ser um elemento de consenso em minha família. E para chegar a esta confortável situação na qual me imagino estar, muitas vezes optei por silenciar minha consciência, dar as mãos a antigos preconceitos, e apenas esboçar um sorriso quase plástico de complacência.

Assumir esta incômoda verdade não muda em nada as opções feitas até agora. Entretanto, esta nova consciência desperta atenção redobrada para que, ao sinal de qualquer ato injusto e desumanizante, eu possa me erguer e dizer: “Não em meu nome!”. Fazendo assim sei que meu círculo de amigos diminuirá e que perderei o posto de “bom garoto” que suponho ter alcançado… Isto certamente acontecerá, mas estou seguro de que não há nada mais libertador do que agir de acordo com a própria consciência e sem medo de perder.

Erga sua voz! Talvez haja muitos esperando ouvi-la, ou talvez, seja apenas a sua consciência que esteja a espera, mesmo assim, isto já é mais do que suficiente.

Visite meu BLOG: http://sentidoesp.wordpress.com

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