Ipac finaliza 90% de restauração para inaugurar obra do Boqueirão

O Jornal Grande Bahia (JGB) é um site de notícias com publicações que abrangem as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador, dirigido e editado pelo jornalista e cientista social Carlos Augusto.
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A igreja de Nossa Senhora do Boqueirão, cuja construção remonta ao início do século 18, localizada no topo da encosta e falha geológica de 70 metros de altura, que divide as Cidades Alta e Baixa, no Centro Histórico de Salvador (CHS), está com suas obras de restauração quase finalizadas. Tombada como “Patrimônio Nacional” desde 1980, a igreja fica no charmoso bairro de Santo Antônio Além do Carmo, hoje um dos locais mais badalados e com metro quadrado mais valorizado da capital baiana.

De acordo com o diretor geral do Ipac, Frederico Mendonça, cerca de 90% dos serviços de restauração do Boqueirão foram concluídos. “Preparamo-nos agora para a inauguração com o governador Jacques Wagner e o Cardeal Dom Geraldo Majella, ainda neste mês de janeiro (2010)”, informa Mendonça.

O Ipac finalizou a reforma estrutural da edificação e cobertura, instalou equipamentos para portadores de necessidades especiais – como elevador e rampa de acesso – restaurou imagens, altares, teto da capela e bens integrados, recuperou detalhes artísticos internos e externos, realizou pintura geral do prédio e propôs nova adaptação funcional para a igreja. Antes, a edificação estava ameaçada, com estrutura deteriorada, forros e barrote dos pisos e assoalhos em madeira comprometidos, assim como seus bens móveis.

Orçada em R$ 3 milhões, sendo que, R$ 506 mil do Banco do Nordeste (BNB), a obra integra a restauração de seis monumentos tombados pelo Iphan que o Governo da Bahia restaura através do Ipac/Secult no CHS, com recursos do Programa de Desenvolvimento Turístico do Nordeste (Prodetur 2), via secretaria estadual do Turismo. “Essas restaurações estavam previstas há oito anos, mas, graças ao empenho do governador Wagner, que conseguiu a liberação dos recursos em 2007, estão sendo finalizadas”, diz Mendonça.

Em setembro do ano passado (2009) o governador vistoriou obras nas igrejas do Boqueirão e do Pilar, Casa das Sete Mortes e Palácio Rio Branco. “A restauração da Igreja do Rosário dos Pretos, na Ladeira do Pelourinho também já começou e termina neste segundo semestre (2010)”, comenta o diretor do Ipac. Já a obra do Oratório da Cruz do Pascoal, no bairro do Santo Antônio, começa ainda neste primeiro semestre (2010). Os investimentos dessas obras chegam a R$ 19,8 milhões sob coordenação do Instituto.

Mendonça explica que são obras complexas por envolver construções de 300 a 400 anos. “Essas intervenções demandam tempo, liberação do Iphan e são obrigadas a ter equipes multidisciplinares de profissionais especializados”, diz. Antes mesmo das obras começarem são realizadas prospecções, limpezas, descupinização e dezenas de outros serviços. “Para se ter idéia, antes de começarmos as obras no cemitério e igreja do Pilar (século 18), na Cidade Baixa, retiramos cerca de 2,5 mil toneladas – aproximadamente 300 caçambas – só de lixo e entulho que moradores da região jogaram no monumento”, relata Mendonça.

Histórico (box opcional) – Em 1726, a Irmandade de N.S. da Conceição dos Homens Pardos, então instalada na Matriz de Santo Antônio, solicita licença ao Vice-Rei para construir capela no local conde hoje está o número 60 da Rua Direita de Santo Antônio. As obras têm início no ano seguinte, implantando-se a igreja a meia encosta, em dois subsolos, térreo e primeiro pavimento. A edificação possui nave, corredores laterais e sacristia transversal ao fundo, comum as suas contemporâneas e na parte superior, galerias coro e sala do consistório. O último subsolo é transformado em catacumba no século 19, período também em que se concluem obras no seu interior.

A Igreja do Boqueirão foi construída pouco depois da Igreja dos Rosário dos Pretos, à qual se assemelha na modenatura do frontispício, nas torres em bulbo e no frontão rococó revestido de azulejos brancos. Trata-se de igreja típica de Irmandade de Ordem Terceira, que se disseminou largamente na Bahia do século 18, com rica e bem ornamentada nave com forro pintado, sacristia bem implantada e artisticamente bem decorada. A concepção da decoração interna do Boqueirão é neoclássica, em talha dourada de fatura entre 1836 e 1837, executadas por Joaquim F. de Matos e Antônio de S. Santa Rosa. O forro da nave em perspectiva ilusionista barroca, de inspiração italiana, é atribuído a discípulo do artista José Joaquim da Rocha que tanto pintou na Bahia.

· Dom Geraldo Majella elogia qualidade da obra orçada em R$ 3 milhões, durante visita realizada na última semana de dezembro/2009

· Iniciativa integra Programa que restaura, via Governo do Estado da Bahia, mais cinco monumentos do Centro Histórico de Salvador, tombados como Patrimônios Culturais do Brasil, totalizando R$ 19,8 milhões de investimentos

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