Firma da Saxônia apresenta leitor eletrônico revolucionário

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A firma Plastic Logic, sediada em Dresden, apresenta um novo “e-reader” denominado QUE. Alta legibilidade, versatilidade e baixo consumo energético são suas principais características. Porém preço ainda é incógnita.

Estou em mais uma viagem de serviço. O laptop me pesa no ombro, os papéis ameaçam fazer a bolsa estourar. E a batalha contra o jornal, no ônibus e no avião, já perdi, por falta de espaço. Se uma fada aparecesse agora, eu só teria dois desejos: um café e um pequeno aparelho que tornasse supérflua toda essa tralha que tenho que arrastar comigo!

Ele deveria ser mais ou menos do tamanho de uma folha A4, além de bem delgado e leve. Melhor ainda, seria eu poder baixar todo o jornal pelo telefone celular e segurar o leitor eletrônico com uma mão no ônibus sacolejante, sem nenhum esforço: ler notícias sem molestar o vizinho de assento.

Aí, eu deixaria em casa minha papelada e o laptop, já que todos os documentos necessários seriam legíveis no dispositivo – e editáveis também, claro. Um novo fax, um e-mail importante, sem problemas, bastaria baixar do celular. E o cabo para recarregar, eu também preferiria deixar em casa.

Papel mágico

Na Plastic Logic, encontro a fada que tanto procuro. O café chega imediatamente, pelas mãos de Rachel Lichten, encarregada de imprensa da firma de Dresden. E o aparelho dos meus sonhos?

“Logo estaremos lançando um leitor eletrônico no mercado. Seu coração é o e-paper, um monitor eletrônico com características de papel, que fabricamos aqui em Dresden”, explica. De resto, o dispositivo corresponde bastante a meus desejos.

Até agora, eu nunca pensei que um dia fosse voluntariamente querer ler textos a partir de um mostrador eletrônico. Até hoje, sempre preferi imprimir os documentos mais longos, para não cansar tanto os olhos.

Mas depois de Lichten me mostrar um protótipo do leitor QUE, fiquei convencida: com esse papel eletrônico dá realmente para ler super bem. Mas isso não é tudo: futuras gerações do aparelho deverão consumir menos energia, além de ser independentes de fontes de energia externas.

Top cluster Dresden

Cabe mencionar: Dresden acaba de vencer uma concorrência de top clusters, ou seja, regiões que concentram grande número de firmas e pesquisas inovadoras. Assim, a cidade no leste alemão receberá nos próximos cinco anos incentivos milionários para a pesquisa de uma maior eficiência energética no processamento de dados.

Uma das participantes do top cluster é a Universidade de Dresden, para onde me dirijo, a fim de encontrar o professor Frank Ellinger. Ele me explica que atualmente a difusão de notícias na Alemanha consome uma quantidade enorme de energia, mais ou menos a produzida por toda uma usina nuclear.

“Caso fosse encontrada uma maneira de divulgar tais notícias eletronicamente, com grande eficiência energética, seria possível reduzir drasticamente esse consumo. E é aqui que entra em cena o papel eletrônico”, diz Ellinger.

No lugar de empregar energia nuclear, está-se desenvolvendo, por exemplo, juntamente com a firma Roth und Rau, uma célula fotovoltaica especial para alimentação do e-paper. Ela seria instalada na superfície do aparelho leitor, de forma que eu leria meu jornal através dela, enquanto o sol forneceria a eletricidade necessária.

Admirável futuro novo

E para que eu não necessite de tanta energia, outros se encarregam de reduzir o consumo energético do leitor eletrônico. Por exemplo, a Infineon. “Somos parceiros para o abastecimento energético inteligente, que prevê o consumo de eletricidade somente ao se virar a página”, explica o diretor-gerente da firma, Helmut Warnecke.

Além disso, os dados seriam transmitidos sem fio do telefone celular para o leitor eletrônico. O que exige, é claro, um dispositivo de segurança. “Também neste ponto dispomos da competência necessária e vamos oferecer o chip de segurança junto”, promete Warnecke.

Também na Infineon ganhei um café. Eu o bebo até o fim e já começo a me alegrar pelo admirável futuro novo, sem bolsas pesadas. Isto é, se eu puder pagar por ele, pois ainda não se sabe quanto o leitor eletrônico irá me custar. Em caso de dúvida, vou ter que apelar de novo para a boa fada.

Fonte: Deutsche Welle

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