Enfrentando o que vier… | Por Roque do Carmo Amorim Neto

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Era segunda-feira, dia 4 de janeiro. O dia, a semana, o mês, o ano e uma nova década apenas começavam. Como minha mente e também meu corpo ainda estavam habituados ao horário do Brasil, acordei mais cedo do que o habitual. Na California, eram apenas 5 horas da manhã, tudo ainda estava escuro. Escuro e frio. Repassei todas as coisas que deveria fazer naquele dia, na verdade não seriam muitas…

Os minutos passaram e lembrei de algumas tarefas chatas que estavam pendentes há semanas… Visita à secretaria da universidade para verificar minha documentação, e ter que perder tempo na fila! Ligação para um primo para pedir desculpas por um mal entendido durante a minha passagem pelo Brasil, e correr o risco de ouvir o que não desejava e tampouco merecia. Decidi que resolveria estas pedências naquele dia mesmo, e mais, elas seriam as primeiras coisas do meu dia…
Ainda na cama, liguei para meu primo no Brasil. O telefone chamou apenas uma vez e ele atendeu. Fiquei desconcertado no primeiro instante porque não tinha ensaiado o que dizer, mas fui direto:

– Olá primo, tudo bem?
– Tudo certinho.
– Meu, tô ligando, para te pedir desculpas. Imagino que você deva estar chateado comigo…

A conversa foi longa, mas a surpresa imediata, descobri que na verdade, meu primo Gustavo não estava chateado comigo, e que pelo contrário, ele imaginava que eu estava chateado com ele. Tão simples! Tão fácil! Colocamos o papo em dia, e nossa amizade se fortaleceu.

Às 8 horas, quando a secretaria abriu, eu já estava lá. Tentei um sorriso para a senhora que me atendeu, e expliquei que há semanas tinha recebido um email sobre uma documentação que estava pendente. A primeira coisa que ouvi foi “Por que você veio apenas agora?”. Depois de explicar que estava muito ocupado com provas e também com minha viagem ao Brasil, ouvi: “Bom vai demorar um pouco.” Olhei ao meu redor e não vi nenhuma cadeira, o jeito foi ficar em pé junto ao balcão… Depois de pagar uma inacreditável multa de 250 dólares, às 9h15 deixei a secretaria irritado. Longo tempo e muito dinheiro gastos. Já me sentia estressado, entretanto o dia estava apenas começando.
Não sei quanto a você, que está me acompanhando neste texto, mas de tempos em tempos acumulo algumas tarefas e mesmo problemas… Às vezes tento escondê-los debaixo do tapete, outras vezes nem me dou a este trabalho, deixo sobre a mesa mesmo, e a pilha começa a crescer.

Todavia, o que cresce não é apenas a pilha de tarefas não-resolvidas, o preço também aumenta gradativamente. Assim como no caso da multa (exploratória) que tive pagar na secretaria, porque simplesmente decidi não levar meus documentos em tempo hábil, a vida também vai nos cobrar… E às vezes o preço não dói apenas no bolso, mas no coração.

Devido à falta de diálogo com meu primo, por exemplo, paguei a multa emocional de vê-lo distante de mim durante todas as minhas férias. Inclusive na ceia de Natal! Eu queria me aproximar, ele também, contudo ambos tivemos medo e não o enfrentamos. Ele lá imaginando que eu estava chateado e eu cá pensando que ele não queria falar comigo. Felizmente em um rompante de coragem, coloquei fim a este ciclo.
O pior da multa emocional é o fato de a gente tentar se consolar e para isto acabar gerando conclusões irreais… Já pensou se a conclusão a que eu tivesse chegado fosse: “Dane-se o Gustavo, se ele quiser, ele que venha falar comigo”? Uma amizade teria se acabado por pura imaturidade de ambos os lados.

Na noite do dia 4 de janeiro enquanto pensava sobre o que tinha acontecido aquele dia, tomei a decisão de que em 2010, farei todo o esforço possível para assumir meus medos, e enfrentar os problemas de cara, logo que eles surgem para que não tenha que pagar uma multa que de repente pode tornar-se maior do que posso oferecer.
Poderia escrever este último parágrafo citando algum filósofo ou psicólogo, mas prefiro citar a minha vó: “Problema e doença, a gente não guarda… Resolve!” É assim que começo o ano… Chega de multas emocionais!

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