Brasil pede conclusão da rodada de Doha porque seria benéfico diante da crise

Celso Amorim, ministro das Relações Exteriores do Governo Lula.
Celso Amorim, ministro das Relações Exteriores do Governo Lula.

O ministro Relações Exteriores, Celso Amorim, fez hoje um chamado para conquistar um acordo que permita fechar a rodada de Doha para a liberalização do comércio mundial, porque isso contribuiria para combater a crise.

“É preciso concluir a rodada de Doha”, assinalou Amorim, após lembrar que as negociações na Organização Mundial do Comércio (OMC) estiveram próximas do acordo, e que este é um dos pontos que não se resolveram com sucesso na mobilização internacional frente à crise econômica.

O ministro brasileiro, que participou em Paris de uma reunião intitulada “Novo mundo, novo capitalismo”, assinalou.

Amorim concordou com a afirmação do presidente francês, Nicolas Sarkozy, que também discursou na conferência, em que a reunião de Copenhague “não foi um fracasso total”, na medida em que “há uma orientação em que todos os envolvidos devem seguir”.

No discurso, Sarkozy também pediu uma decisão sobre a reforma do Conselho de Segurança da ONU, e insistiu que não é possível continuar com a situação atual em que a América Latina e a África não têm representação nessa instância de forma permanente.

Amorim destacou que o Grupo dos Vinte (G20, que reúne os países ricos e os principais emergentes) foi o instrumento de ação internacional diante da crise, e por enquanto “é uma instância necessária de mediação”.

Mas especificou que não pode ser a nova estrutura de gestão na escala mundial porque não é representativa, como não o era no passado o Grupo dos Oito (G8, os sete países mais industrializados do mundo e a Rússia).

Com relação a isso, reivindicou uma reforma “das instituições formais”, e se mostrou satisfeito com o início do trabalho para mudar a organização do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional.
O chefe da diplomacia brasileira disse que “a crise mostrou a emergência dos países em desenvolvimento” e pôs em evidência que o Brasil deve estar presente na gestão dos assuntos mundiais.

Explicou que seu país resistiu melhor que as grandes potências ocidentais, e atribuiu isso, entre outras coisas, às políticas sociais, que contribuíram para alimentar a demanda interna, e ao feito que o comércio exterior brasileiro é “bastante equilibrado”.

Amorim considerou, por último, que a crise fez emergir “o ceticismo frente à capacidade do mercado para oferecer soluções a tudo”.

Celso Amorim, ministro das Relações Exteriores do Governo Lula.
Celso Amorim, ministro das Relações Exteriores do Governo Lula.
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