As eleições de 2010 e o futuro do Lulismo | Por Geraldo Tadeu Monteiro

O Jornal Grande Bahia (JGB) é um site de notícias com publicações que abrangem as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador, dirigido e editado pelo jornalista e cientista social Carlos Augusto.
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Nunca na História deste país, uma eleição foi tão pouco decisiva. Trata-se fundamentalmente de uma escolha sobre o estilo de governo que queremos para o país. De um lado, o lulismo, como movimento de massa, assentado na liderança carismática do presidente, e, do outro, uma social-democracia, herdeira das reformas que globalizaram o país, mas órfã de um discurso capaz de mostrar suas diferenças em relação à prática do governo atual. Daí eleições necessariamente plebiscitárias, não sobre projetos políticos distintos, mas sobre estilos e pessoas.

As eleições 2010 tratam do futuro imediato do lulismo; não do seu fim, pois este é um movimento político que veio para ficar. O lulismo é hoje um movimento nacional de dimensões comparáveis ao que representou o getulismo nos anos 1930-1964.

Como outros movimentos personalistas, o lulismo é um agrupamento político que segue, de maneira sistemática, a orientação de um líder, transcendendo as tradicionais linhas divisórias de partidos e ideologias.

Do alto de sua legitimidade, Lula se permite por exemplo arbitrar, de maneira absolutamente autônoma, a disputa sobre sua sucessão, tirando da cartola uma candidata sem nenhuma experiência eleitoral. A candidatura Dilma Rousseff é a mais alta expressão do domínio que o Presidente exerce sobre a coalizão oficial.

Politicamente, o lulismo pratica, nas palavras do presidente, “o pragmatismo da governança”. A base aliada reúne 14 dos 19 partidos que têm representação no Congresso, o que lhe confere folgada (embora instável) maioria. Isso sem falar na atração exercida sobre os movimentos sociais, as centrais sindicais, as organizações estudantis e até sobre as associações empresariais mediante farta distribuição de recursos públicos.

Ideologicamente, o lulismo caracterizase por uma “opção preferencial pelos pobres” com uma ampla, variada e penetrante política social; por um desenvolvimentismo estatal que se vale do Estado e das empresas estatais para alavancar o crescimento econômico; e, na seara externa, por um discurso do “Brasil potência”, líder dos países em desenvolvimento, que acalenta os nacionalismos, quer de esquerda, quer de direita. É esse movimento, mais amplo que o PT, Dilma e que o próprio Lula, que será julgado em 2010.

Em face de um bem articulado movimento de massas, uma Oposição, refém da sua própria história, patina na falta de um discurso que a contraponha à retórica governista.

Como não houve um “cardosismo” nos oito anos de poder do PSDB, ainda que FHC tenha vencido largamente seus dois embates contra Lula e que tenha capitaneado uma sólida maioria parlamentar, a oposição precisa convocar todas as suas estrelas (os dois Coutinhos mais FHC e outros) para combater a popularidade de Lula.

Duelo de titãs.

O debate, no entanto, travar-seaacute; não propriamente sobre os fundamentos das políticas (macroeconômica, social, etc.), mas em torno de saber quem teve a ideia ou de quem fez mais nessas áreas. Afinal, sobre seus fundamentos, há consenso entre governo e oposição.

Assim, o caráter plebiscitário das eleições incidirá não sobre projetos políticos, mas apenas sobre estilos de governo e, num segundo nível, sobre pessoas e grupos. Nesse contexto, até mesmo as “terceiras vias” disponíveis (Ciro Gomes e Marina Silva) são também saídas do campo lulista. As eleições, assim como o próximo mandato (qualquer que seja o vencedor), dar-seatilde;o contra o pano de fundo do maior movimento de massas surgido no Brasil democrático, o lulismo.

*Geraldo Tadeu Monteiro é mestre em sociologia pela Sorbonne e doutor em direito pela UERJ. É presidente do IBPS Instituto Brasileiro de Pesquisa Social.

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