Presidente Lula comenta sobre horário de verão, esportes nas escolas e monopólio da mídia

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Na última coluna do ano, publicada em jornais do País nesta terça-feira (29/12/2009), o presidente Lula respondeu questões de leitores do Paraná e São Paulo a respeito do horário de verão e suas consequências, a implantação de atividade esportiva nas escolas públicas como acontece em Cuba e o monopólio da mídia.

A pergunta sobre o horário de verão foi feita pelo leitor Paulo César Otero Marcelino, médico de Maringá (PR). Ele afirma que o horário gera consequências como insônia e deficiência no aprendizado e questiona porque Recife não tem o horário.

O presidente Lula lembrou ao leitor a importância do horário de verão para reduzir a demanda por energia nos horários de pico – entre seis e nove da noite.

Com a adoção do horário no período de maior luminosidade, entre outubro e fevereiro, o Brasil dispensa a construção de várias usinas térmicas, com potência instalada total de 2 mil MW e ao custo de R$ 1 bilhão, suficientes para abastecer uma cidade com 6 milhões de habitantes. Assim, esse recurso é aplicado em outras áreas, como saúde, educação e infraestrutura.

Lula afirmou que o horário de verão não é adotado no Norte e Nordeste do País porque nesse período do ano a luminosidade natural é bem menor do que nos estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Assim, os ganhos com a medida seria poucos e os transtornos, muitos.

José Zilmar Miranda, zelador em São Paulo (SP), quis saber sobre a implantação de esportes nas escolas públicas, como é feito em Cuba, lembrando que o Brasil será a sede de uma Olimpíada e de uma Copa do Mundo.

O presidente Lula informou que as federações esportivas brasileiras serão convocadas a apresentarem um plano de metas justamente por conta dos eventos esportivos que o País receberá. Disse que o exemplo de diversos países não pode ser ignorado, mas afirmou que o Brasil não está parado:

Com o programa Mais Educação, os alunos da rede pública participam de atividades, inclusive esportivas – tais como natação, basquetebol, volei, futebol, handebol e judô -, nos turnos em que não há aulas regulares. O programa atende 1,1 milhão de alunos de 5.126 escolas dos ensinos fundamental e médio, com repasse de R$ 166 milhões. Com o programa Segundo Tempo, já investimos R$ 260 milhões para envolver em atividades esportivas 975 mil crianças e adolescentes em situação de risco social. Em 2004, lançamos o Bolsa Atleta, que já contemplou 10.252 atletas de alto rendimento. Na Olimpíada de Pequim, nada menos do que 65% dos atletas eram de confederações que tinham patrocínio das empresas estatais ou de economia mista.

Murilo Oliveira, publicitário de Amparo (SP), lembrou que o então candidato Lula afirmava, na década de 1990, que se eleito acabaria com o monopólio da mídia, e cobrou o cumprimento da promessa. O presidente Lula concorda que o monopólio da mídia “não é bom para a democracia”, citando a Constituição: “Os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio ou oligopólio.” No entanto, afirmou, cabe ao Congresso regulamentar os mandamentos constitucionais.

Lula citou alguns números dos últimos anos para mostrar que as mudanças econômicas e sociais estão provocando transformações na comunicação social no Brasil:

Há cinco anos, os jornais tradicionais do eixo Rio-São Paulo estão estacionados em 900 mil exemplares, enquanto os jornais das demais capitais cresceram 41%, chegando a 1.630.883, os jornais do interior subiram 61,7% (552.380) e os populares cresceram nada menos que 121,4% (1.189.090). O panorama se repete com as emissoras de rádio e de TV.

O presidente Lula lembrou que há um projeto de lei tramitando no Congresso que normatiza e amplia a oferta de TVs por assinatura, o que vai aumentar a concorrência e favorecer os assinantes.

Paulo César Otero Marcelino, 56 anos, médico de Maringá (PR) – Por que temos que sofrer as consequências do horário de verão, como insônias e deficiência no aprendizado no último mês do ano letivo? Por que em Recife não existe esse tipo de horário?

Presidente Lula – O horário de verão é importante porque reduz a demanda de energia no horário de pico, entre seis e nove da noite. Com a adoção do horário no período de maior luminosidade, entre outubro e fevereiro, o Brasil dispensa a construção de várias usinas térmicas, com potência instalada total de 2 mil MW e ao custo de R$ 1 bilhão, suficientes para abastecer uma cidade com 6 milhões de habitantes. Assim, esse recurso é aplicado em outras áreas, como saúde, educação e infraestrutura. Por que não adotamos a medida nas regiões Norte e Nordeste? Simplesmente porque, neste período do ano, a luminosidade natural nestas regiões é bem menor do que nos estados do Sul, Sudeste e Centro-oeste. Se adotássemos o horário de verão nos estados das regiões Norte e Nordeste, os ganhos seriam insignificantes e os transtornos, maiores. Decreto presidencial define que o Horário de Verão começa no terceiro domingo de outubro e termina no terceiro domingo de fevereiro.

José Zilmar Miranda, 42 anos, zelador de condomínio de São Paulo (SP) – Quando é que o governo vai implantar esportes nas escolas públicas, seguindo o exemplo de Cuba, já que teremos uma Olimpíada aqui no nosso Brasil e uma Copa do Mundo?

Presidente Lula – Já acertei com o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Nuzman, de reunir as federações esportivas para que cada uma apresente um plano de metas. O exemplo de diversos países não pode ser ignorado. Mas nós não estamos parados. Com o programa Mais Educação, os alunos da rede pública participam de atividades, inclusive esportivas – tais como natação, basquetebol, volei, futebol, handebol e judô -, nos turnos em que não há aulas regulares. O programa atende 1,1 milhão de alunos de 5.126 escolas dos ensinos fundamental e médio, com repasse de R$ 166 milhões. Com o programa Segundo Tempo, já investimos R$ 260 milhões para envolver em atividades esportivas 975 mil crianças e adolescentes em situação de risco social. Em 2004, lançamos o Bolsa Atleta, que já contemplou 10.252 atletas de alto rendimento. Na Olimpíada de Pequim, nada menos do que 65% dos atletas eram de confederações que tinham patrocínio das empresas estatais ou de economia mista.

Murilo Oliveira, 26 anos, publicitário de Amparo (SP) – Nos anos 90, o sr. dizia que se eleito acabaria com o monopólio da mídia. Por que o sr. ainda não cumpriu o prometido?

Presidente Lula – Não há dúvida de que o monopólio da mídia não é bom para a democracia. Aliás, a Constituição é clara: “Os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio ou oligopólio.” Mas cabe ao Congresso regulamentar os mandamentos constitucionais. As próprias mudanças econômicas e sociais, no entanto, vêm provocando transformações na comunicação social no Brasil. Há cinco anos, os jornais tradicionais do eixo Rio-São Paulo estão estacionados em 900 mil exemplares, enquanto os jornais das demais capitais cresceram 41%, chegando a 1.630.883, os jornais do interior subiram 61,7% (552.380) e os populares cresceram nada menos que 121,4% (1.189.090). O panorama se repete com as emissoras de rádio e de TV. No Congresso, está tramitando o Projeto de Lei 29/2007, que normatiza e amplia a oferta de TV’s por assinatura, o que vai aumentar a concorrência e favorecer os assinantes. Esse fenômeno se deve às  mudanças da sociedade, mas também às ações do governo, que vêm reduzindo as desigualdades regionais. O governo federal também tem promovido uma desconcentração das suas campanhas publicitárias. Até 2003, elas eram centradas em apenas 499 veículos e hoje alcançam 5.297 órgãos, um aumento de 961%.

Policiais militares colocam chapéu na cabeça do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que mostra placa comemorativa dos cinco anos da Rotam, em 6 de novembro de 2009.
Policiais militares colocam chapéu na cabeça do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que mostra placa comemorativa dos cinco anos da Rotam, em 6 de novembro de 2009.
Sobre Redação do Jornal Grande Bahia 110037 Artigos
O Jornal Grande Bahia (JGB) é um portal de notícias com sede em Feira de Santana e abrange as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador. Para enviar informações, fazer denúncias ou comunicar erros do jornal mantenha contato através do e-mail: [email protected]