Pelo segundo ano consecutivo, Salvador está entre as capitais que lideram as estatísticas de homicídios dolosos

O Jornal Grande Bahia (JGB) é um site de notícias com publicações que abrangem as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador, dirigido e editado pelo jornalista e cientista social Carlos Augusto.
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Coordenador da ONG Observatório de Segurança Pública aponta aumento da segurança pública.

Apresentado em meio a um cenário de marketing promocional em favor do governo, o relatório das ações desenvolvidas pela Secretaria de Segurança Pública (SSP), de janeiro à última quinta-feira (10/12/2009), acabou confirmando o aumento indiscriminado da violência na Bahia, na gestão Wagner. A análise do coordenador da ONG Observatório de Segurança Pública da Bahia, Carlos Alberto da Costa Gomes, feita para o jornal A Tarde, demonstra, entre outros dados que, pelo segundo ano consecutivo, Salvador está entre as capitais que lideram as estatísticas de homicídios dolosos, os que são praticados com intenção de matar.

“Os números impressionam. Foram 1.577 homicídios dolosos em 2008 e 1.556 até hoje, em 2009. Este resultado nos coloca entre as cidades com maior número absoluto de homicídios no Brasil por dois anos consecutivos. E é mais terrível ainda se considerarmos que este número está centrado em jovens”, avalia Costa Gomes.

Ele considerou a redução de 1,3% do número de homicídios, comemorado pelo secretário de Segurança Pública, César Nunes, na apresentação do relatório, como sendo “bastante pífio” e lembrou que é preciso ainda aguardar até os últimos dias do ano para se verificar, com certeza, se houve ou não redução do número de casos em relação a 2008.

De acordo com os números divulgados pelo próprio secretário de Segurança Pública, na Região Metropolitana de Salvador (RMS), o número de roubos a residências aumentou em 37,4%, saltando de 486 em 2008 para 668 este ano. Só que na análise isolada, retirando Salvador, onde o crescimento desse delito foi de 15%, a população dos municípios da RMS teve um aumento de mais de 62,7% de residências roubadas.

Em Salvador, a região da Pituba está entre as que registraram o maior número de roubos a residências, com um aumento de 300% dos casos. Fontes da própria SSP ressaltam que o índice apresentado pelo secretário não reflete de forma exata a realidade, principalmente nos bairros mais carentes, onde a população, temendo represálias, não costuma registrar nas delegacias essas ocorrências. Outro dado alarmante é o crescimento do número de estupros, que passou de 372 para 414, aumento de 24%.

Costa Gomes criticou também a tentativa do secretário em tentar fazer a sociedade acreditar que houve um aumento do efetivo policial. “Outro fato aterrador é a insistência em demonstrar um aumento de efetivo que não existe. Os 3.200 policiais incorporados não são suficientes para cobrir a evasão”, explica o coordenador do Observatório de Segurança Pública, acrescentando que hoje a estimativa é a de que o efetivo policial some 27 mil homens, “muito menos que os 32 mil que deveriam existir e que já eram insuficientes”, disse.

O mais grave é que nesta sexta-feira (11), um dia após o secretário César Nunes ter anunciado o aumento do efetivo de tropa como uma das grandes “realizações” da sua gestão, centenas de candidatos aprovados em concurso público para preenchimento de vagas na Polícia Civil, acamparam na Assembléia Legislativa, exigindo as suas nomeações.

No artigo escrito para o Jornal A Tarde, Costa Gomes ironizou outra ação destaca pelo secretário César Nunes como uma das grandes realizações do Governo Wagner, na área de segurança pública: a transferência de chefes do tráfico de drogas, que estavam em presídios da Capital, para presídios federais de segurança máxima, em outros estados. “ Foi colocada como destaque a transferência de presos perigosos que comandavam o crime de dentro dos nossos presídios. Não vejo isso como destaque, mas como o reconhecimento da incapacidade de se cumprir a lei de execuções penais, com o agravante de que aqueles que facilitavam o crime (os agentes públicos que sabiam e viam) não foram presos”.

Pressionado por jornalistas na entrevista coletiva em que anunciou o relatório das ações da sua pasta, que contestavam os números apresentados como sendo favoráveis à política de segurança pública do Estado, o secretário César Nunes tentou transferir a responsabilidade para o Poder Judiciário.

“No último mutirão da Comissão Nacional de Justiça 1,1 mil presos retornaram para as ruas e 80% deles, certamente, já reincidiram ou reincidirão”, afirmou Nunes.

A resposta dura à afirmação do secretário foi dada pela juíza da Vara de Execuções Penais, Andremara dos Santos. Ela disse que o Judiciário não pode manter presos ilegalmente. “É mais fácil atribuir a culpa aos outros do que assumir as suas responsabilidades. O Poder Judiciário não pode rasgar as leis. Creditar a responsabilidade do problema da criminalidade ao Judiciário cheira a discurso barato e a incompetência”, respondeu a juíza.

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