Pais que não têm decisão sobre as atitudes dos filhos estão cometendo um erro, disse Marialvo

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O Jornal Grande Bahia (JGB) é um site de notícias com publicações que abrangem as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador, dirigido e editado pelo jornalista e cientista social Carlos Augusto.
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Pais que não têm decisão sobre as atitudes dos filhos estão cometendo um erro, disse Marialvo.
Pais que não têm decisão sobre as atitudes dos filhos estão cometendo um erro, disse Marialvo.

Tentativa de suicídio de garoto em Feira gera discussão na Câmara Municipal sobre o papel da família e da escola. Na matéria do JGB intitulada “Tentativa de suicídio de garoto em Feira, gera discussão na Câmara Municipal sobre o papel da família e da escola” há um foco sobre as escolas e a autoridade dos pais no âmbito familiar, como se o suicídio mencionado tivesse como causa única o mau desempenho na disciplina de Matemática ou a falta de autoridade dos pais.

Segundo o JGB, o vereador Marialvo declarou que no âmbito familiar “Os pais têm que ter autoridades sobre os filhos. Pais que não têm decisão sobre as atitudes dos filhos estão cometendo um erro. Na família tem que ter diálogo, porém, a decisão final cabe aos pais”.

Autoridade sobre os filhos impediria de tal jovem tirar a sua própria vida? Será que o ser humano é tão simples assim? Onde fica a subjetividade, a singularidade e a complexidade humana? Não somos 100% padrões e há casos especiais. Não existem fórmulas prontas para tudo.

Será que não foi essa tal autoridade, de forma errônea e direta ou indireta, dos pais em cobrar notas boas na escola, de exigir que seja um garoto competente na vida, que fez com que o filho, pressionado e reprimido, realizasse o suicídio? Pois, aparentemente, ele se sentiu tão incompetente pelo mau desempenho na disciplina de Matemática, que tentou tirar a sua própria vida.

Não estou culpando os pais e como eles formaram psicologicamente o seu filho até ele chegar a esse ponto trágico. Eu digo que não é simples assim: Os pais têm que ter autoridades sobre os filhos, segundo Marialvo.

Outro questionamento feito por Marialvo é o fato de existir uma relação muito fraca hoje entre a escola e a família. “A família pouco participa da vida da escola e vice-versa, atitude também muitas vezes justificada pelo modelo de escola gigante que não consegue atender a demanda de maneira eficaz” Até certo ponto concordo com ele, esta iniciativa ajuda muito, mas, neste caso, não foi a vida escolar em si o causador desse fato trágico. Se precisamos realmente melhorar algo, devemos ir mais fundo.

Muitos se dão mau em matemática, por que então estes jovens também não resolveram tomar essa ação, tirando a sua própria vida? O problema não é a escola em si, mas como o jovem ver a escola, ou melhor: como o jovem ver a sua vida, o valor que é dado para esse indivíduo.

Sempre estamos dando sentidos as coisas e ele, o garoto que tentou o suicídio, deu um valor, um sentido para a sua educação escolar que é influenciada pelos pais. O jovem se sentindo impotente e incapaz de realizar o desejo dos seus pais pode sim cometer o suicídio. A forma como ele, o garoto, aprendeu a se cobrar pode levá-lo a tortura.

Para toda pessoa de responsabilidade moral, que ao mesmo tempo é pai ou mãe, esse fato representa um problema de certo modo amedrontador. Cada um logo compreende: aquilo que conseguimos controlar mais ou menos, isto é, a consciência e seu conteúdo, é, no entanto, apesar de todo nosso esforço, ineficiente quando comparado com os efeitos incontroláveis do fundo psíquico.

Esses efeitos incontroláveis do fundo psíquico pode ser um suicídio, depressão, estresse ou autocobrança de forma patológica.

Indubitavelmente será de grande utilidade para os pais saberem considerar os sintomas de seu filho à luz dos seus próprios problemas e conflitos. É dever dos pais proceder assim. Neste particular, a responsabilidade dos pais se estende até onde eles têm o poder de ordenar a própria vida de tal maneira que ela não represente nenhum dano para os filhos.

Em geral se acentua muito pouco quão importante é para a criança a vida que os pais levam, pois o que atua sobre a criança são os fatos e não as palavras. Por isso deverão os pais estar sempre conscientes de que eles próprios, em determinados casos, constituem a fonte primária e principal para as neuroses de seus filhos.

É importante advertir que quanto menos os pais assumem seus próprios problemas (mesmo com a boa intenção de defender os filhos), mais os filhos poderão carregar o peso do que eles, os pais, não viveram. Os filhos, por sua vez, reagem, muitas vezes, tomando atitudes em relação ao estado de espírito dos pais, realizando protestos angustiantes ou tornando-se vítimas, imitando-os de forma inconsciente.

Neste caso, não basta resumir essa questão no que Marialvo diz: “Os pais têm que ter autoridades sobre os filhos. Pais que não têm decisão sobre as atitudes dos filhos estão cometendo um erro…” Agindo somente desse modo, exercem sobre os filhos influência altamente desastrosa.

Eu não digo que os pais não devem ter autoridades, mas que um caso de suicídio, depressão aguda e etc, não é uma questão de autoridade e decisão dos pais no âmbito familiar.

Os pais, como ser humano, é capaz de resolver tudo, no que tange a subjetividade humana? Os pais agora se tornaram super-heróis? Será que eles também não precisavam de apoio, assim como o seu filho?

Os pais que pregam somente a autoridade e que é o detentor da palavra final, sempre, em vez do desenvolvimento da consciência do seu filho, faz deste uma pessoa que jamais saberá o que deseja de verdade, mas continuará sempre na dependência da família e apenas procurará imitar os outros, experimentando o sentimento de estar sendo desconhecida e oprimida pelos outros.

O problema é muito mais amplo, pois estamos falando de questões psico-emocionais que não são resolvidas somente através de autoridades e decisões dos pais. Psicólogos, Psicanalistas e Psiquiatras sabem bem disso.

Para os pais e os educadores seria de uma parte omissão grave deixar de considerar a causalidade psíquica da criança, mas de outra seria erro pernicioso atribuir a essa instância a culpa de tudo. Em cada caso influem os dois fatores, sem que um deles precise excluir o outro, é claro.

Psicologicamente e psicanaliticamente falando tem-se que investigar a fundo, de forma singular, o motivo real dessa ação. No geral são as frustrações, as angústias e etc somados com o histórico de vida da pessoa, toda a sua formação psicologia – emocional que precisa ser revista. Enfim, há todo um enredo que faz a pessoa tirar a sua própria vida.

Não é somente o mau desempenho na escola em si que leva a pessoa a tirar a sua vida, mas são as angústias, a frustração e toda a sua formação psíquica, seus significantes, seus valores, como foi construído isso dentro dele, o sentido que ele dar para a sua vida, neste caso, para os seus estudos, que leva a pessoa ao suicídio ou não.

É o contexto de vida da pessoa que deve ser considerado. Senão, todos que tinham angústias em determinados níveis tirariam a sua vida. Elas, as angústias, não são as causas únicas e principais, há um conjunto de fatores, que leva a pessoa a possuir aquela pré-disposição ao suicídio.

No que tange a escola, o educador não pode contentar-se em ser o portador da cultura apenas de modo passivo, mas deve também desenvolver ativamente a cultura, e isso por meio da educação de si próprio. Sua cultura não deve jamais estacionar, pois de outro modo começará a corrigir nas crianças os defeitos que não corrigiu em si mesmo.

Para que seja possível a educação de si mesmo, exige-se o autoconhecimento como fundamento indispensável. Esse autoconhecimento é conseguido tanto pela observação crítica e pelo julgamento dos próprios atos, como também pelo julgamento de nossas ações por parte dos outros.

Repito: “Os pais têm que ter autoridades sobre os filhos. Pais que não têm decisão sobre as atitudes dos filhos estão cometendo um erro…”, Marialvo. Não concordo plenamente com essa frase. Os pais agora se tornaram super-heróis? Será que eles também não precisavam de apoio, assim como o seu filho? Não é importante que os pais nunca cometam erros — isso seria impossível para seres humanos — mas que os reconheçam como erros.

Os problemas psicológicos, emocionais graves não são resolvidos, através dos pais, com autoridades e decisão sobre as atitudes dos filhos, já que ninguém sofre por sofrer e um suicídio não é uma simples atitude e sim uma questão psicopatológica séria. Além do mais, os próprios pais, em determinados casos, constituem a fonte primária e principal para as neuroses de seus filhos.

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