O sofrimento! | Por Marcelo Vinicius

O Jornal Grande Bahia (JGB) é um site de notícias com publicações que abrangem as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador, dirigido e editado pelo jornalista e cientista social Carlos Augusto.
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O sofrimento!
O sofrimento!

Sofrer lhe dá uma definição.

A Filosofia, através de Rajneesh Chandra, já disse que a mente ordinária sempre lança a responsabilidade em outro alguém. É sempre o outro que está lhe fazendo sofrer. Sua esposa está lhe causando sofrimento, seu marido está lhe fazendo sofrer, seus pais estão lhe fazendo sofrer, seus filhos estão lhe fazendo sofrer ou o destino, o carma, Deus… Você nomeia!

As pessoas têm milhões de maneiras de se esquivar da responsabilidade. Mas no momento que você diz que outra pessoa – X,Y,Z – está lhe causando sofrimento, assim você não pode fazer nada para mudar isso. O que você pode fazer?

Desculpas e mais desculpas – desculpas apenas evitam um insight que “Sou responsável por mim mesmo. Ninguém mais é responsável por mim; é absolutamente e totalmente minha responsabilidade. O que quer que eu seja, sou minha própria criação”.

Conduza toda a “culpa” para um e esse um é você. Uma vez que esse insight se estabelece: Sou responsável por minha vida – por todo meu sofrimento, pela minha dor, por tudo que aconteceu comigo e está acontecendo a mim – Eu escolhi esse caminho; essas são as sementes que eu semeei e agora estou colhendo a safra; sou responsável – uma vez que esse insight se torna um entendimento natural em você, então tudo mais é simples. Assim a vida começa a dar uma nova reviravolta. Começa a se mover numa nova dimensão.

Essa dimensão é conversão, revolução, mutação – porque uma vez que sei que sou responsável, também sei que posso abandonar isso a qualquer momento que decida fazê-lo. Ninguém pode me impedir de abandonar isso.

Pode alguém lhe impedir de abandonar sua miséria, de transformar sua miséria em felicidade? Ninguém. Mesmo que você esteja na prisão, acorrentado, preso, ninguém pode prender você; sua alma ainda permanece livre. É claro, você fica numa situação muito limitada, mas mesmo nessa situação limitada você pode cantar uma canção. Você pode derramar lágrimas de desamparo ou pode cantar uma canção. Mesmo com correntes em seus pés você pode dançar; então até mesmo o som das correntes terá uma melodia.

A Psicologia Psicanalítica, a Psicanálise, por exemplo, mostra que por trás do sofrimento do qual o paciente se queixa há um desejo, ou seja, não é só algo que a pessoa sofre, mas que a própria pessoa produz, ela é responsável por seu sofrimento. Aí é que entram a necessidade do sujeito atribuir novos significados, introspecções… Atenuando assim o próprio sofrimento.

Conforme Freud afirmou tantas vezes, o ser humano é um ser de conflito. E segundo Lacan, a divisão do sujeito (Spaltung) é condição de sua estrutura e como somos nós que damos valores às coisas, somos nós que as qualificamos, já que elas são neutras e é o ser humano, através da sua concepção, que irá dizer se elas são ruins ou boas, então os problemas sempre vão existir, se assim pensarmos.

Cada um elabora para si seu próprio segmento do mundo e com ele constrói seu sistema privado para seu próprio mundo, muitas vezes cercado de paredes estanques, de modo que, algum tempo depois, parece-lhe ter apreendido o sentido e a estrutura do mundo. Por isso que tudo é relativo: o que é bom para um não é para outro e vice-versa, por isso que existem vários pontos de vistas.

A solução é mais interna do que externa e os problemas são nossos e não dos outros. Por trás do sofrimento há um desejo que nós mesmos construímos. Ninguém sofre por sofrer. Somos nós que damos sentidos as coisas. Portanto temos que ser capazes de resolvê-las da melhor forma, com sabedoria e ciente do que é a vida para nós.

A Filosofia oriental possui uma definição interessante sobre o sofrimento, segundo Buda:

“A causa do sofrimento humano encontra-se, sem dúvida, nos desejos e nas ilusões das paixões mundanas. Se estes desejos e ilusões forem investigados em sua fonte, poderá se verificar que os mesmos se acham profundamente enraizados nos instintos físicos. Assim, o desejo tendo um grande vigor já em sua base, pode manifestar-se em tudo, inclusive em relação à morte. A isto se chama a Verdade da Causa do Sofrimento”.

Atisha (um grande erudito) foi realmente muito científico. Primeiro ele diz: Tome toda a responsabilidade sobre si mesmo. Segundamente ele diz: Seja grato a todos. Agora que ninguém mais é responsável pela sua miséria exceto você – se a miséria é toda seu próprio fazer, então o que resta? Seja agradecido com todos.

Porque todo mundo está criando um espaço para você ser transformado – mesmo aqueles que acham que estão lhe obstruindo, mesmo aqueles que você pensa que são seus inimigos. Seus amigos, seus inimigos, boas e más pessoas, circunstanciam favoráveis, circunstancias desfavoráveis – tudo isso junto está criando o contexto no qual você pode ser transformado e tornar-se um ser mais consciente.

Seja agradecido a todos – àqueles que lhe ajudaram, àqueles que lhe obstruíram, àqueles que foram indiferentes. Seja grato a todos, porque todos juntos estão criando o contexto no qual as consciências nascem, no qual você pode se tornar em um grande homem.

Enfim, só nós podemos decidir se vamos sair ou não de um sofrimento, mesmo quão difícil seja, pois existem algumas coisas que você tem que fazer por si mesmo… Se eu bebo, a sua sede continua; se eu como, a sua fome continua… Ninguém pode matar a sua sede, sua fome, se não você mesmo. Ninguém pode salvar você exceto você mesmo. Dalai-Lama disse algo interessante em sua jornada: “O caminho para se livrar do sofrimento não depende de um ser superior. Depende só de você”.

*Por Marcelo Vinicius Cursou faculdade de Sistemas para Computadores, onde se voltou para as questões da Inteligência Artificial. Cursou Psicanálise, como também conserva o interesse pela Filosofia e Literatura, junto aos conceitos da Neurociência. Hoje, faz graduação em Enfermagem na UEFS, com ênfase em Saúde Mental / Neurologia. É o autor do livro “Desafios de uma mente”. Escreve para alguns sites na internet e também para a Sociedade Brasileira de Psicanálise.

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