Ex-Beatle Paul McCartney volta às raízes alemãs

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Paul McCartney continuou sua turnê europeia com dois concertos extras na Alemanha. Isso não foi coincidência, já que foi lá que os Beatles iniciaram sua carreira de sucesso – e com um membro alemão na banda.

Retornar à Alemanha durante sua turnê europeia, aproximadamente 50 anos após ter cantado para marinheiros embriagados, mercadores e prostitutas, não é somente uma viagem pela estrada da memória para Paul McCartney, mas é como se ele, de repente, tivesse novamente 18 anos.

Na turnê quase encerrada do ex-Beatle, estavam previstas apresentações em cinco países, incluindo um concerto de Natal no próximo dia 22 de dezembro em Londres. Nesta quarta e quinta-feira (16 e 17/12/2009), ele realizou em Colônia seus últimos shows na Alemanha. As primeiras apresentações, no entanto, foram no início deste mês em Hamburgo – onde tudo começou, há cerca de meio século.

O “quinto Beatle”

Em 17 de agosto de 1960, os Beatles fizeram sua primeira apresentação no clube Indra de Hamburgo, um cabaré localizado a poucos passos da Reeperbahn, a movimentada zona de meretrício da cidade portuária. Uma noite, Paul McCartney pediu ao artista gráfico alemão Klaus Voormann para substituir Stuart Sutcliffe, que havia ficado doente. Como baixista, Voormann deveria tocar para uma versão cover do sucesso I’m in love again, de Fats Domino.

Voormann recorda como foi subir ao palco e se apresentar junto a McCartney, George Harrison, John Lennon e o baterista Pete Best, que 18 meses mais tarde foi substituído pelo mais experiente Ringo Starr.

“Naquela época em Hamburgo, eles não tocaram nenhum título original. Só tocaram canções que eram cópias de discos norte-americanos e ingleses. George fazia aqueles números de Joe Brown, e o resto eram canções dos anos 1960 de Smokey Robinson e os Miracles”, declarou Voormann recentemente no Museu Beatlemania em Hamburgo. Ele é considerado “o quinto Beatle” pela mídia alemã.

Fama é trabalho duro

Tocando noite após noite por mais de dois anos, foi na cidade do norte alemão que a banda ganhou sua marca. Eles tocavam oito horas por dia e dormiam em um cinema local.

“Acho que eles desenvolveram a forma de tocar, como também a leveza da banda, porque tiveram a oportunidade de fazê-lo em Hamburgo”, disse Voormann. “Não acho que isso se deveu necessariamente ao ambiente – as prostitutas e michês. Não foi essa a razão para eles se tornarem uma banda de tão boa qualidade – mas o fato de tocarem ao menos oito horas por noite – era trabalho duro.”

No entanto, atribui-se a McCartney a declaração de que os Beatles não somente vieram a Hamburgo para trabalhar. Eles se educaram: “A cidade abriu nossos olhos”, ele disse. “Fomos para lá como crianças e retornamos como crianças mais velhas. Na Reeperbahn, rapidamente tivemos nosso batismo de fogo no tocante ao sexo, era como ter se libertado das rédeas. Foi uma época selvagem.”

A associação do talentoso grupo com Voormann trouxe vantagens para além das musicais. Atribui-se à antiga namorada do baixista, Astrid Kirchherr, o crédito de ter transformado a imagem do grupo de roqueiros para algo mais apresentável.

Encontro que não aconteceu

Voormann peregrinou de Munique a Hamburgo para assistir o show ao vivo de McCartney, esperando pela oportunidade de poder trocar algumas palavras com o antigo amigo. No palco, um emocionado Paul lhe prestou tributo, mas não houve encontro nos camarins.

O “quinto Beatle” evitou as câmeras, flashes e microfones intrusos, chamando um táxi meia hora antes de McCartney terminar sua apresentação, a fim de ser levado para o anonimato de seu hotel.

Mesmo assim, Voormann, de 71 anos, não mostra sinais de amargura. Ele disse considerar um dos momentos de maior orgulho o fato de ter ganhado seu primeiro Grammy com o design da capa do álbum Revolver. Mais tarde, foi premiado uma segunda vez por sua contribuição ao evento Concerto para Bangladesh.

*Com informação de Deutsche Welle.

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