Brasil é uma das poucas esperanças de otimismo em Copenhague

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Para Henrik Böhme, um novo acordo mundial de proteção climática não deverá ser ratificado na cúpula da ONU sobre mudanças climáticas em Copenhague. E o exemplo do Brasil é uma das poucas esperanças de otimismo.

Quando um grupo de chefes de Estado e de governo de países responsáveis por mais da metade da emissão de gases do efeito estufa se reúne e, no final, não é capaz de chegar a um consenso quanto a uma meta de proteção climática, então fica claro: a salvação do mundo tem de ser adiada mais uma vez. A grande cúpula de Copenhague será agora apenas um ponto de passagem para um imenso séquito que, sem êxito, há anos se esforça em elaborar um novo acordo mundial sobre o clima. Nada disso é surpresa.

Alguns pontos devem ser registrados: o visionário Barack Obama finalmente caiu na realidade. E, com ele, todos os defensores da proteção climática, que nele viam um novo redentor. Pois, se a delegação norte-americana viajar a Copenhague com boas intenções, mas de mãos vazias – já que as novas leis sobre o clima não contam com maioria política em Washington –, então nada acontecerá na capital dinamarquesa.

Indianos e chineses terão sempre os melhores trunfos na mesa de negociações: eles querem primeiro crescimento e bem-estar, e só depois compromissos com o clima. Embora seja preciso reconhecer que Pequim, mesmo sem ter assinado nenhum acordo, já faz mais que muitos outros governos para proteger o meio ambiente. Pois notaram que também eles já destruiram demais o meio ambiente.

Também é preciso ressaltar que o roadmap alinhavado sob condições dramáticas na conferência sobre o clima em Bali, há dois anos, fracassou. Pois as muitas conferências realizadas nos últimos dois anos não conseguiram aproximar as posições absolutamente divergentes.

Negociações sobre a proteção climática são sempre negociações sobre um mundo mais justo: os países pobres, que nenhuma responsabilidade têm pelas mudanças climáticas, reivindicam com razão uma compensação por parte das nações industrializadas. Afinal, o bem-estar dos países ricos custou caro.

E resta registrar: por mais que se trate da salvação do mundo, no final é sempre uma questão de dinheiro e aí está o problema. Os europeus haviam anunciado que disponibilizariam 100 bilhões de euros para ajudar os países em desenvolvimento a se adaptarem às mudanças climáticas.

Mas, na hora de dividir essas cargas financeiras dentro da União Europeia (UE), isso foi demais para alguns países e a decisão foi postergada. Para os africanos, por sua vez, esta foi a deixa para boicotar em parte a recente conferência da ONU sobre o clima em Barcelona. Isso mostra o quanto a situação é complicada.

Como proceder agora? Cancelar a conferência em Copenhague? Economizar milhares de toneladas de CO2 que seriam emitidas durante os voos dos cerca de 10 mil participantes: ministros, delegações, ativistas ambientais e jornalistas? Assim, muito provavelmente, seria possível ganhar pontos positivos.

Mas as mudanças climáticas não permitem esperar. É preciso agarrar-se ao último galho que resta: mais de 40 chefes de Estado e de governo, entre eles, a chanceler federal alemã Angela Merkel, anunciaram sua participação. Eles não podem dar-se o luxo de mostrar as caras às câmeras por um documento sem conteúdo. A vergonha seria simplesmente grande demais.

Talvez ajude voltar os olhos ao Brasil para espalhar um pouco de otimismo. O governo brasileiro anunciou uma redução drástica do desmatamento da Floresta Amazônica, reduzindo em 40% as emissões de CO2 até 2020. Sem exigir nenhum tipo de compensação. Ou seja, é possível!

*Cominformação de Henrik Böhme.

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