A sociedade nossa de cada dia | Por Décio Nascimento

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O Jornal Grande Bahia (JGB) é um site de notícias com publicações que abrangem as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador, dirigido e editado pelo jornalista e cientista social Carlos Augusto.
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Já estamos no mês de dezembro!? Caramba, o ano já acabou e eu não fiz nada do que tinha planejado!  Pois é, sem dúvida, deferentemente de épocas passadas, esta é a constatação de muitas pessoas que vivem o ano inteiro em turbilhão, correndo contra o tempo, sem sequer tempo ter para apreciar o por do sol, e assim literalmente sentir e ver o tempo passar.
A relação inversamente proporcional entre a média da expectativa de vida, o espantoso aumento dos problemas de ordem social e a falta de tempo do homem contemporâneo suscita a necessidade do conhecimento acerca da origem e do processo das transformações da sociedade, de modo e de sorte a não imperar o que se pode chamar de caos existencial. Veja-se, pois:
Na Idade Média, notadamente no período precedente à Renascença e à época das luzes, a conjuntura sócio-político-econômico-cultural era marcada pelo irracionalismo, pelo teocentrismo, pelo absolutismo e pela não consideração ao critério científico para explicação dos fenômenos e fatos sociais.
Sob a influência de filósofos que, sacralizando a razão, idealizavam uma nova configuração social, surgiram dois movimentos pró-modernistas, os quais começaram a questionar os fundamentos absolutos de todas as explicações da época, a saber:
O Renascimento (Renascença) – Favorecido pela invenção da imprensa e pelo período das grandes navegações, este movimento teve como base a valorização do homem, em contraponto aos padrões eclesiásticos do medievo (Idade Média).
O Iluminismo (época das luzes) – Movimento filosófico no qual o homem passou a ser o centro do universo e a razão humana passou a ser a base da explicação do mundo, o antropocentrismo.
Os principais fatores responsáveis pela transformação da sociedade no Iluminismo foram: A substituição de Deus pela razão; o antropocentrismo (o homem passou a ser o centro do universo e a razão humana passou a ser a base da explicação do mundo); ênfase da capacidade de intervenção do homem na história (o homem passa a ser sujeito do seu destino), proporcionando uma ruptura na organização social, principalmente por meio do grande desenvolvimento científico e tecnológico; e a cumplicidade (ainda que por conveniência) da burguesia na defesa e difusão das bases filosóficas apresentadas pelo Iluminismo.
A consolidação das bases filosóficas do Iluminismo se deu a partir de dois importantes eventos históricos, quais sejam:
A Revolução Francesa (1789) – Fato histórico que constituiu-se em um divisor de águas na transição da Idade Média para a modernidade, marcando profundas e importantes transformações nos âmbitos sócio-econômico-político-social, as quais ainda refletem diretamente sobre a atualidade ( a exemplo da declaração dos direitos humanos).
Os principais fatores responsáveis pela transformação da sociedade na Revolução Francesa foram: Alcance do poder político por parte da burguesia; destituição da Monarquia; surgimento de uma nova ordem social, bem como de uma nova forma de organização política – O Estado / Nação, sob a égide ideais iluministas de liberdade, igualdade e fraternidade; e a valorização da cidadania e instituição do sufrágio universal.
A Revolução Industrial – Evento histórico marcado pelas inovações no processo produtivo, decorrente do desenvolvimento de novas formas de energia como o vapor, e, mais tarde, a energia elétrica.
Os principais fatores responsáveis pela transformação da sociedade na Revolução Industrial foram: Extraordinário aumento da capacidade de produção, bem assim na divisão social do trabalho; e migração de trabalhadores para as cidades (êxodo rural),tanto para atender às necessidades de produção,quanto em decorrência da mecanização do campo.
Como uma espécie de efeitos colaterais dos eventos e movimentos pró-modernistas, algumas contradições emergiram com a sociedade moderna, as quais determinaram os desígnios e o porvir da modernidade e, porque não arriscar, da contemporaneidade, a saber: Consolidação do poder político (já detinha o econômico) da burguesia, em nome dos ideais de Liberdade, Igualdade e Fraternidade; aumento assistemático da população urbana, em detrimento do aumento extraordinário da produção, bem como da mecanização do campo; os trabalhadores livres não eram protegidos por leis trabalhistas.
Os conflitos e problemas sociais trazidos, à reboque, pela modernidade suscitaram questionamentos, respostas e explicações, cientificamente fundamentadas, de modo a permitir e possibilitar a sua apreensão e compreensão pela razão humana.
Com efeito, é razoável aduzir que a contemporaneidade convive com alguns comportamentos, fatos e fenômenos sociais remanescentes da Idade Média e que resistem às vicissitudes do processo histórico, sobretudo no que tange ao culto a convicções não científicas e irracionais, a exemplo do misticismo, da fé e dos fundamentalismos religiosos e das filosofias alternativas.
Ainda fazendo face ao período que precede aos movimentos e eventos pró-modernistas, releva ressaltar a herança de uma mácula social que ora avassala os grandes centros urbanos do país – a dengue, a qual era cognominada na Idade Média de peste negra.
Já no contexto histórico-social que envolve as contradições que emergem com a sociedade moderna, pode-se ressaltar alguns problemas ainda vivenciados na atualidade, porém com diferenciada configuração, bem assim outros aspectos, fatos e fenômenos sociais análogos e correlatos, que surgiram, em cadeia, no transcurso da modernidade para contemporaneidade, a saber:
– Explosão demográfica dos centros urbanos; o crescimento caótico e desordenado das cidades; o elevado índice de desemprego; baixo poder aquisitivo; insuficiência de garantia habitacional; insuficiência de segurança alimentar; baixos indicadores qualitativos e quantitativos de educação e saúde; a degeneração dos valores morais e da ética; o analfabetismo político; analfabetismo funcional; irregularidade na distribuição de renda; a banalização da violência; a institucionalização da criminalidade; a degradação do meio ambiente; a crise energética; as guerras; o armamento nuclear; discriminação das minorias.
Feito esse mapeamento dos eventos que marcaram as transformações da sociedade, com a certeza na frente e a história na mão, decerto pode-se melhor compreender as causas que estruturam as nossas vidas, bem como os problemas e dilemas de ordem social que inexoravelmente permeiam e compõem o nosso cotidiano.
REFERÊNCIAS
ARON, Raymond. As etapas do pensamento sociológico. São Paulo: Martins Fontes, 1999.
BRYN, Robert. Sociologia: uma bússola para um novo mundo. São Paulo: Thomson Lerning, 2006.
COHN, Gabriel, (org.); FERNANDES, Florestan(Coord.). WEBER. São Paulo: Ática, 1997. Coleção Sociologia.
*Por José Décio S. Santos é graduado em Administração Legislativa pela Universidade do Sul de Santa Catarina – UNISUL; Redator de Debates e Diretor do Deptº Legislativo da Câmara Municipal de Valente-BA.
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