A 25 de dezembro de 800, o rei franco Carlos Magno foi coroado imperador romano pelo Papa Leão III

Carlos Magno foi coroado imperador romano pelo papa Leão III.
Carlos Magno foi coroado imperador romano pelo papa Leão III.

No Natal do ano 800, Roma viveu uma invasão pacífica de nobres e guerreiros francos. Na antiga Basílica de São Pedro, onde o papa Leão III celebrou a missa de Natal, se reuniram autoridades eclesiásticas e líderes políticos, entre eles, Carlos – rei dos francos e lombardos.

Antes do início da missa, Carlos Magno dirigiu-se à tumba de São Pedro para venerar o príncipe dos apóstolos. Ajoelhou-se e começou a rezar. O Sumo Pontífice aproximou-se dele, trazendo nas mãos um diadema de ouro. E então, para surpresa de muitos, Leão 3º coroou o rei franco como imperador do Sacro Império Romano, investindo-o da suprema autoridade temporal sobre os povos cristãos do Ocidente.

Em clima de festa, tanto romanos quanto francos aclamaram o “grande Carlos, augusto e sereníssimo, pacífico imperador dos romanos, pela misericórdia de Deus rei dos francos e dos lombardos”.

Coroa formalizou o status quo

A coroa selou formalmente o que Carlos já incorporava na prática, há muito tempo: ele imperava sobre grande parte da Europa. Era o único líder com poder suficiente para derrubar o papado. A partir da coroação de Carlos, o papado e o império tornaram-se os principais centros de poder espiritual e temporal da Idade Média.

Segundo o historiador Matthias Becher, no Natal de 800 começou a história do Império Romano do Ocidente. O reinado de Carlos Magno deu origem ao Sacro Império Romano de Nação Germânica, que durou mil anos até declinar em 1806.

Carlos era grande não apenas em sentido figurado: sua estatura de 1,82m nada tinha de normal naquela época. Seu biógrafo Einhard o descreveu da seguinte forma: “Sua cabeça era redonda, seus olhos grandes e vivazes, o nariz um tanto comprido. Tinha belos cabelos grisalhos e uma fisionomia alegre e prazenteira.

Seu porte era sempre imponente e digno, estivesse ele sentado ou de pé. Seu andar era decidido, seus gestos varonis e sua voz clara, embora não fosse tão forte quanto era de se esperar por sua estatura. Sua saúde foi sempre excelente; apenas nos últimos quatro anos de vida sofria frequentes ataques de febre”.

Até hoje não se sabe se ele sabia ler e escrever. Embora desnecessário, ele pelo menos tentou aprendê-lo aos 32 anos de idade. Apesar de ser um admirador e mecenas das ciências modernas, Carlos era antes de mais nada um imperador brutal, capaz de pisar no pescoço até de parentes, caso isso lhe trouxesse vantagens.

Ampliação do império

Uma vez coroado, não se satisfez com o domínio sobre seu povo, incluindo aí os povos conquistados, como os bávaros e saxões. Queria dominar toda a Terra, desafiando assim o Império Bizantino, que se considerava legítimo sucessor do Império Romano, dividido em 394. Foi por isso que Bizâncio só o reconheceu como imperador 12 anos após a coroação.

Quando morreu, em 814, Carlos Magno reinava sobre um território que se estendia do Mar do Norte à região dos Abruzos (Itália), do Rio Elba até o Ebro, do Lago Balaton (Hungria) até a Bretanha. Tão importante quanto a unidade territorial lhe era a união política interna.

Após a queda do Império Romano, as cidades ocidentais estavam em ruínas. Na época de Carlos Magno, Roma contava apenas 20 mil habitantes, enquanto Constantinopla tinha centenas de milhares. As metrópoles ocidentais tinham no máximo dez mil habitantes, enquanto em Bagdá viviam um milhão de pessoas.

Carlos Magno reinava, portanto, sobre as regiões destruídas do continente europeu. Para restaurar o império, precisava do apoio da Igreja, com sua unidade doutrinária e litúrgica. A consequência cultural e civilizatória da união entre a Igreja e o Estado foi o renascimento carolíngio.

Reino de fé e língua únicas

A meta de Carlos Magno era criar um reino de fé e língua únicas. Para tanto, ele tentou simplificar o idioma latino, eliminando dialetos que haviam se tornado autônomos no princípio da Idade Média. Também a escrita latina tinha mudado, a ponto de os lombardos da Itália terem grandes dificuldades de ler um livro anglo-saxão.

A renascença carolíngia estabeleceu a base cultural para o continente europeu. No Leste Europeu, o nome “Carlos” tornou-se designação comum aos monarcas. Mistificado como nenhum outro, ele marcou o início da história ocidental cristã. Alguns políticos modernos chegam a considerá-lo fundador da Europa.

Carlos Magno tornou-se rei dos francos aos 26 anos de idade. Reinou durante 46 anos e morreu de pleurite aguda com 72 anos, no dia 28 de janeiro de 814. Seus restos mortais encontram-se na catedral da cidade alemã Aachen, que fora a capital do seu império.

*Com informações do DW.

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