Samba em Prashanti Nilayam

Banner do JGB: Campanha ‘Siga a página do Jornal Grande Bahia no Google Notícias’.
O Jornal Grande Bahia (JGB) é um site de notícias com publicações que abrangem as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador, dirigido e editado pelo jornalista e cientista social Carlos Augusto.
O Jornal Grande Bahia (JGB) é um site de notícias com publicações que abrangem as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador, dirigido e editado pelo jornalista e cientista social Carlos Augusto.

Uma corrente energética humana se formou em Prashanti Nilayam e na pequena vila de Puttaparthi: Sai Baba havia aprovado o projeto dos brasileiros. Faltavam apenas três breves longas horas para a apresentação.

O Guru Purnima é o Dia do Mestre, na tradição indiana, e este ano caiu numa terça-feira, na primeira lua cheia de julho.

Éramos trezentos brasileiros em Prashanti Nilayam (Puttaparthi, sul da Índia), reunidos para comemorar tal efeméride.

Este é um dos grandes festivais que acontece no Ashram de Sathya Sai Baba, mestre espiritual indiano. O sete de julho culminaria várias semanas de celebrações litúrgicas no mandir (templo), com apresentações culturais de delegações de devotos do mundo inteiro. São teatralizações, danças e, principalmente, cânticos — cânticos devocionais.

“Quando hinos de louvor se elevam da garganta do homem”[1] a chama celeste desce à terra e envia sua iluminação. Quando hinos de louvor “se elevam ao Céu, Deus Ele mesmo desce à Terra e fortalece o mundo com a Presença Divina”.[2]

O Conselho Central da Organização Sai do Brasil havia enviado à Prashanti Nilayam a proposta de apresentação cultural dos brasileiros neste período de festejos. A alta administração do ashram acenou positivamente. Porém, a aceitação final da solicitação seria feito após o cumprimento de alguns requisitos artísticos e técnicos, avaliação prévia por parte dos responsáveis pelo calendário de eventos e, por último e mais importante, o aceite final do próprio Swami, Bhagavan Sri Sathya Sai Baba.

Foram chegando à Prashanti os primeiros cantores (puxadores), músicos e participantes do coral ainda no início de junho, e este grupo foi crescendo até somarem trezentos, na semana do festival.

Exaustivos e prazerosos ensaios diários passaram a acontecer, diuturnamente, na busca de embelezamento da cantoria que viria ser apresentada.

Não havia nenhuma certeza de confirmação da exibição dos brasileiros, apenas a esperança e vontade. O imponderável faz parte da metodologia de Swami, temperando a fé dos seus devotos.

“Aquele que é limpo de mãos e puro de coração; que não entrega a sua alma à vaidade” subirá ao monte do Senhor, estará no lugar santo.[3]

O ensaio geral, com a presença das autoridades do Ashram, foi de pura emoção, e saudado entusiasmadamente por estes. Os brasileiros exultavam. Mas a confirmação não vinha. Os coordenadores nacionais sugeriram então o rogo ao divino, buscando a sua intercessão.

Ganesha é o deus que remove todos os obstáculos, o primeiro a ser reverenciado. A sua imagem está nas portas dos templos e casas protegendo as suas entradas. Por isso, ao transpor o sagrado portão de Prashanti Nilayam, o visitante se depara primeiramente com o templo à Ganesha.

Há dois concorridos rituais de rogos ou gratidão ao simpático deus zoomorfo dos hindus, Senhor Ganesha. Um deles é o de quebrar um coco seco, em local apropriado para este fim, em frente à sua imagem. A casca deve ser rompida após girar o coco em sentido horário, e oferecer o substancioso fruto ao Senhor. Romper o ego e esvaziá-lo, este é o significativo motivo de tão nobre gesto.

O segundo e disputado ritual é o de circundar por nove vezes o singelo recinto, às portas de Prashanti — lugar que separa o sagrado do profano.

Pois na noite de cinco de julho de 2009, uma ordeira e enfileirada pequena multidão de brasileiros se deslocou para tal templo e, entoando silenciosamente o Gayatri Mantra, rogou ao Senhor a graça de louvá-Lo vibrando canções de amor.

O Gayatri Mantra é proclamado no Bhagavad Gita como a Oração Universal. É o rogo pela salvação, a busca da iluminação, é a súplica por uma graça almejada.

Nos festejos do Guru Purnima, com a presença de autoridades da vida pública indiana, como a própria presidente da República, Sai Baba discursou, ensinando aos seus discípulos e à humanidade os princípios básicos para uma vida correta. Swami disse que, na atualidade, os homens temem à Deus e amam ao pecado, quando o correto é o oposto: amar a Deus e temer ao pecado.

Uma emocionada devota brasileira comparou este momento especial a um outro, ocorrido há dois mil anos, que alguns tiveram a feliz oportunidade de ouvir: o Sermão da Montanha proferido por Jesus Cristo.

Na manhã de oito de julho os brasileiros se dividiam entre três grupos: os esperançados na apresentação, os desesperançados, e — mais numeroso —, o grupo daqueles que apenas aguardavam o dia e hora.

Às onze horas da manhã, uma corrente energética humana se formou em Prashanti Nilayam e na pequena vila de Puttaparthi: Sai Baba havia aprovado o projeto dos brasileiros. Faltavam apenas três breves longas horas para a apresentação.

Felizes como crianças em noite de Natal, nos barbeamos, nos banhamos e vestimos engalanada indumentária para a ocasião.

Á tarde, rodeados por uma multidão de vinte mil pessoas presentes ao mandir, em frente a Swami, trezentas vozes brasileiras dão início a execução de belíssima coroa de orações e hinos.

Embalado pela vibração do som criador, o mandir como que resplandece. A força e o poder divino emanam através do som das vozes e instrumentos que reverberam, e os participantes captam sua vibração, sintonizados na frequência certa daquilo que transcende.

O tempo e o espaço linear, tridimensional, se dissolvem e se justapõem com um outro tempo, um outro espaço, mítico, ontológico, plasmado nos corações.

Momento extático. Os sentidos se alteram, a luz é mais radiante, vozes e acordes angelicais executam belas canções, o ambiente ornado com flores celestiais e iluminado pela luz divina. Que pare o tempo!

Ponto alto desta tocante apresentação cultural brasileira foi o sambhajan “A minha vida, a sua vida, a vida dele é uma coisa só”. — canto devocional em ritmo de samba. Esta bela canção, tão simplesinha, resume a doutrina supra-religiosa de Sathya Sai Baba.

O público saudou efusivamente. Swami acompanhou dedilhando ritmicamente, expandindo ondas de amor.

Caiu a tarde e, a seguir, a auspiciosa noite de lua cheia se findou. Mas o Guru Purnima 2009 permanecerá para sempre em nossa memória e nos nossos corações.

Om Sai Ram!

“A minha vida, a sua vida, a vida dele é uma coisa só

O Deus que está em mim é o mesmo que está em você

Se você está feliz, eu também fico feliz.

Jesus, Alá, Krishna, Buda, Zoroastro, Sai Baba ou Jeová

O importante é orar, servir e meditar

Amar sem restrição, abrir o coração.

Se Deus escolhe como a sua morada nosso doce coração

Isto vai nos libertar

Você vai se libertar

Ele vai se libertar

Também vou me libertar!”

O vídeo da apresentação cultural dos brasileiros para Swami, Bhagavan Sri Sathya Sai Baba no Guru Purnima 2009 está disponivel na net.

Acessem os endereços:

http://www.saicast.org

http://www.saicast.org/festivals2009.htm#090708brasil

Letras dos Cantos Devocionais:

http://www.sathyasai.org.br/gurupurnima2009/MatEx/cifras/todas.pdf

Álbuns de fotos do Guru Purnima 2009

http://picasaweb.google.com/Saibhajan2009/GuruPurnimaAlbum01
http://picasaweb.google.com/Saibhajan2009/GuruPurnimaAlbum02

Sobre Juarez Duarte Bomfim 745 Artigos
Baiano de Salvador, Juarez Duarte Bomfim é sociólogo e mestre em Administração pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), doutor em Geografia Humana pela Universidade de Salamanca, Espanha; e professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Tem trabalhos publicados no campo da Sociologia, Ciência Política, Teoria das Organizações e Geografia Humana. Diversas outras publicações também sobre religiosidade e espiritualidade. Suas aventuras poético-literárias são divulgadas no Blog abrigado no Jornal Grande Bahia. E-mail para contato: [email protected]