Inveja e política | Por Emiliano José

O Jornal Grande Bahia (JGB) é um site de notícias com publicações que abrangem as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador, dirigido e editado pelo jornalista e cientista social Carlos Augusto.O Jornal Grande Bahia (JGB) é um site de notícias com publicações que abrangem as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador, dirigido e editado pelo jornalista e cientista social Carlos Augusto.

Em artigo publicado pelo jornal O Estado de S. Paulorecentemente, sob o título Para onde vamos?, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso se superou. Atrevo-me a dizer que se superou na inveja. Quem me disser que ele já vinha dando sinais de inveja estará certo. Mas, agora, ele foi longe. Cardoso se deixa trair freqüentemente ao longo do texto e revela o quanto sente ver o presidente Lula, descido lá das barrancas nordestinas, das secas gracilianas, tão admirado pelo mundo afora e tão querido pelo povo brasileiro. Dá vontade de dizer: fica feio.

Claro que a inveja, aí, não vem sozinha. Vem com a carga cultural do ex-presidente, carga cultural neoliberal sólida. E com todo o preconceito da Casa Grande. Para onde vamos? Bem, certamente nós saímos da rota neoliberal desde que o presidente Lula assumiu, desde que o PT, hegemonizando um amplo arco de alianças, derrotou o projeto que estava levando o Brasil a passos acelerados para o fundo do poço. Não bastasse nada, é só lembrar o fato das três idas ao FMI.

Por aquele caminho não vamos mais. O caminho celerado das privatizações, pródigo em escândalos bilionários, e que desestruturou boa parte da força do Estado brasileiro. Ainda bem que o nosso povo teve a sabedoria em 2002 de eleger Lula. E em 2006 soube repetir a dose, para o bem de todos e felicidade geral da Nação. Com essa sabedoria, o ex-presidente não pôde privatizar a Petrobras, Banco do Brasil, Banco do Nordeste, Caixa Econômica, Furnas, o que restava de força do Estado para enfrentar crises e alavancar o desenvolvimento do País.

O pior é que depois do desastre de seu governo ele – e isso está dito em seu artigo – ainda quer acreditar que o governo Lula é uma espécie de continuidade de seu governo. É o tal do pensamento desejoso. Quantas estatais o governo Lula privatizou? Quantas vezes fomos ao FMI? Quantas vezes o país tremeu por conta das crises mundiais?

Não, nada a ver. O governo Lula tem outra orientação política, outra estratégia, em todos os campos. Inclusive na sua relação com o resto do mundo, e por isso o presidente Lula é tão admirado no exterior, para desespero do ex-presidente, e daí sua inveja profunda.

Curioso, interessante, irônico, trágico não fosse, é ler o ex-presidente dizer que nossos ideais democráticos estão ameaçados. Ameaçados por quem? Talvez ele não se recorde das patas dentadas dos tanques invadindo a Petrobras para reprimir uma greve de trabalhadores em 1995. Sua vocação autoritária ali ficou mais do que evidente. O governo Lula representa o mais alto momento democrático do Brasil. Um presidente que tem a lucidez de dizer que apesar de duramente criticado por boa parte da imprensa sempre defenderá a liberdade dos meios de comunicação.

O ex-presidente não é muito original, é verdade. O texto deixa trair, para além da inveja, uma saudade imensa do Corvo. Ele gostaria de ser um Lacerda. Não o é. Um foi a tragédia, outro, a farsa. Representa o que tenho chamado de udenismo tardio. Parece que estamos ouvindo ecos de um tempo que, esperamos, não volte nunca mais.

O toque de reunir para o golpe de 64, a argamassa ideológica, centrou-se no que se chamava República Sindical. O ex-presidente ocupa a praça, com seu texto, com a mesma cantilena. Perigosos sindicalistas estariam no topo do comando do Estado. Antes, misturavam sindicalistas e comunistas. Faltou isso. Mas, aí ficava muito deselegante.

Lamenta, e muito, a presença do povo. E fala de um “autoritarismo popular”. Vamos e venhamos: o ex-presidente já foi melhor no manuseio dos conceitos. Há um momento que chego a ficar perplexo ao ler a seguinte frase: “Diferentemente do que ocorria com o autoritarismo militar, o atual não põe ninguém na cadeia”. Trata-se de um elogio? Ou de um lamento? Era pra botar quem na cadeia? E governo democrático coloca alguém na cadeia? Ou toma as providências para que os corruptos sejam encaminhados à Justiça e de lá, então, saiam as sentenças que não permitam a impunidade?

Felizmente, o povo brasileiro é sábio. Sabe o governo que tem. O presidente que tem. E sabe que, apesar dos enormes problemas que ainda nos desafiam, este é o governo que mais fez e está fazendo pelo povo brasileiro ao longo de toda a nossa história.

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