Dona Canô. Quando uma mãe tem que se desculpar pelos pecados do filho

Rodrigo Veloso, ele me contou do seu passado de militância política junto ao PT. Falou da simplicidade do presidente Lula e declarou que mesmo depois de eleito, ele sempre fez questão de visitar sua mãe e dar-lhe um afetuoso abraço.
Rodrigo Veloso, ele me contou do seu passado de militância política junto ao PT. Falou da simplicidade do presidente Lula e declarou que mesmo depois de eleito, ele sempre fez questão de visitar sua mãe e dar-lhe um afetuoso abraço.
Rodrigo Veloso, ele me contou do seu passado de militância política junto ao PT. Falou da simplicidade do presidente Lula e declarou que mesmo depois de eleito, ele sempre fez questão de visitar sua mãe e dar-lhe um afetuoso abraço.
Rodrigo Veloso, ele me contou do seu passado de militância política junto ao PT. Falou da simplicidade do presidente Lula e declarou que mesmo depois de eleito, ele sempre fez questão de visitar sua mãe e dar-lhe um afetuoso abraço.

A minha juventude foi influenciada pelas músicas de Caetano, Gil, Chico, Vinícius… Até hoje tenho certa dificuldade em ouvir o axé, o pagode e todos estes ritmos modernos, repletos de letras vazias e de rimas fáceis. Confesso-lhes que sempre coloquei Caetano Veloso em uma condição de modelo de pensamento intelectivo. Lamentavelmente, percebo que na verdade, apenas consumi um produto midiatizado.

Há algum tempo atrás, assistindo a um programa de entrevista com Veloso, na tevê a cabo, Globo News. Observei-o derramando lágrimas, explicando que ficou profundamente magoado quando um jornalista do eixo sudeste, xingou sua mãe, Claudionor Vianna Teles Veloso. Fez a seguinte pergunta: O que fez a minha mãe a este jornalista para ele agredi-la?

Pensei comigo mesmo. Este é um ser humano sensível, que tem amor à vida e respeita suas raízes. Mas, a verdade é que, ao chamar o presidente Lula de analfabeto, desnudou sua alma pequena, seu jeito pouco educado, sua falta de apreço às raízes nordestinas. Pior, encheu-se do mais lamentável sentimento – preconceito.

Fosse Lula um analfabeto, e no sentido filosófico, todos nós somos, inclusive Caetano Veloso. Que demonstrou com tal afirmação, ser um completo analfabeto e alienado político. Talvez, por ter perdido seu engajamento quando o muro de Berlim ruiu, ou quando foram anistiados os expatriados brasileiros. Afinal, a muito suas letras deixaram de expressar a alma brasileira e apenas repete-se em seus antigos e sempre belos poemas/líricos, o sucesso alcançado nos tempos de ditadura. Talvez, se Lula ao invés de nomear Gilberto Gil, tivesse nomeado ministro Caetano, teria ele evitado proferir tamanha incontinência verbal? Não sei ao certo.

Compartilho com vocês, um fato curioso a respeito da relação do presidente com os Veloso. Lula, ao longo de sua jornada política, sempre que visitava Santo Amaro da Purificação, passava na residência da matriarca dos Veloso. Lembro-me de ter visitado dona Canô para realizar fotografias publicitárias para uma campanha de prevenção ao câncer. Nas paredes entre as inúmeras fotos, três me chamaram a atenção. Uma com o falecido senador Antônio Carlos Magalhães e duas, com dedicatórias do presidente Lula a Dona Canô.

Conversando com Rodrigo Veloso, ele me contou do seu passado de militância política junto ao Partido dos Trabalhadores de Santo Amaro. Falou da simplicidade do presidente Lula e declarou que mesmo depois de eleito, ele sempre fez questão de visitar sua mãe e dar-lhe um afetuoso abraço.

Caetano Veloso está certo em se orgulha da mãe que tem. Uma sertaneja de baixa estatura física, mas de uma alma incomensurável, de sorriso afetuoso, religiosa e caridosa. Neste momento, Caetano deve estar a verter lágrimas de arrependimento, não por terem ofendido sua mãe. Mas, por ter sido ele próprio a ofendê-la. É triste quando homens envelhecem e ao invés de tornarem-se sábios. Viram tolos fanfarrões, obrigado seus pais, idosos, a pedirem desculpas pelos seus pecados.

Dona Canô redigiu uma carta de desculpa ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Seu filho Rodrigo, disse que Veloso é assim, o avesso do avesso. Para mim, e para a maioria das pessoas, acredito. Mesmo que Lula fosse um analfabeto, o que não é, pois o considero um gênio. Seria a nossa culpa, enquanto cidadãos, por não termos construído uma sociedade onde todos tem acesso a educação.

A propósito, foi justamente o presidente metalúrgico, e não o presidente professor/doutor, que dobrou o número de vagas nas universidades federais, criou um programa de inclusão universitária para pessoas de baixa renda e reformou o sistema de ensino profissionalizante. Também foi o metalúrgico que não expulsou o FMI do Brasil, fez melhor, colocou no bolso.

Fica um conselho a você, Caetano Veloso, volta para casa e passa um tempo ao lado da sua mãe e aprende com ela lições de bons modos, perseverança, afeto e tão ou mais importante, respeito.

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Sobre Carlos Augusto 9607 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).