Declaração à Imprensa do Presidente da República, Lula, por ocasião da visita do Presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas

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Lula: Os cerca de dez milhões de brasileiros descendentes de árabes contribuem para o progresso do Brasil e orgulham-se de conviver com uma comunidade judaica vibrante e ativa, da qual faz parte o nosso querido governador Jacques Wagner.
Lula: Os cerca de dez milhões de brasileiros descendentes de árabes contribuem para o progresso do Brasil e orgulham-se de conviver com uma comunidade judaica vibrante e ativa, da qual faz parte o nosso querido governador Jacques Wagner.
Lula: Os cerca de dez milhões de brasileiros descendentes de árabes contribuem para o progresso do Brasil e orgulham-se de conviver com uma comunidade judaica vibrante e ativa, da qual faz parte o nosso querido governador Jacques Wagner.
Lula: Os cerca de dez milhões de brasileiros descendentes de árabes contribuem para o progresso do Brasil e orgulham-se de conviver com uma comunidade judaica vibrante e ativa, da qual faz parte o nosso querido governador Jacques Wagner.

Declaração à Imprensa do Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, Salvador – BA, 20 de novembro de 2009.

Excelentíssimo senhor Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Nacional Palestina,

Companheiro Jaques Wagner, governador do estado da Bahia,

Embaixador Riad Al Malik, ministro das Relações Exteriores, em nome de quem saúdo os demais integrantes da delegação da Autoridade Palestina,

Ministro Celso Amorim, em nome do qual cumprimento a delegação brasileira,

Embaixadoras, embaixadores,

Amigos jornalistas,

Amigos da Bahia,

É uma grande honra receber o presidente Mahmoud Abbas em Salvador, por ocasião da celebração do Dia da Consciência Negra no Brasil.

Nesta data de conscientização e valorização de nosso rico passado étnico-cultural, queremos transmitir uma mensagem de paz, tolerância e igualdade para todas as vítimas de discriminação e de preconceito no mundo.

Nada mais simbólico do que realizar esta celebração na primeira capital do Brasil, onde a formação da nação brasileira é revelada em toda a sua complexidade.

Nada mais simbólico do que contarmos com o privilégio da presença do presidente Abbas, um defensor da causa e dos direitos do povo palestino.

Senhor Presidente,

Não é só sangue negro que corre nas veias do povo brasileiro. A identidade árabe também está inscrita em nosso DNA. A contribuição trazida pelos imigrantes árabes permanece forte em nossa cultura e na maneira de ser dos brasileiros.

Os cerca de dez milhões de brasileiros descendentes de árabes contribuem imensamente para o progresso do Brasil e orgulham-se de conviver com uma comunidade judaica vibrante e ativa, da qual faz parte o nosso querido governador Jacques Wagner.

Nossa política externa reflete essa diversidade e pluralismo. São de longa data as relações do Brasil com o Oriente Médio, particularmente com os povos árabes e com o povo palestino em especial. Essas relações, sustentadas no passado por vínculos humanos, têm-se intensificado nos últimos anos. Isso não é obra do acaso, mas reflexo da importância política e econômica atribuída pelo Brasil à região, amparada em laços afetivos de cooperação e amizade.

Para citar alguns exemplos concretos, abrimos Escritório de Representação em Ramalá, criamos o cargo de Embaixador Extraordinário para o Oriente Médio e ajudamos a realizar a Cúpula América do Sul-Países Árabes.

Ao mesmo tempo, nosso comércio com o Mundo Árabe quadruplicou, desde 2002. Um futuro acordo de livre-comércio entre Mercosul-Palestina reforçará esses vínculos.

O Brasil sediará uma conferência econômica dirigida à diáspora palestina e às comunidades empresariais ibero-americanas, para fomentar investimentos e negócios na Palestina.

Presidente Abbas,

A paz e a estabilidade no Oriente Médio interessam à Humanidade. E tudo que interessa à Humanidade não nos é alheio. O Brasil quer ajudar a construí-la. Estou convencido de que o processo de paz se beneficiará da contribuição de outros países, além dos que tradicionalmente estiveram envolvidos.

A paz justa e duradoura na região depende do estabelecimento de um Estado palestino próspero, coeso e sem restrições, que garanta a segurança de Israel e que tenha seus direitos e os de sua população respeitados. A comunidade internacional não pode se conformar com menos do que isso.

A expansão dos assentamentos na Cisjordânia deve ser congelada. As fronteiras do futuro Estado palestino devem ser preservadas. Os palestinos devem ter maior liberdade de circulação nos Territórios Palestinos Ocupados. A situação humanitária na Faixa de Gaza é insustentável. A dignidade humana não pode continuar a ser ignorada.

O Brasil acredita que não se chegará ao entendimento por meio da exclusão e do isolamento. Advogamos o diálogo com todas as partes que genuinamente querem construir um futuro melhor para as próximas gerações.

Encorajo a Autoridade Nacional Palestina a seguir buscando a unidade de seu povo e um ambiente de convivência democrática. Aqueles que se amparam em dogmas inabaláveis semeiam a discórdia e fomentam, na verdade, a permanência do conflito.

Senhor Presidente,

O Brasil considera que o desenvolvimento é o principal antídoto contra o radicalismo e a desesperança. Respaldamos com contribuições concretas nosso interesse em participar mais ativamente das discussões para a estabilidade do Oriente Médio. Dentro de nossas limitações, fizemos recentemente duas doações importantes.

Em 2007, na Conferência de Paris, ofertamos US$ 10 milhões à Autoridade Nacional Palestina, uma das maiores contribuições dentre os países em desenvolvimento não-islâmicos. Esses recursos têm sido empregados na Cisjordânia, em projetos de cooperação nas áreas de saúde, infraestrutura e educação.

Em março último, anunciamos nova doação, em valor equivalente, desta vez para a reconstrução de Gaza. Compartilhamos o sofrimento de sua população, duramente atingida pelo conflito do início do ano e pela terrível escassez decorrente do bloqueio que lhe é imposto.

Em conjunto com a Índia e a África do Sul, levamos adiante o projeto, financiado pelo Fundo Ibas, de construção do um centro esportivo em Ramalá.

Meu querido Abu Mazen,

Como tive oportunidade de dizer ao presidente Shimon Peres, não precisamos inventar soluções mágicas para a questão palestina. Os caminhos são conhecidos.

E Vossa Excelência é parte do patrimônio construído ao longo de anos de negociação. Sua dedicação, moderação e liderança injetam ânimo e confiança nos que acreditam num Oriente Médio em paz. A persistência é o único caminho contra o conformismo.

Confio em que Vossa Excelência continuará a colocar os interesses e os direitos do povo palestino acima de seus próprios. O Brasil estará sempre ao lado dos que preferem o diálogo e a persuasão.

Com essa convicção, peço a todos que a gente possa, daqui do Brasil, ficar torcendo para que o presidente Mahmoud Abbas  e o povo palestino possa, junto com o povo de Israel, encontrar definitivamente a paz, porque o mundo precisa dela.

“Salámu Alêikum!”, Que a paz esteja com todos.

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