A terceira revolução industrial: energia eólica, geotérmica e solar

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O Jornal Grande Bahia (JGB) é um site de notícias com publicações que abrangem as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador, dirigido e editado pelo jornalista e cientista social Carlos Augusto.
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Um gigantesco parque eólico offshore no mar do Norte, uma grande usina geotérmica perto de Hannover e um projeto bilionário de energia solar no deserto. A Alemanha enfrenta, em grande estilo, os desafios da mudança climática com alta tecnologia verde.

A Alemanha está surfando na onda verde. A indústria ambiental irá se transformar, até o ano 2020, no mais importante ramo e, assim, na máquina de empregos do país. “A tecnologia ambiental é a indústria guia do século 21”, diz Burkhard Schwenker, presidente da empresa de consultoria Roland Berger. Os consultores analisaram as perspectivas do ramo e ouviram 1300 empresas e 200 instituições de pesquisa. O resultado é motivo para esperanças impressionantes. O faturamento da indústria ambiental mundial deverá mais que dobrar até o ano 2020, alcançando 3100 bilhões de euros. E a Alemanha está marchando bem à frente, graças a seus campeões verdes. Negócios com sol, vento e água são hoje vitoriosos bens de exportação.

Empresas alemãs estão entre as líderes tecnológicas mundiais. Suas fatias no mercado internacional, em ramos promissores como o fotovoltaico, o termo-solar e o de energias eólica e hidráulica, estão entre 21 e 35%. Na produção de biogás, a Alemanha domina o mercado. “90% das instalações são fabricadas em nosso país”, diz o consultor Torsten Henzelmann. No ano 2020, 14% do produto interno bruto alemão virão da conta do novo ramo. Em uma década, 2,2 milhões de pessoas encontrarão trabalho no setor. No momento, o número está pela metade, com 1,1 milhão de postos de trabalho.

A economia, consequentemente, está diante de uma mudança profunda. Não será mais a indústria automobilística, nem a química, nem a mecânica que irá marcar o país, mas sim a alta tecnologia verde. Ela gerará empregos e bem-estar. Fato é que, há tempos, a alta tecnologia verde deixou de ser um nicho para tornar-se o centro das atenções. Nesta evolução, o movimento ecológico dos primeiros anos favoreceu o sucesso, sem dúvida. Ele preparou o terreno na sociedade e na formação política. Leis ambientais rigorosas e apoio, na forma de subvenções, contribuíram para o despontar das empresas ambientais. “A tecnologia ambiental é um dos filhos mais queridos da política e recebe o correspondente apoio”, diz Henzelmann.

Afinada com o espírito da contemporaneidade, a habilidade engenheira alemã pôde desdobrar-se e comprovar sua maestria numa série de áreas: energias renováveis, eficiência em matérias-primas e em materiais, mobilidade sustentável, economia hídrica ecológica e eliminação de resíduos. A tecnologia verde made in Germany disputa sempre a dianteira. Os Estados Unidos e a China, entretanto, estão recuperando terreno, diz Dietmar Edler, do Instituto Alemão de Pesquisa Econômica (DIW) de Berlim. “A Alemanha poderá manter sua posição competitiva. Sua vantagem tecnológica e seu know how são apreciáveis”.

Como os lucros no ramo ambiental são atraentes, investidores privados destinam cada vez mais recursos para a tecnologia verde. Empresas start up associam-se a indústrias consolidadas. Elas colocam no ramo seu capital e sua experiência. A empresa de autopeças Bosch, por exemplo, declarou a tecnologia ambiental como um novo pilar de existência e está engajando-se, com altas somas, em firmas do setor. Mesmo representantes da velha economia não demonstram medo algum de interagir no setor ambiental. Assim, a indústria suábia Voith, um conglomerado familiar, com seus orgulhosos 140 anos, está realizando um projeto de geração de energia a partir das ondas do mar na costa da Escócia.

A Siemens, um dos maiores global players alemães e também já com 160 anos de idade, igualmente reconheceu a tendência, designando ultimamente a si própria “o maior conglomerado de infraestrutura verde do mundo”. Sob a palavra de ordem “ Complete Mobility”, a empresa de Munique se faz presente em todo o mundo quando se trata de eficiência energética. No Estado da Renânia do Norte-Vestfália, sob o título “Ruhr pilot”, acontece o maior projeto europeu de gestão de trânsito. Em metrópoles como Oslo e Lisboa, a Siemens atua no transporte público urbano. E o conglomerado está entre a dúzia de renomadas firmas que propuseram o visionário projeto Desertec.

A ideia é ousada. O sol no Saara resolverá problemas energéticos. No deserto do norte da África, espera-se produzir energia sem CO2, que deverá satisfazer 15% das necessidades da Europa e grande parte da demanda nos países produtores. Os custos do projeto são estimados em aproximadamente 400 bilhões de euros. O início das obras ainda está em aberto. A energia deverá ser obtida em usinas termo-solares. Neste processo, a luz solar refletida por espelhos aquece um meio condutor de calor em tubos. Através de uma nova rede de condutores, a eletricidade será transportada por 3 mil quilômetros à Europa. Com seu alto grau de eficiência e os baixos custos de geração de eletricidade com tecnologias solares, usinas termo-solares já oferecem potencial para produzir, em médio prazo, eletricidade em regiões próximas à linha do Equador a custos comparáveis aos das usinas a combustíveis fósseis. Em outubro, deverá ser fundada a empresa planejadora do empreendimento. “Tanto o potencial ecológico quanto o econômico são enormes”, diz Torsten Jeworrek, membro do conselho diretor da Münchner Rück, uma das impulsionadoras do projeto.

A tecnologia necessária já pode ser vista em Jülich, cidade próxima a Aachen, mesmo que ainda em proporções modestas. Lá entrou em operação em agosto uma inédita usina solar: 2500 espelhos conduzem a luz do Sol para o topo de uma torre com 50 metros de altura. Nela, a energia solar é transformada em eletricidade. “Um portão para o futuro das energias regenerativas”, diz o ministro do Meio Ambiente, Sigmar Gabriel. Por ano, a instalação, que custou 22 milhões de euros, deverá colocar 1,5 megawatts na rede: o suficiente para abastecer 350 residências.

A busca por energias renováveis permanece como um dos maiores desafios da atualidade. Pesquisa-se e desenvolve-se em todas as direções, em geral com participação dos grandes conglomerados de energia, como no caso do primeiro parque eólico em alto-mar, o Alpha Ventus, 45 quilômetros ao norte da ilha Borkum, no mar do Norte. Nos próximos anos, devem surgir nos mares do Norte e Báltico, instalações com até 40 mil megawatts de potência. Elas irão abastecer então oito milhões de residências com eletricidade.

Sol, vento e água já são empregados para a geração de energia. O calor do interior da Terra desponta igualmente como alternativa. Esta auspiciosa tecnologia chama-se geotermia. O governo alemão dotou um programa de fomento a ela com 400 milhões de euros. Em 2008, o número de profissionais nesta área dobrou, de cerca de 4500 para 9100. Perto de Hannover, está nascendo uma usina geotérmica, na qual calor do interior da Terra é trazido à superfície. Um propósito sedutor, uma vez que a fonte de energia é inesgotável e o calor está disponível a qualquer tempo, ao contrário do Sol e do vento.

Em junho de 2009, o projeto piloto GeneSys começou a realizar as primeiras perfurações. Em quatro anos, a usina deverá estar extraindo do solo dois megawatts de energia calorífica. Os tubos irão penetrar quatro quilômetros até encontrar o calor. A cada quilômetro, a temperatura no interior da Terra sobe cerca de 30 graus. Mas como transformar o calor em energia? A usina geotérmica bombeia água até as profundezas, onde é aquecida pelo calor da Terra até aproximadamente 150 graus. Depois, é conduzida novamente para cima, onde aquece prédios. O projeto visa economizar 15 milhões de euros em combustíveis. Se tudo correr bem com o experimento, “teremos conquistado um modelo para grandes áreas da Europa”, diz o gerente do projeto, Michael Kosinowski.

Seja qual for a tecnologia verde pesquisada e testada pelos conglomerados alemães, tem-se sempre o mercado mundial em vista. Os prognósticos para o setor ambiental apontam ricas chances mundialmente. Os indícios disso são claros. A população mundial não para de crescer, mas os recursos naturais são esgotáveis. No ano 2030, dois terços da população viverá em metrópoles, que terão de administrar gigantescos desafios ecológicos. Se os países emergentes superarem o atraso industrial e o bem-estar social global crescer, a demanda por energia limpa e mobilidade ambientalmente sustentável aumentará obrigatoriamente e a proteção ao clima ganhará um valor ainda maior.

Com o presidente Barack Obama, os Estados Unidos também apostam pesado em energia verde. Até 2025, 25% da eletricidade deverá vir de fontes energéticas renováveis – brilhantes chances de vendas de fotocélulas e cata-ventos made in Germany. A eficiência de tais instalações cresce continuamente, enquanto os custos caem dramaticamente. E não está longe o dia em que serão competitivas. “Logo que as energias renováveis tiverem preços compatíveis com os das energias tradicionais, a demanda por elas explodirá”, acredita Torsten Henzelmann, da Roland Berger.

A atual crise econômica mundial poderia prejudicar um pouco os campeões verdes. Entretanto, alguns estão até lucrando com ela. Finalmente eles têm maior facilidade para encontrar engenheiros. E ainda mais importante: os governos elaboram pacotes conjunturais contra a recessão, com critérios ecológicos. Praticamente não há país em que não exista um programa de fo mento às tecnologias verdes.

Os EUA, por exemplo, estão investindo 112 bilhões de dólares em tecnologias verdes. O aperfeiçoamento de automóveis híbridos e a pesquisa de baterias de alto rendimento estão no centro das atenções. A China está destinando quase 20 bilhões de dólares às tecnologias ambientais. Pacotes conjunturais da Europa colocaram à disposição seis bilhões de euros para energias renováveis, 3,5 bilhões para a infraestrutura energética, 500 milhões para instalações eólicas offshore, sete bilhões para eficiência energética, isto é, automóveis, prédios e fábricas mais econômicos. O governo alemão aplicará de 2009 a 2011 o total de 500 milhões de euros em pes quisa na área da mobilidade elétrica. O investimento visa tecnologias-chave para a integração de veículos elétricos e híbridos em redes de trânsito.

O potencial para tecnologias pobres em emissões para os automóveis é enorme, enfatiza a consultoria de empresas McKinsey. Em breve, o faturamento no setor poderá chegar a 325 bilhões de euros. Os consultores preveem crescimento anual de 30%. Veículos híbridos, nos quais um motor elétrico apoia um motor a combustão, deverão, segundo eles, responder no ano 2020 por 16% a 24% do mercado. O motor a combustão vem igualmente sendo aperfeiçoado em sua eficiência. Os componentes para a redução do consumo geram um movimento de 30 a 35 bilhões de euros. Afinal, automóveis elétricos e os chamados veículos híbridos plug in (a bateria pode ser carregada a partir da rede elétrica) irão ter igualmente um papel significativo para a indústria automobilística.

“O futuro, isto é certo, pertence aos automóveis elétricos, sem emissões”, confirma o presidente da Volkswagen, Martin Winterkorn, que lançou o Golf Twin Drive em Berlim, que é também a capital da e-mobilidade. A Mercedes está testando na cidade, com a RWE, o Smart elétrico, e a BMW, com a Vattenfall, o Mini E, com uma tomada atrás da tampa amarela do tanque. Os fabricantes estão investindo maciçamente em tecnologias para baterias, embora, durante muito tempo, tenha parecido que os japoneses estavam muito à frente. “Se tudo continuar a correr como agora, a Alemanha tem boas chances de integrar a liderança mundial no desenvolvimento do carro elétrico”, diz Martin Winter, professor de ciências de materiais.

Não há dúvida: ecológico é in. Ecológico cria empregos. Mesmo conglomerados automobilísticos, que reduzem seus quadros de pessoal, procuram engenheiros eletricistas que os ajudem a preparar-se para a era pós-motor a combustão. Para bons profissionais, as campeãs do setor verde são um campo recompensador, diz o consultor Henzelmann: “É possível subir na carreira mais depressa do que nos ramos clássicos da engenharia. Pode-se fazer mais e assumir responsabilidades mais rapidamente”.

*Com informações de Deutschland Magazine

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