23 de novembro. Aniversário de Sathya Sai Baba

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Aqueles que empreendem a longa viagem do seu local de moradia à distante vila de Puttaparthi, não deixam de tentar entender o mistério: quem é Sai Baba?

Estava João Batista preso, a mando de Herodes, e, do cárcere enviou dois dos seus discípulos a perguntar à Jesus: “És tu aquele que havia de vir, ou devemos esperar outro?” (Mateus 11:3)

E Jesus, respondendo, disse-lhes: “Ide e anunciai a João as coisas que ouvis e vedes: os cegos vêem e os coxos andam, os leprosos são limpos e os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados, e aos pobres é anunciada a boa nova” (Mateus 11: 4-5).

Disse também Jesus, profetizando sobre aqueles que viriam em seu nome: “Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço, e as fará maiores do que estas, porque eu vou para meu Pai (João 14:12).

Assim, quase dois mil anos depois, em 23 de novembro de 1926, nasceu Sathya Sai Baba, numa pequena vila no sul da Índia, chamada Puttaparthi, para cumprir as promessas do Cristo.

Esse misterioso menino desde pequeno se destaca entre os demais, pela sua devoção a Deus e os prodígios que realizava. Na sua pequena aldeia ainda existe uma tamarineira de onde ele extraia qualquer fruta que seus amiguinhos desejassem. Essa “árvore dos desejos” hoje é local de peregrinação devocional e de rogos.

Certa vez, o seu pai lhe perguntou: “quem é você?” O menino Sathya colheu algumas flores e as jogou ao chão. As flores formaram as seguintes palavras em télegu (língua local): “Eu sou Sai Baba”, que significa “Mãe e Pai Divinos”.

Sai Baba inicia o seu apostolado ainda criança (1940), quando, ao retornar mais cedo da escola joga os livros no chão, frente à sua cunhada, e anuncia: “Eu sou Sai Baba. Vou partir. Maya (a ilusão) saiu de mim e meus devotos estão me esperando. Não posso ficar nesta casa nem mais um instante”.

Desde então, vários prodígios acompanham a missão deste avatar (encarnação divina) que vive para a caridade. O seu lema é: “a todos servir, a todos amar”.

O primeiro homem inglês que visitou a vila de Puttaparthi — durante a colonização britânica — foi um suboficial de Divisão do Exército, chamado Horsley. Voltava para casa, depois de ter caçado à tiros um tigre. O seu carro quebrou ao cruzar o arenoso rio Chitravati. Moradores do lugar o aconselharam a pedir ajuda ao jovem mestre que vivia ali perto.

Frente ao inglês, Sai Baba lhe comunica que havia matado à uma tigresa, e que seus três famintos filhotes estavam chorando. Disse-lhe que precisava retornar ao lugar da caça e levar as crias a algum zoológico e que, a partir de então, deveria parar de matar à tiro os animais.

Sai Baba deu vibuti (cinza sagrada) ao suboficial inglês, para que o espalhasse em volta do veículo. Horsley fez como o indicado e seu automóvel andou. Impressionado com os acontecimentos, se deu conta de seu erro. Nunca mais voltou a usar arma de fogo, seguiu as instruções de Baba e recolheu os filhotes de tigre, e presenteou a pele da tigresa ao avatar. Esta pele ornamenta até hoje o solo onde está situada a cadeira de Sai Baba, no mandir (templo) do ashram Prashanti Nilayam.

Quem divulgou o mestre espiritual indiano para o mundo foi o escritor australiano Howard Murphet, no seu livro “Sai Baba – O Homem dos Milagres”, que chegou ao Brasil pela tradução de um ilustre devoto, o Professor Hermógenes. Profícuo em enumerar os prodígios realizados por Baba, o livro de Murphet é leitura obrigatória àqueles que desejam saber quem é Swami Sathya Sai Baba.

Sobre os milagres que realiza, o Avatar diz que “algumas vezes, para revelar quem sou, eu mesmo mostro a vocês meu ‘cartão de visitas’, algo que vocês chamam de milagre”.

Frase semelhante havia usado Jesus: “Se, porventura, não virdes sinais e prodígios, de modo nenhum crereis” (João 4:48).

Sai Baba é Deus? Essa pergunta é repetida inúmeras vezes. A qual ele responde: “Eu Sou Deus, mas vocês também o são; a diferença é que eu seidisso e vocês não!”

Em um passado distante, os judeus tentaram matar Jesus, dizendo-lhe: “Não te apedrejamos por alguma obra boa, mas pela blasfêmia; porque, sendo tu homem, te fazes Deus a ti mesmo”.  Respondeu-lhes Jesus: “Não está escrito na vossa lei? Eu declarei: vós sois deuses, todos vós sois filhos do Altíssimo” (João 10: 33-34 e Salmos 82: 6).

Dessa maneira, Jesus Cristo e Sai Baba vieram ao mundo para revelar a essência divina em nós mesmos, e nos reconduzir à casa do Pai.

Todavia, aqueles que empreendem a longa viagem do seu local de moradia à distante vila de Puttaparthi, não deixam de tentar entender o mistério: quem é Sai Baba?

Este que vos escreve só teve a sua mente e coração apaziguado quando ouviu (leu) do próprio Avatar: “vocês não precisam perder tempo tentando compreender a mim e à minha natureza. Compreendam o que eu ensino, e não ‘quem’ é o professor, pois estou além de seu intelecto e de sua shakti (porção do poder divino no indivíduo). Vocês irão me compreender apenas através do meu trabalho”.

E qual é o trabalho (missão) de Sathya Sai Baba? Bem, para entender, vamos fazer um breve relato da sua trajetória: em 1950 os seus seguidores (devotos) indianos iniciaram a construção do ashram Prashanti Nilayam — que significa “a morada da paz celestial”. Em 1960, o movimento foi institucionalizado na Organização Sathya Sai Baba, e se ramificou pelo mundo.

Os ensinos de Sai Baba são supra-religiosos. É ilustrativo que o seu dístico reúna os símbolos das seis grandes tradições religiosas do mundo: cristianismo, islamismo, budismo, zoroastrismo, judaísmo e hinduísmo.

No cotidiano do ashram de Puttaparthi, se irmanam pessoas de todos os credos, todas as religiões: hinduístas, budistas, mulçumanos, cristãos, judeus, sikhs, parsis… Um amigo baiano comparou Prashanti Nilayam à uma ONU espiritual. Todos vêm ouvir a mensagem de Sai Baba, que ele sintetiza: “só há uma religião, a Religião do Amor”.

E o amor de Sai Baba pelos semelhantes se realiza através de uma grande rede de serviços para a caridade, que envolve hospitais, escolas de ensino fundamental e médio, faculdades e a universidade Sai. Todos esses serviços são gratuitos e disponíveis especialmente para os mais necessitados.

Sai Baba é aquela personalidade que pode ser classificada como um “empreendedor social”. A Organização Sai desenvolve projetos de erradicação da pobreza no sul da Índia, que já beneficiou seis milhões de pessoas, que foram atendidas por acesso à água potável em suas residências e áreas de plantio. Mesmo em idade provecta, Sai Baba é um zeloso gestor dos programas desenvolvidos em seu nome, em toda a Índia.

As organizações Sai pelo mundo buscam realizar, dentro das suas possibilidades, ações de promoção social nas áreas de saúde e educação.

O movimento Sai se destaca particularmente no campo educacional, pois Sai Baba é criador de um paradigma pedagógico: Educação em Valores Humanos, adotado pelo governo indiano na rede oficial de ensino.

São cinco os pilares da Educação em Valores Humanos: amor (prema), verdade (sathya), paz (shanti), retidão (dharma) e não violência (ahimsa).

Na Índia, gerações e gerações de jovens se graduam nas faculdades e universidade Sai para prestarem serviço público, imbuídos da ética universal de praticar o bem e servir ao próximo, moralizando a administração pública daquele país.

Porém, a principal missão de Bhagavan Sri Sathya Sai Baba é de nos reconduzir a Deus, despertar o divino que reside em nós. Para que possamos conquistar a felicidade e a paz.

“Se você deseja Deus, terá que desenvolver a sagrada qualidade do Amor. Somente através do amor você estará apto a experienciar Deus, que é o próprio Amor.”

Obrigado, Swami, por estares na Terra entre os filhos seus. Parabéns pelo seu aniversário.

OM SAI RAM!

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Sobre Juarez Duarte Bomfim 756 Artigos
Baiano de Salvador, Juarez Duarte Bomfim é sociólogo e mestre em Administração pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), doutor em Geografia Humana pela Universidade de Salamanca, Espanha; e professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Tem trabalhos publicados no campo da Sociologia, Ciência Política, Teoria das Organizações e Geografia Humana. Diversas outras publicações também sobre religiosidade e espiritualidade. Suas aventuras poético-literárias são divulgadas no Blog abrigado no Jornal Grande Bahia. E-mail para contato: juarezbomfim@uol.com.br.