Votação da ONU pelo fim ao bloqueio cubano continua repercutindo

Representante Permanente de Cuba nas Nações Unidas, Pedro Juan Núñez Mosquera e Ban Ki-moon, secretário-geral da ONU.

Representante Permanente de Cuba nas Nações Unidas, Pedro Juan Núñez Mosquera e Ban Ki-moon, secretário-geral da ONU.

Dois dias depois, a votação da 18ª reunião da Assembleia Geral das Nações Unidas para debater a resolução que pede o fim do bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos contra Cuba continua repercutindo. Dos 192 países membros da Organização das Nações Unidas (ONU), apenas Estados Unidos, Israel e Palau votaram novamente contra. O número dos que condena o embargo chegou a 187, já que dois países se abstiveram.

Segundo Beto Almeida, jornalista brasileiro, o elevado número de apoiadores do fim do bloqueio representa um chamado contundente ao presidente Barack Obama para que acabe com esta política criminosa.

“Esta abrumadora votação na Assembleia Geral da ONU soa como um estrondoso apelo irrecusável a Obama para que termine definitivamente este bloqueio criminoso, inclusive para que esteja em sintonia com o Prêmio Nobel da Paz 2009 que recebeu recentemente”, falou Almeida ao periódico ‘5 de septiembre’.

Obama foi eleito anunciando diversas mudanças, no entanto segundo Nildo Ouriques, professor do Instituto de Estudos Latino-americanos (IELA), com sede em Santa Catarina, os 187 votos não representam nenhuma pressão para os Estados Unidos mudarem a postura quanto ao bloqueio.

“Os Estados Unidos não deram a menor importância para isso. A decisão de manter ou não o bloqueio continua sendo totalmente unilateral. Quem dá importância para a ONU é uma arena liberal e ingênua. Não podemos criar ilusões com o direito internacional”, pontua.

Em um ato televisionado, fazendo coro ao pedido da ONU, Hugo Chávez clamou a Obama o encerramento do bloqueio. Ao comentar o voto dos Estados Unidos o presidente venezuelano se perguntou se Barack Obama merecia realmente o prêmio Nobel da Paz. “Esta é uma prova, deveria decretar o fim do bloqueio criminoso contra o povo cubano mas não, votaram contra. O mundo todo se pronuncia na contramão do bloqueio”, apontou Chávez.

Também a Comissão Nacional de Organizações Sociais do Uruguai (CO.N.O.S.UR.) manifestou seu descontentamento com a atitude estadunidense. Em Declaração divulgada no próprio dia 28 e intitulada “Siempre com Cuba”, a Comissão prestou solidariedade ao governo e ao povo cubano. “Somamo-nos às vozes do mundo contra o genocida bloqueio, contra o miserável “embargo”. Tudo isso custou a Cuba mais de 100 mil milhões de dólares, que obviamente não refletem o impacto real na economia da ilha, e menos ainda se pode medir o sofrimento humano que provocou”, esclarece a Declaração.

Em um artigo de opinião publicado no diário ‘El Siglo’, o jornalista Garrit Geneteau, pontuou que este clamor aos Estados Unidos vem de todas as partes e não somente do continente latinoamericano, já que a medida indispõe as relações dos EUA com seus aliados por esta “obcecada atitude terrorista de bloqueio unilateral e ianque”. Para Geneteau, o mundo espera uma atitude mais racional para a paz e o livre jogo de ideias e os princípios de autodeterminação dos povos.

Em artigo publicado por Cubadebate, Lorenzo Gonzalo, subdiretor da Rádio Miam, comenta que se algum presidente teve ótimas condições internacionais para suspender essa política de agressão foi o atual. “Nunca antes as coisas foram mais favoráveis para um Presidente estadunidense que de repente chega ao poder e não tem que fazer compromissos para justificar o fim de sua política. Todo mundo quer que ele (bloqueio) termine e todo mundo mudou sua atitude ante Cuba”.

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