Tragédia Política | Por Carlos Lima

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O grupo se transforma num círculo bastante reduzido

 Mantenho uma grande dúvida sobre a existência de qualquer margem de lealdade, sinceridade e reconhecimento por parte dos políticos, para com pequenos aliados, salvo raríssimas exceções. No princípio e no desenrolar do processo eleitoral, existem os afagos, as promessas e as declarações de amizade e fortalecimento do grupo. Depois da vitória o comportamento é totalmente modificado. O grupo se forma em torno do poder é outro. Empresários, investidores, construtores, bancários, a plebe recebe a função de aplaudir e defender os interesses do eleito a custo zero, ou ganhando um salário mínimo.

Não duvidem dessas informações, os testemunhos de trabalhadores e de especialistas são bastante claros sobre esse comportamento. Aquele ditado popular que diz: “O poder corrompe,” é simplesmente sinônimo de culpa. Para se concretizar um ato de corrupção alguém tem que aceitar e concordar com ele.

Vivemos uma verdadeira tragédia para se chegar ao poder. São métodos agressivos, ideologias jogadas debaixo do tapete, acordos, tratados, coligações com todo tipo de projeto pessoal, e, sem qualquer opção, aceitação das condições de trabalho do capitalismo dominante na vida de cada um e do futuro governo.

 Sabemos que no capitalismo a competição é desenfreada, o lucro deve acontecer a qualquer preço. O mito da produtividade, a ideologia da avaliação dos objetivos, termina motivando a mobilidade eterna que rompe solidariedades, respeito e reconhecimento.

É ao político que se diz capitalista que se deve pedir contas da situação que remete o trabalhador para uma solidão povoada de competidores, de desemprego, de chantagem e humilhações permanente.

O capitalista político ou o político capitalista – que é mesma coisa – tem a certeza de que pode comprar todos, não teme parte da imprensa, diz que ela é a mais corrupta, porque pode ser comprada com facilidade, tudo depende do valor a ser ofertado. Em parte é verdade. Realmente encontramos na profissão de radialista e jornalista esse tipo de profissional, onde o dinheiro fala mais alto e a verdade é um território de conveniência. Entretanto esse comportamento é mais presente e eficiente entre os políticos, que negociam – com raras exceções – até … O capitalismo é muito fértil na produção de misérias.

 Na verdade o capitalismo não é apenas o nome do sistema econômico dominante. É também o nome de um regime de vida, de crença e de desejo, que nos é imposto e vivido como algo intransponível. Cronos devorava os seus filhos, o capitalismo, por sua vez, alimenta-se de quem produz a um ritmo que desorienta o próprio tempo. Poderá ele alterar a sua natureza antropofágica? Ou melhor, será que sobreviveria se lhes impuséssemos uma dieta globalizada através dos direitos dos trabalhadores que permitisse novas formas de vida?

Precisamos pensar os sistemas de governo, precisamos pensar nossos políticos. Saber quem são o que fazem e o que podem ser. E não acreditar naquilo que eles querem que acreditemos. Precisamos de informações mais detalhadas, precisamos fazer valer os nossos neurônios.

Questionar, criticar e sugerir, não é anarquizar e desmontar as leis que definem o comportamento da sociedade. É simplesmente procurar o seu aperfeiçoamento e dá mais dignidade a vida do ser humano.

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