Sonhos possíveis | Por Marcelo Vinicius

O Jornal Grande Bahia (JGB) é um site de notícias com publicações que abrangem as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador, dirigido e editado pelo jornalista e cientista social Carlos Augusto.O Jornal Grande Bahia (JGB) é um site de notícias com publicações que abrangem as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador, dirigido e editado pelo jornalista e cientista social Carlos Augusto.

Lígia Flores, minha colega, que é interessada pela filosofia da loucura, colocou o sonho do portador de transtorno psiquiátrico como uma metáfora à capacidade de abstração da realidade.

Essa proeza foi intitulada “Sonhos possíveis” e como achei muito interessante, já que se trata de uma destas raras criações que nos conduzem a novas reflexões, resolvi apresentá-la ao pessoal da área da saúde mental, seja psicólogos, psicanalistas ou psiquiatras, como também a todos que possuem afinidades por assuntos introspectivos. Confiram:

Sonhos possíveis

O maior sonho de um portador de transtorno psiquiátrico é simplesmente ser compreendido, ter um relacionamento normal com as pessoas, com um parceiro ou parceira…

Somos pessoas difíceis, de difícil relacionamento. Muitas vezes não sabemos expressar o que estamos sentindo, e nós vemos que aqueles que estão ao nosso lado ficam sem saber o que fazer, e acabam tomando atitudes que ocasionalmente nos irritam. Somos surdos, numa terra de cantores de ópera! Somos cegos, sozinhos, atravessando a avenida mais movimentada da cidade!

Mas, nós sabemos, só não sabemos como dizer… Em várias ocasiões, demonstramos esse nosso “saber/sentir”, interpretando uma música, fazendo poemas ou contos, pintando, fotografando, esculpindo… Digo, posso até estar errada, mas os grandes artistas de qualquer seguimento da arte são portadores de algum transtorno, pois têm a sua sensibilidade aguçada a ponto de ir além do possível… Bem, nem todos podem ter, mas aqueles que têm algum transtorno, certamente são grandes artistas!

Sendo assim, veja bem, o que temos que vencer é a barreira da comunicação com os outros, tratando nossas mazelas da forma correta – mais uma vez – medicamentos, médico e psicoterapeuta – e procurando calar aqueles medos e inseguranças que povoam nossa mente… Tentar substituí-los por sonhos possíveis, sonhos de vida em paz, como um rio calmo correndo para o mar, sem pressa, sem barreiras, só com belas árvores e flores nas beiradas desse rio da nossa vida. Olhar quem nos cerca com paciência extraída do fundo deste rio, do fundo d’alma.

Difícil? Muito. Requer muito de nós, e nem sempre estamos com estado de espírito para isso… O fantasma da tristeza vive a nos assombrar… Mas, lembre: fantasmas também podem fazer “puff!” depois que você conseguir não ligar para eles! É tentar, com vontade, ou relaxar e deixar fluir esta tristeza para as profundas! Somente a tristeza deve ir. Eu, Você, Nós, temos coisa melhor para fazer! Tentar transformar o mundo daqueles que não tem nada, num mundo mais sensível. Só assim, eles entenderão o que estamos dizendo, o que precisamos, o que todos precisam – afeto, compreensão, carinho, amor.

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