Sidney, Austrália

Juarez Duarte Bomfim.Juarez Duarte Bomfim.

Nosso correspondente internacional, Albérico Ricardo Passos da Motta, nos envia notícia da terra dos cangurus.

As vezes acho que os ingleses colonizaram alguns países apenas para terem com quem jogar rugbi ou criquet. O rugbi domina o noticiário esportivo daqui nesta época do ano. Na TV, são mostrados, incessante e repetitivamente, lances dos jogos, entrevistas com jogadores, julgamento de jogadores por jogadas abusivas. É curioso ver a torcida vibrando fervorosamente nos estádios por uma coisa em que não conseguimos sentir um pingo de emoção. O criquet foi citado apenas rapidamente no noticiário. Imagino que, assim como no caso do futebol, a temporada do ano ainda não começou. Ou, já passou.

O Reino Unido está presente aqui de várias formas. Uma delas é nos nomes das ruas, como Liverpool Streat, das cidades, como Newcastle, dos centros comerciais, como o Queen Vitoria Building e das praças, como o Hyde Park. Sim, aqui também tem um Hyde Park, como em London-London. Fica no coração da cidade. Um lindo parque onde se pode sentar em um de seus bancos ou na grama para relaxar, observar as pessoas sentadas na grama, que podem estar tomando sol, namorando, dando comida às pragas dos pombos, conversando ou comendo o seu lanche de almoço (o almoço é apenas um lanche; o jantar é a principal refeição do dia). Se der sorte v. pode estar no Hyde park, no dia em que tenha uma apresentação instrumental de algum artista local tocando violino. É muito comum ter artistas ainda desconhecidos tocando em locais públicos para ganhar uns trocados da galera que os põem próximo deles, quando passa. Nesse caso, provavelmente v. achará que está no paraíso. O parque lembra aqueles anúncios de folhetos de venda de condomínios de classe media alta, aí, no Brasil. Com todos alegres, sorrindo, pássaros, grama, etc.

Isso é Sidney. Maior cidade da Oceania, Sidney está localizada em uma espécie de grande enseada, onde o mar divide a cidade em duas partes. Ligando os dois lados está a Harbour Bridge, uma majestosa ponte suportada, através de cabos de aço, por uma enorme e elevada estrutura em arco duplo treliçado (barras de aço em zigue-zague ligando os dois arcos). Possui pistas de pedestres, de carros e de trem.  A Harbour Bridge, é um dos símbolos de Sidney. Ela aparece com freqüência na TV, durante as celebrações de ano novo em várias partes do mundo (uma das primeiras celebrações do planeta, de fato). Nessas épocas ocorre um lindo espetáculo de fogos de artifício na ponte.

Outro dos símbolos da cidade é a Ópera House. Situada próximo a Harbour Bridge, o teatro foi estrategicamente projetado em um ponto que avança para o mar, no interior da enseada. Suas formas ousadas demonstram que os devaneios dos arquitetos podem criar algo extremamente belo ou, até mesmo, divino.

Nas ruas, pode-se sentir o odor forte e característico de comida que sai dos restaurantes e lanchonetes. Em função do clima mais frio, o odor não se dispersa facilmente, ficando retido próximo das calçadas das ruas. O odor é, ora agradável, e, ora, enjoativo.

Frio? Sabemos que a Austrália é, atualmente, um dos locais preferidos dos brasileiros mais jovens, que vão lá em busca de maiores oportunidades de trabalho e de experiência de vida. Sabemos ainda que uma das razoes dessa preferência é o fato de não ter um clima (para nós) hostil, como é o caso da Europa. Está correto, mas faz frio. E muito. Principalmente nesta época (inverno / primavera).

As oportunidades de trabalho são realmente maiores para os brazukas. A meninada trabalha como “nanis” (babás), garçons ou cleaner (faxineira). São empregos que não requerem qualificação, mas que são bem pagos e que dá pra viver dignamente. Alguns dos que conversei pensam em voltar, vontade que rapidamente passa, quando se dão conta que não poderiam viver dignamente no Brasil com os nossos salários. Outros, simplesmente, não querem voltar pois gostam de viver em um local organizado.

As construções são de diversos tipos. Entre elas estão as mais modernas, o que incluem elevadíssimos arranha-céus. Outros tipos que estão presentes, apesar de estarem em minoria, são os prédios padronizados e de tijolo vermelho aparente, típicos do Reino Unido. Um dos destaques é a Torre de Sidney, um prédio cilíndrico, de cinco andares, elevado e sustentado por uma torre de 300 metros de altura. Cabos de aço inclinados presos ao longo de todo o perímetro do prédio e no solo complementam a estrutura. Os cabos têm a função de suportar os esforços horizontais, como os provenientes dos ventos. Suas posições inclinadas dão à torre um leve aspecto de arvore de natal. Um dos andares é ocupado por um restaurante onde, enquanto v. tem um inesquecível jantar, o piso gira lentamente, de modo a possibilitar uma espetacular visão da cidade em 360 graus. Aliás, esse é o nome do restaurante: 360.

A raça predominante é composta pelos blanquelitos saxões; grande parte loura. Grande parte também de olhos azuis. Os ocidentais também estão presentes. Podem ser vistos muitos chineses, indonesianos, tailandeses, e outros. Em alguns casos, as blanquelitas se parecem com bonecas. Bom, pelo menos com as bonecas que as meninas brincavam, quando éramos crianças. Aliás, porque não temos bonecas parecidas com nossas lindinhas negras ou sensuais morenaças? Acho que isso dá tema de tese de mestrado em antropologia, não?

O sistema de transporte funciona muito bem. Não há os engarrafamentos que conhecemos. Outro aspecto importante é que, em todos os pontos de trem e de ônibus, existe uma tabela com os horários em que eles passam nesse ponto. De uma amostra considerável, não notei atraso de mais de um minuto. Creio que, para nós, e com nossa referencia, é difícil entender como conseguem tal façanha.

Ainda com relação aos ônibus, não existe a figura do cobrador. O próprio motorista faz esse papel. Ou, então, pode se pagar também com um cartão previamente comprado. Ao entrar no ônibus, o passageiro passa o cartão em um equipamento registrador, que desconta o credito do passageiro.

Apesar do frio, durante essa época do ano podem ocorrer dias ensolarados e com temperatura elevada, de mais de 30 oC. Nesses dias, as praias e parques ficam lotados. Chamou a atenção ao fato de que eles não usam guardas-sol, como proteção, como é esperado de uma civilização mais esclarecida. Ficam completamente deitados nas toalhas expostos ao sol. Outro aspecto diferente é que as mulheres praticam top-less. Não é uma prática disseminada, mas pode ser visto em diversos pontos da praia. Outro aspecto curioso é que os biquines não se distanciam dos famosos “brazilian bikinis”, famosos na Europa, não apenas pela audácia, mas também pela graça.

È isto, para uma visão preliminar.

*Com informações de Albérico Ricardo Passos da Motta

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About the Author

Juarez Duarte Bomfim
Baiano de Salvador, Juarez Duarte Bomfim é sociólogo e mestre em Administração pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), doutor em Geografia Humana pela Universidade de Salamanca, Espanha; e professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Tem trabalhos publicados no campo da Sociologia, Ciência Política, Teoria das Organizações e Geografia Humana. Diversas outras publicações também sobre religiosidade e espiritualidade. Suas aventuras poético-literárias são divulgadas no Blog abrigado no Jornal Grande Bahia. E-mail para contato: [email protected]