Polo Norte não deverá mais ter gelo no verão

Um urso polar caminha à beira de uma ponte de gelo no canal Robeson, entre a Groenlândia e no Canadá em 29 de junho de 2009. Greenpeace e cientistas importantes estão na Groenlândia para uma expedição de 3 meses usando o seu navio quebra-gelo Arctic Sunri.
Um urso polar caminha à beira de uma ponte de gelo no canal Robeson, entre a Groenlândia e no Canadá em 29 de junho de 2009. Greenpeace e cientistas importantes estão na Groenlândia para uma expedição de 3 meses usando o seu navio quebra-gelo Arctic Sunri.
Um urso polar caminha à beira de uma ponte de gelo no canal Robeson, entre a Groenlândia e no Canadá em 29 de junho de 2009. Greenpeace e cientistas importantes estão na Groenlândia para uma expedição de 3 meses usando o seu navio quebra-gelo Arctic Sunri.
Um urso polar caminha à beira de uma ponte de gelo no canal Robeson, entre a Groenlândia e no Canadá em 29 de junho de 2009. Greenpeace e cientistas importantes estão na Groenlândia para uma expedição de 3 meses usando o seu navio quebra-gelo Arctic Sunri.

Em até dez anos, o Ártico será mar aberto e navegável, disseram pesquisadores britânicos após analisar informações coletadas por uma expedição à região.

Em 20 ou 30 anos, a camada de gelo que cobre o Polo Norte desaparecerá completamente durante os meses de verão, anunciaram nesta quarta-feira (14/10)  pesquisadores após analisar informações coletadas por uma expedição ao Ártico liderada pelo explorador britânico Pen Hadow.

“A camada de gelo no verão desaparecerá completamente entre 20 e 30 anos, mas antes disso, ela já terá diminuído consideravelmente”, afirmou o professor Peter Wadhams, especialista em oceanos polares da Universidade de Cambridge.

O mais tardar em dez anos, o Ártico será considerado mar aberto e, portanto, será navegável durante o verão no hemisfério norte, disse Wadhams, após analisar os dados coletados por Hadow e mais dois exploradores, que passaram 73 dias no Ártico, de março a maio, fazendo medições no gelo.

Exemplo concreto do aquecimento global

Partindo do norte do Canadá, Hadow, Martin Hartley e Ann Daniels percorreram 450 quilômetros pelo Ártico para medir a espessura e a densidade do gelo, bem como a profundidade da cobertura de neve e as temperaturas da água e do ar. A expedição foi chamada de Catlin Arctic Survey.

Ao longo do percurso, a espessura média do gelo com menos de um ano era de 1,8 metro, o que é considerado insuficiente para a regeneração das camadas de mais de um ano.

“Trata-se de um exemplo concreto do avanço do aquecimento global”, afirmou Wadhams. O especialista em clima do WWF Martin Sommerkorn, disse que a expedição mostrou um retrato sombrio e que a camada de gelo do Ártico derrete de forma mais rápida do que o esperado.

Retorno a padrões de 1990 é improvável

“Sem a camada de gelo polar, teremos um mundo diferente e bem mais quente”, afirmou. Imagens de satélite já haviam mostrado em setembro que, pelo terceiro ano consecutivo, a camada de gelo ártico havia diminuído de forma extrema no verão passado.

De acordo com o Instituto Alfred Wegener de Pesquisa Polar e Marítima, em 12 de setembro foi registrada a menor cobertura de gelo do ano, com 5,1 milhões de quilômetros quadrados. O recorde negativo é do ano de 2007, com 4,1 milhões de quilômetros quadrados.

Especialistas do instituto disseram que é improvável que haja um retorno aos níveis registrados até o final dos anos 1990, quando a camada de gelo ártico tinha mais de 7 milhões de quilômetros quadrados durante o verão do hemisfério norte.

Redação do Jornal Grande Bahia
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