Os livros são caros, mas o carnaval não | Por Marcelo Vinicius

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Há uma questão que precisamos abordar: essa cultura de que o livro (conto, romance ou poesia) é extremamente caro.

Muitos dizem que não se interessam tanto pela leitura, como entretenimento, porque os livros são muito caros, no entanto não penso assim, dependendo do contexto.

Os livros estão na faixa de preço de R$ 20,00 a R$ 40,00 e as pessoas não compram porque acham dispendiosos, contudo elas compram um abadá de R$ 200,00, para curtir um carnaval que só dura quatro dias e pronto, já que aquele abadá acaba junto com a festa. Têm pessoas que compram calças de R$ 200,00 e sem reclamar. Existem indivíduos que vão para um show, o qual tem um ingresso no valor de R$ 30,00, R$ 50,00 ou R$ 100,00.

Ou seja, o que é mais caro? Pagar por abadás que possuem valores de R$ 200,00 a R$ 1.000,00 para sair no bloco de carnaval, principalmente na Bahia, e curtir quatro dias de festas, sabendo que depois jogará os seus abadás fora; pagar por uma calça de R$ 200,00; ir para shows onde um ingresso custa de R$ 30,00 a R$ 100,00 (sem contar com os outros consumos) para curtir só uma noite e nada mais ou comprar um livro de R$ 20,00 ou R$ 30,00 que serve para vida toda?

Mesmo que um livro custe R$ 50,00, ainda está aceitável, comparando com as calças, os abadás e os ingressos de shows. Essas pessoas que dizem que um livro é caro, poderiam rever os seus conceitos.

A questão não é deixar de ir para o carnaval, não comprar uma calça ou não curtir um show ou qualquer outro entretenimento, mas descontinuar com essa justificativa trivial que entra em contradição quando avaliamos com que tal pessoa gasta seu dinheiro, “conquistado arduamente”, em detrimento de uma compra de um livro, alegando que este possui um valor elevado.

Um indivíduo que pode fazer tudo isso, não conseguiria tirar um trocado aqui e outro ali, para juntar e comprar um livro? Mas a questão é muito mais ampla que isso, pois o problema é que o brasileiro ainda lê pouco.

Uma análise mais detalhada da Pesquisa de Orçamentos Familiares 2002-2003, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostrou aos membros da Câmara Brasileira do Livro (CBL), reunidos no dia 8, durante a 19ª Convenção Nacional, no Rio de Janeiro, que 40,7% das famílias adquirem algum tipo de material de leitura.

É um percentual baixo, especialmente se revistas e jornais estão incluídos na despesa. Além disso, foi levantada outra questão mais agravante: se gasta praticamente a mesma quantia em cópias e em originais de livros técnicos e didáticos.

“O preço do livro no Brasil não justifica mais o baixo índice de consumo”, afirma Rosely Boschini, presidente da Câmara. “As editoras estão buscando muitas maneiras de oferecer um produto com a mesma qualidade e mais acessível. Seria interessante o Estado transmitir aos educadores a necessidade de despertar nos alunos o gosto pela leitura”.

Porém, há pessoas que não têm condições financeiras para adquirir um livro e dentro deste novo tema, que precisa também ser discutido, podemos concordar.

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