Entrevista concedida pelo presidente Lula, após encontro com trabalhadores das obras do Eixo Norte, em Cabrobó, Pernambuco

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva concede entrevista coletiva sobre transposição do Rio São Francisco.
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva concede entrevista coletiva sobre transposição do Rio São Francisco.
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva concede entrevista coletiva sobre transposição do Rio São Francisco.
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva concede entrevista coletiva sobre transposição do Rio São Francisco.

Coletiva concedida pelo Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, em 16 de outubro de 2009.

Jornalista: Presidente, o governo vai taxar o capital (incompreensível)

Presidente: Ô, Geddel, depois, quando eu me retirar, você fica aqui falando com a imprensa. Veja, primeiro, deixa eu te falar uma coisa, essa coisa de economia, meu filho, a gente não pode falar. Essas coisas, eu estou aqui há 3 dias viajando, vou voltar no final de semana e não tem nenhuma previsão de a gente fazer qualquer taxação em lugar nenhum.

Jornalista: (incompreensível)

Presidente: Não sei, não sei. Não me perguntem porque eu não posso falar.

Jornalista: Presidente, os ribeirinhos aqui estão preocupados (incompreensível).

Presidente: Mas preocupados por que, querido?

Jornalista: (incompreensível)

Presidente: Mas, veja, nós é que estamos fazendo a dragagem, para acabar com o assoreamento do rio. Eu acho que é o seguinte: eu acho que todas as pessoas que tiverem preocupação, hoje eles têm um governo disposto a ouvi-los e fazer as coisas que precisam ser feitas, ou seja, se tiver algum problema, nós vamos sentar com eles e encontrar a solução.

A verdade é que durante muitas décadas o rio ficou assoreado por irresponsabilidade de governantes que permitiram que praticamente todo o cerrado quase, que margeava uma grande parte do rio São Francisco, fosse tirado para fazer carvão para atender a alguns grupos empresariais. E, aí, quando não tem árvore para segurar a terra, a terra vem para o mar. A gente vê… por isso é que nós começamos a dragar, porque nós temos o desejo de fazer o rio voltar a ser navegável de Pirapora até Juazeiro.

Então, é um trabalho que nós estamos fazendo. Na medida em que vai aparecendo o problema, nós temos que ir consertando. O que nós não podemos é deixar de atender as pessoas que têm reivindicações para fazer. Ao longo da construção da obra, na medida em que vai aparecendo uma queixa ou um problema, nós vamos tratando disso.

Jornalista: (incompreensível)

Jornalista: O senhor falou de papel da oposição, o que o senhor avalia da crítica que o José Serra fez e também da postura do PSDB e do DEM, quanto ao requerimento dos custos da viagem (incompreensível)?

Presidente: Olha, pobre da oposição que não tem o que fazer. Pobre. Eu acho que a ociosidade é uma das desgraças da humanidade. Bote um bando de homem junto, sem ter o que fazer, é a desgraça. Então, eles em vez de ficarem olhando o que eu estou fazendo, eles deveriam olhar o que eles estão fazendo. Seria mais fácil, deveriam lembrar do tempo que eles governaram, porque a gente não pode ficar, ficar fazendo a discussão em um nível menor. Sabe, mas eu disse lá no palanque, eu não espero que a oposição reconheça as coisas que nós fizemos, não é o papel. Você se esquece que eu fui oposição durante muito tempo e falava mal do governo com a mesma facilidade que eles falam mal de mim. Com uma diferença: nós estamos fazendo o que eles não fizeram.

Jornalista: (incompreensível) … essa questão do jogo eleitoral para a campanha de 2010, essas declarações aí estão (incompreensível) uma candidatura. Agora, por outro lado, o senhor, por exemplo, (incompreensível). Não tem um caráter aí (incompreensível)…

Presidente: Meu caro, quando eu era sindicalista qualquer ato que eu fazia era uma assembléia. Sabe qual é a diferença de eu falar um ato de inauguração, em uma reunião com os trabalhadores que estão recebendo salário da empresa e pararam por algumas horas para ver o Presidente da República? Onde é que tem a diferença de um comício? Eu poderia fazer uma assembléia de trabalhadores, eu poderia fazer um ato público. Eu, sinceramente, acho que não cometi nenhum ato falho… vou continuar falando. Eu, juntei, eu, para mim, juntei mais do que uma pessoa, se tiver duas é um ato público, três é um comício, 50 já é uma assembléia grande, daquelas que eu faria em São Bernardo.

Jornalista: Presidente, (incompreensível).

Presidente: Eu acho, eu acho que, deixa eu falar uma coisa: eu acho que os adversários poderiam vir visitar a obra, eles poderiam pedir para o Presidente da Câmara montar uma estrutura e trazer deputado, senador, governador para ver a obra, porque durante 25 anos eles governaram este País, não tinha uma obra. Lembre de uma, você que é um jornalista bem informado.

Jornalista: Presidente,…

Presidente: não tinha…

Jornalista: (incompreensível)… transposição rima com sucessão, não é? Com a Dilma e com o Ciro aí fica mais fácil (incompreensível). Não é?

Presidente: Não, não conversei, não conversei… Veja, e a transposição não rima com eleição não. Eu acho que… nem com sucessão, ou seja, a transposição é um sonho antigo deste país. Você conhece a história, você conhece a covardia de alguns. E mais, eu digo sempre o seguinte: tem duas obras no Brasil que elas, durante décadas, foram marcas, a 163, ligando Cuiabá a Santarém, e a transposição.

Eu, durante as campanhas, tive a coragem de não prometer nenhuma das duas e estou fazendo, porque fui convencido da importância do projeto, como base para o desenvolvimento regional e, sobretudo, como base de integração do nosso país.

Da mesma forma, a Transnordestina. O que nós estamos nos propondo a fazer, não é pouca coisa você fazer a ligação de Suape-Pecém, e ainda passar por Elizeu Martins e pegar a plantação de soja. Essa é uma obra que eu estou há cinco anos tentando fazer essa obra, e somente agora é que foi firmado o contrato entre a construtora e a CSN, que é dona da Transnordestina. E assim vale para as outras obras, ou seja, a gente não pode levar em conta que o processo eleitoral atrapalhe você a administrar. Porque tem gente que quer que você não faça nada no ano da eleição, como nós temos eleição a cada dois anos, em um mandato de quatro, você perde dois. Eu acho o seguinte: quem quiser ganhar eleições, que trabalhe. O presidente da República não pode ficar preocupado com coisas menores.

Este país era tão carente de investimentos, este país era tão carente de obras públicas, que a gente percebe que hoje está faltando cimento, está faltando asfalto. Porque, como o país não se preparou durante 25 anos, havia uma certa tendência de dizer que o Brasil não poderia crescer mais que 3% ao ano. Nós queremos crescer 5%, 6%, 7%, 8%, e preparar o país para o crescimento. Se a gente quiser ser a quinta economia do mundo em 2016, nós não poderemos parar de trabalhar, não poderemos parar de trabalhar.

Jornalista: O senhor vai morar em Pernambuco, depois do seu mandato?

Presidente: Eu tenho vontade, mas aí quem decide é a dona Marisa, não sou eu não.

Jornalista: (incompreensível) Vale.

Presidente: Não tem problema com a Vale, gente. Eu já falei para vocês uma vez, já faz mais de um mês que eu chamei o Roger Agnelli para conversar comigo. Tivemos uma boa conversa. Ele me apresentou alguns projetos de investimento que me satisfizeram, me deixou feliz porque nós vamos fazer algumas siderúrgicas. Na segunda-feira eu vou ter um encontro com o Roger em São Paulo e ele vai me apresentar os projetos da Vale. São investimentos importantes, que eu vou esperar ele anunciar, por isso é que eu não posso dizer quantos são nem quantos vão ser. Mas nós vamos conversar. O que eu quero é o seguinte: é que a Vale do Rio Doce, que é uma empresa muito importante para o Brasil, não fique pensando que é apenas interesse do governo fazer as coisas acontecerem no Brasil. As grandes empresas também têm que fazer acontecer. E a Vale do Rio Doce sabe a importância dela. Portanto, eu quero exportar mais valor agregado do que minério. Eu quero gerar mais empregos.

Jornalista: (incompreensível)

Presidente: Não. Não estamos pensando nisso, gente. Eu vou repetir: em economia eu não gosto de ficar dando palpite, porque um palpite… Um tempo desses atrás, uma pessoa fez uma publicação de uma conversa que eu tive com o Meirelles, em que discutimos a questão dos juros. Uma mentira. Porque essas coisas, eu sou muito cuidadoso, e o Meirelles é muito responsável. E quando sai uma notícia na área econômica com uma certa deformação, quem perde é o povo brasileiro, porque se o sistema financeiro resolve acreditar e começa a aumentar juros, ou seja, futuros, quem é que perdeu? O país, o povo. Então, nós estamos há sete anos no governo, estamos a um ano e quatro meses para terminar o mandato, na hora em que tiver que tomar uma decisão, a gente vai tomar, como sempre tomou, sem ficar avisando uma semana antes o que vai acontecer.

Jornalista: (incompreensível)

Presidente: Não, não, eu não vou responder.

Jornalista: (incompreensível)

Presidente: Ninguém, ninguém vai sair do anonimato às minhas custas. Quem quiser sair do anonimato, trabalhe, apresente proposta, discuta o Brasil. Esse negócio do cidadão ficar esperando sair no jornal porque critica o presidente, e o presidente comentar que ele saia no jornal, respondendo, vai morrer de sede e eu não vou dar essa colher de chá.

Jornalista: Qual a performance (incompreensível)

Presidente: (incompreensível) o meu. Eu não sou analista de performance.

Jornalista: (incompreensível)

Presidente: Não. Veja, eu acho… Gente, deixa eu contar uma coisa para vocês: a coisa mais natural nessas viagens é os prefeitos apresentarem uma pauta de reivindicação, porque, o Eduardo sabe, há quantos anos esses prefeitos ficaram a pão e água neste país, todos os prefeitos. Eu falo para vocês sem medo de errar: pode juntar os últimos 30 anos, todos os presidentes da República que passaram pelo governo não fizeram com as prefeituras os investimentos, nem 10% do que nós estamos fazendo. Não fizeram. Eu tenho a convicção que mesmo aqueles governadores que são oposição receberam mais dinheiro no meu governo do que receberam no governo deles, muito mais.

Jornalista: (incompreensível)

Presidente: Não, veja, aí…

Jornalista: Gostou do bode, Presidente?

Presidente: Rapaz, ontem o bode estava de qualidade. Olha, eu acho que Dilma e Ciro são dois grandes companheiros, mas quem vai decidir o destino deles são os partidos. Eu hoje não sou nem do diretório nacional do PT, como é que eu posso dar palpite nisso?

Jornalista: (incompreensível)

Presidente: Olha, deixa eu lhe falar: eu tenho um ato agora, que é inauguração de algumas casas, e o pessoal está lá há mais de uma hora, já, no sol. Agora, Geddel, eu acho que você deveria dar uma palavrinha depois.

Jornalista: (incompreensível)

Presidente: Não, não.

Jornalista: Mas já está com 12%.

Presidente: (incompreensível), nem com zero, nem com 12. Ou seja, campanha política não é um processo de adivinhação. Campanha política, ela acontece… você tem que ter time, porque tem horas que o time tem que entrar em campo, tem hora que o time tem que entrar em campo. Então, eu acho que é muito cedo para a gente fazer qualquer avaliação do que vai acontecer em 2010. A única coisa que eu posso dizer para vocês é que o nosso governo vai terminar melhor em dezembro de 2010 do que está hoje, porque tem muita coisa para acontecer neste país.

Quando chegar em dezembro, quando a gente for prestar contas ao povo brasileiro das coisas que aconteceram no Brasil, até vocês jornalistas vão ficar surpreendidos com as coisas que estão acontecendo neste país. Posso dizer para vocês que nunca houve na história deste país a quantidade de investimentos e de obras simultâneas, como está acontecendo agora. O Eduardo Campos é governador, ele já foi secretário. Posso dizer para vocês que… já foi meu ministro, ou seja, vocês vão ver, Pernambuco hoje está recebendo do governo federal aquilo que não deve ter recebido… Acho que o Arraes não recebeu meio por cento do que nós estamos dando. Porque naquele tempo, quando tinha um governador de oposição, fechava a torneira e deixava o coitadinho morrer de sede. Agora, perguntem aos meus adversários, perguntem aos meus adversários atuais, ou ex-governadores, se eles não receberam mais dinheiro no meu governo do que no governo (incompreensível). Perguntem ao José Serra, perguntem a qualquer um, eu não estou fazendo seleção, perguntem a qualquer um. Perguntem quanto de dinheiro nós estamos passando para os estados, para as prefeituras, perguntem para os prefeitos do PFL.

Porque nós somos republicanos de verdade. Eu não olho a sigla partidária de quem é o administrador, eu olho a necessidade do povo. Se o prefeito apresentar um bom projeto e esse projeto for importante, eu não quero saber se ele gosta de mim ou não gosta, porque ele não tem obrigação de gostar de mim. Eu quero saber que o povo tem necessidade, e ele vai receber o dinheiro. Se a gente tiver três mandatos de presidentes republicanos, a gente recupera este país e a decência política. A relação não pode ser uma relação mesquinha, de quem tem dinheiro dando para quem não tem. A relação tem que ser de um chefe de Estado tratando todos em igualdade de condições.
Está bem, gente. Eu peço licença. O Geddel vai falar.

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