Entre distâncias | Por Roque do Carmo Amorim Neto

O Jornal Grande Bahia (JGB) é um site de notícias com publicações que abrangem as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador, dirigido e editado pelo jornalista e cientista social Carlos Augusto.O Jornal Grande Bahia (JGB) é um site de notícias com publicações que abrangem as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador, dirigido e editado pelo jornalista e cientista social Carlos Augusto.
Entre distâncias.

Entre distâncias.

Para Talita Berlim e Laura Belo

Distância que tudo separa…

Hoje é impossível pensar nas pessoas que amo e não considerar o fato de que estamos fisicamente distantes. Em certas circunstâncias me pergunto por que tem que ser assim; por que temos que suportar o fato de viver longe daqueles que queremos sempre por perto. No meu percurso intelectual encontrei respostas tais como “faz parte da vida”, “é para o nosso bem”, “temos que aproveitar as oportunidades”… Não há resposta satisfatória!

A distância física começa com um adeus… Um abraço apertado no aeroporto de Brasília ou de San Francisco. Uma lágrima contida na rodoviária de Teresina. Um coração apertado e uma mão se agitando no ar no porto de Belém.

Quando a distância é apenas física tanto no peito de quem parte como de quem fica, resta o desejo do reencontro, da ansiosa expectativa pelo retorno no qual sempre se ouve: “tava morrendo de saudades”.

Quanto mais perto de nosso destino mais lento o tempo parece passar… Deixa de correr, arrasta-se, nos fazendo olhar o relógio tantas vezes para concluir que apenas sete minutos se passaram desde a última vez que o fizemos.

Em tudo isto há um sabor amargo-doce. Temos a oportunidade de valorizar ainda mais nossos relacionamentos e, a cada dia distante das pessoas amadas, considerar como os minutos que passaremos juntos serão frutíferos e transmitirão claramente a mensagem “Eu amo você” ou “Você é importante para mim”.
Apesar do sabor levemente amargo da saudade, a distância física é nada mais do que uma desculpa para o reencontro. No entanto, existe outro tipo de distância em relação à qual devemos estar atentos, falo da distância psicológica.

A distância psicológica não começa com um adeus, mas com o silêncio. O silêncio daqueles que não aprenderam a expressar o que sentem de maneira adequada. O silêncio daqueles que em vez de se conectarem consigo mesmos e com as pessoas ao seu redor preferem esconder-se atrás do anonimato das salas de bate-papo virtuais. Quantas pessoas vivendo sob o mesmo teto e ao mesmo tempo tão distantes psicologicamente umas das outras… Não há afeto, não há pão para ser partilhado, apenas o silêncio da mágoa e do ressentimento.

A distância psicológica também pode criar a ingênua separação do “nós” em “eu” e “eles”. Sendo que o “eu” é considerado como totalmente bom e os outros, “eles” são considerados como estúpidos, idiotas, de menor valor…

Algumas vezes nos distanciamos física e psicologicamente de alguns amigos e nem sabemos a razão. Apenas começamos a acumular atividades, compromissos e quando nos damos conta meses se passaram sem que tenhamos encontrado nossos amigos se quer uma vez. Então lamentamos o tempo perdido ou, simplesmente, ignoramos o fato.

Não há outro remédio para a distância se não o desejo do reencontro. Todavia, este desejo só surge se existir a saudade. Se ao contemplarmos o céu da nossa existência percebemos que nele falta uma estrela e, muito embora, tenhamos centenas de outras estrelas, percebemos nossa noite como terrivelmente escura pelo simples fato de que uma estrela não está ali.

Distância que tudo separa…

Desejo que tudo mobiliza…

Atitude que tudo realiza…

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Redação do Jornal Grande Bahia
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