Desrespeito ao trabalhador: fardamentos utilizados por prestadores de serviço da PMFS: sandálias havaianas, bermudas e camisetas puídas

Trabalhadores tratados com desumanidade e indiferença | Quanto mais humilde, mais os oprimem, os tratam como semiescravos. Pois, a estes falta a voz para protestarem, porque lutam pelo essencial, alimento.
Trabalhadores tratados com desumanidade e indiferença | Quanto mais humilde, mais os oprimem, os tratam como semiescravos. Pois, a estes falta a voz para protestarem, porque lutam pelo essencial, alimento.
Trabalhadores tratados com desumanidade e indiferença | Quanto mais humilde, mais os oprimem, os tratam como semiescravos. Pois, a estes falta a voz para protestarem, porque lutam pelo essencial, alimento.
Trabalhadores tratados com desumanidade e indiferença | Quanto mais humilde, mais os oprimem, os tratam como semiescravos. Pois, a estes falta a voz para protestarem, porque lutam pelo essencial, alimento.

Na tarde de ontem (27/10/2009), ao passar pela Avenida Getúlio Vargas em Feira de Santana, me deparei com cenas quase pictóricas. Que remetiam a uma dura realidade, onde trabalhadores da construção civil, desenvolviam suas atividades para a PMFS (Prefeitura de Feira de Santana), usado como fardamento: sandálias havaianas velhas, bermudas e camisetas puídas, desgastadas pelo tempo.

Um trabalhador com as mãos quase ensanguentadas buscava encaixar um meio-fio nos retornos que estão sendo modificados pela administração do médico/prefeito Tarcízio Pimenta. Outro, tentando ajudar um colega, enfia os pés na lama. Aquelas cenas feriam o meu ser. Então me perguntava: como pode um governante, que recebe nossos impostos, tratar justamente, as pessoas que mais necessitam de seu apoio, de forma tão desumana, amadora e carregada de desprezo?

Onde estão os órgãos de fiscalização do trabalho que permitem que pessoas sem o EPI (equipamentos de proteção individual) possam desenvolver atividades para um ente federado, em uma condição semiescrava? É triste, mais é verdade. Nos dois retornos, em frente ao Colégio São Francisco e Soft-pão, cerca de dez trabalhadores, desprovidos das condições mínimas necessárias ao desenvolvimento de suas atividades. Tentavam, com o suor no rosto, com pés na lama e mãos calejadas, venderem sua força de trabalho ao nosso prefeito Tarcízio Pimenta. E desta forma, levarem com alegria o pão para as mesas dos seus filhos.

Fico a me perguntar se o secretário de serviços urbanos, José Pinheiro, se sentiria bem em ter um dos seus familiares trabalhando em condições tão insalubres e desumanas? Também, me pergunto se um médico, eleito prefeito, esqueceu que é justamente para os menos possuídos que temos de ter o maior carinho e o maior respeito?

Certamente, que a resposta só pode ser encontrada, na indiferença com que tratam os homens e mulheres que lhes servem. E quanto mais humilde, mais os oprimem, os tratam como semiescravos. Pois, a estes falta a voz para protestarem, porque lutam pelo essencial, alimento. Você pode querer saber os nomes destes trabalhadores. Apenas posso responde-lhes? Eu os chamo de irmãos.

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Sobre Carlos Augusto 9744 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).